Inspeções de soja dos EUA sobem quase 20% na semana, com China liderando destinos; milho e trigo recuam
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As inspeções de soja para exportação dos Estados Unidos alcançaram 2.476.453 toneladas na semana encerrada em 22 de outubro, crescimento de 19,7% em relação às 2.068.086 toneladas da semana anterior. Os números foram divulgados nesta segunda-feira (26) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e também representam avanço de 113,3% frente às 1.161.105 toneladas registradas no mesmo período do ano passado.
A China foi o principal destino da soja americana inspecionada no período, com aproximadamente 1,65 milhão de toneladas, equivalente a 66,7% do volume semanal. Os embarques destinados ao país asiático foram registrados principalmente pelos corredores do Rio Mississippi, Columbia River e Puget Sound.
Com o resultado, o acumulado das inspeções de soja no ano comercial 2026/27 chegou a 9.705.412 toneladas, superando em 42,4% as 6.815.919 toneladas contabilizadas no mesmo intervalo da temporada anterior.
O avanço ocorre em um momento de intensificação da colheita americana e de continuidade das compras chinesas. A análise da Agrinvest destacou que a China segue adquirindo soja dos Estados Unidos, com novos negócios para embarques em dezembro e janeiro. A consultoria também apontou que as compras das empresas estatais chinesas já representam quase 70% de um programa de 25 milhões de toneladas.
Apesar da demanda, a consultoria ressaltou que a soja americana enfrentava pressão sazonal de oferta, diante de relatos de produtividades elevadas no Leste dos Estados Unidos e da necessidade de comercialização dos agricultores. A Agrinvest também chamou atenção para o bom andamento do plantio brasileiro, fator que contribuía para as expectativas de disponibilidade de soja na próxima temporada.
Em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta segunda-feira, Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest, também avaliou que as condições climáticas relativamente favoráveis ao desenvolvimento inicial da safra brasileira seguem exercendo pressão sobre as cotações em Chicago. Para o mercado nacional, o analista destacou que a valorização do dólar pode melhorar a formação dos preços em reais e estimular negócios antecipados da safra 2026/27, embora a reação efetiva dos produtores ainda dependa da continuidade do movimento cambial.
Inspeções de milho ficam abaixo de 630 mil toneladas
Na contramão da soja, as inspeções de milho para exportação dos Estados Unidos somaram 625.233 toneladas na semana encerrada em 22 de outubro, redução de 9,7% frente às 692.234 toneladas da semana anterior.
Na comparação com o mesmo período de 2025, quando foram inspecionadas 1.242.451 toneladas, a retração chegou a 49,7%. O acumulado do ano comercial 2026/27 alcançou 9.776.509 toneladas, ficando 7,7% abaixo das 10.588.161 toneladas registradas no período correspondente da temporada passada.
Os resultados mostram um ritmo de inspeções inferior ao observado há um ano, em um momento de competição entre os principais fornecedores internacionais. Para o Brasil, Vanin destacou nesta segunda-feira que a valorização do dólar pode favorecer a competitividade do milho nacional, depois de o país perder espaço comercial para a Argentina em meses anteriores.
Segundo o analista, o mercado brasileiro ainda precisa de um programa exportador expressivo entre novembro e janeiro para reduzir os estoques na virada do ano. A melhora cambial pode contribuir para esse movimento, mas sua efetivação dependerá do avanço das negociações e dos embarques.
Trigo também apresenta retração semanal
As inspeções de trigo americano totalizaram 183.824 toneladas, queda de 27,9% diante das 254.915 toneladas da semana anterior. Em relação às 269.820 toneladas do mesmo período de 2025, o recuo foi de 31,9%.
No acumulado do ano comercial 2026/27, iniciado em junho, as inspeções chegaram a 7.418.676 toneladas, volume 35,4% inferior às 11.475.246 toneladas registradas no intervalo correspondente da temporada anterior.
Os dados fazem parte do relatório semanal de inspeções de exportação do USDA, que acompanha os volumes de grãos inspecionados e pesados para embarque nos Estados Unidos. Os números são diferentes dos relatórios de vendas semanais, que registram os compromissos comerciais firmados pelos exportadores.
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