Dia do Tomate: por trás da produção, os desafios de uma das culturas mais estratégicas do agro

Publicado em 30/01/2026 17:17 e atualizado em 30/01/2026 17:47
Da origem ancestral ao mercado moderno, o tomate simboliza trabalho, risco e resiliência no campo brasileiro.

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Celebrado mundialmente, o dia primeiro de fevereiro é conhecido como o Dia do Tomate. A data vai além de uma homenagem gastronômica. Ela reconhece o esforço diário do produtor rural que enfrenta um clima imprevisível, custos elevados e um mercado cada vez mais concentrado. Trata-se de uma cultura que exige atenção constante, planejamento e capacidade de adaptação para permanecer viável.

Originário da costa oeste da América do Sul, o tomate foi levado para a região da América Central e sul do México, onde os povos da região o domesticaram. O nome vem da língua nahuatl, grafado como tomatl, revelando a profunda ligação histórica do fruto com a agricultura tradicional.

Com a chegada dos espanhóis à América, o tomate foi introduzido na Europa e encontrou no clima mediterrâneo condições ideais de adaptação. Tornou-se símbolo das culinárias da Espanha e da Itália, além do México, espalhando-se posteriormente para diversas regiões produtoras do mundo.

Segundo a FAO, China, Índia, Turquia, Estados Unidos, Egito, Itália, México e Brasil figuram entre os maiores produtores globais de tomate, reforçando a importância estratégica da cultura em diferentes continentes. Esse cenário global evidencia como planejamento e apoio institucional influenciam diretamente a competitividade da cadeia produtiva, servindo de referência para países que buscam fortalecer sua produção.

Uma história de quase meio século dedicada ao tomate

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Lauro Andrades, produtor de tomate de Sumaré, Monte-Mor e Uberaba (MG) em sua lavoura

No Brasil, a produção de tomate carrega histórias familiares marcadas por persistência e aprendizado contínuo. Um exemplo é o produtor Lauro Andrade. Ele acompanha de perto a evolução da atividade desde o final da década de 1970. “Nos começamos a produção de tomate em 1978, são 48 anos de produção de tomate. Somos a quarta geração de produtores rurais e por influência de arrendatários na década de 70 e 80 começamos a produzir tomate na região de Sumaré, Monte Mor e Uberaba”, relata o produtor. 

Hoje, a estrutura produtiva envolve área extensa e alto nível de tecnificação, o que reflete a profissionalização necessária para permanecer no mercado.

Tecnologia como aliada diante dos riscos

A produção de tomate exige decisões estratégicas ao longo de todo o ano e o desafio é constante. “Produzir tomate é um grande desafio. Inclusive, é isso o que nos motiva em busca de melhor produção e qualidade”, afirma o produtor.

A busca por estabilidade levou à definição de períodos específicos de cultivo. “Produzimos numa época de estabilidade de preço e nos adequamos em duas épocas do ano. De janeiro a junho e, depois, de julho a dezembro”, explica.

Mesmo fora do período considerado ideal, a tecnologia faz a diferença. “Usamos tecnologia como porta-enxerto, genética, entre outras para a gente conseguir se estabelecer”, destaca, reforçando que inovação se tornou condição básica para a sobrevivência da atividade.

Margens apertadas e necessidade de eficiência

O risco de frustração de safra está sempre presente. Lauro lembra que o tomate é uma cultura de alto valor agregado e, ao mesmo tempo, vulnerável. “A frustração de safra é um risco da atividade”, afirma.

Segundo ele, o cenário mudou nos últimos anos. “Há pouco tempo, tínhamos condições de melhores safras que bancavam as safras perdidas”, relembra, destacando que hoje o equilíbrio financeiro depende de gestão rigorosa.

Nesse contexto, investir em pessoas se tornou essencial. “Usar a tecnologia e investir em mão de obra e retê-la formando uma boa equipe faz com que a gente consiga ficar no azul”, resume.

Armazenamento ainda limita o potencial do produtor

Entre a colheita e o consumidor final, o armazenamento aparece como um dos maiores gargalos da cadeia e a ausência de estrutura adequada impacta diretamente as perdas. “O principal gargalo que eu vejo seria a falta de cadeia refrigerada”, afirma.

Mesmo quando o produtor faz sua parte, o problema persiste. “Nem sempre a armazenagem acontece de forma refrigerada e o resultado é desperdício. “Eles tratam a mercadoria como um processo industrial, sem levar em consideração que é um produto perecível”, diz o produtor, apontando perdas significativas ao longo do caminho.

O olhar técnico sobre o comportamento do produtor

Do ponto de vista técnico, o engenheiro agrônomo Júlio Cesar de Lima, da CATI – Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, destaca que a permanência na cultura do tomate está fortemente ligada à tradição. “É um desafio, porém pela questão cultural e pelo conhecimento adquirido durante os anos muitos produtores acabam optando por plantar tomate”, explica.

Segundo ele, o retorno financeiro pode ser elevado em determinados momentos, mas o risco é permanente. “Quando o clima e preço não ajudam, o impacto é imediato. Quando o preço cai demais ou uma safra perdida o produtor se sente incapaz”, relata.

Esse cenário gera desgaste emocional. “É um abalo psicológico”, afirma o agrônomo, destacando que o prejuízo vai além do financeiro.

Mercado concentrado e caminhos para equilíbrio

O engenheiro agrônomo  também chama atenção para a formação de preços no varejo. “Grande parte do custo do preço do produto no supermercado é o preço logístico”, explica, ressaltando que a oscilação recai principalmente sobre o produtor.

Para ele, a organização coletiva é fundamental. “Para cadeia mais justa seria necessário pequenos e médios produtores se juntarem em associações e cooperativas”, defende.

Além disso, o papel do poder público é decisivo. “Órgãos públicos são importantes nesse tema”, afirma, destacando que assistência técnica, planejamento e redução de custos são caminhos para fortalecer a tomaticultura.

No Dia do Tomate, a data simboliza não apenas o alimento, mas a valorização de quem produz, resiste e sustenta uma das culturas mais importantes do agronegócio brasileiro.

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Por:
Michelle Jardim
Fonte:
Notícias Agrícolas

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