Tecnologia pode elevar em até 20% a produtividade do pimentão e amplia uso de porta-enxertos no Brasil
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“Até 20% ou até mais, dependendo do manejo do produtor”, destacou Leandro Soares, especialista em desenvolvimento de mercado Solanaceae da Seminis Bayer, ao explicar o potencial de desempenho do novo porta-enxerto para pimentão apresentado pela empresa durante a 31ª edição da Hortitec 2026.
A novidade marca a chegada ao pimentão de uma tecnologia que já transformou a produção de tomate em diversas regiões do país. A proposta é simples: fortalecer a planta desde as raízes para enfrentar desafios cada vez maiores no campo, garantindo mais sanidade, estabilidade produtiva e melhor aproveitamento do potencial genético das cultivares.
O avanço ocorre em um momento de crescente profissionalização da horticultura brasileira. “Custos de produção mais elevados, mudanças climáticas e aumento da incidência de doenças de solo têm levado os produtores a buscar ferramentas capazes de reduzir riscos e aumentar a eficiência das lavouras”, explica o especialista.
A adoção da enxertia em hortaliças não é novidade nos principais polos mundiais de produção. Estudos da International Society for Horticultural Science mostram que a técnica já é amplamente utilizada em países como Japão, Espanha, Holanda, Estados Unidos e México, especialmente em sistemas intensivos de cultivo protegido. Nessas regiões, os porta-enxertos são empregados para aumentar a tolerância a doenças de solo, melhorar a eficiência no uso de água e nutrientes e garantir maior estabilidade produtiva ao longo dos ciclos.
Tecnologia já validada no tomate avança para o pimentão
Durante a Hortitec, Leandro Soares reforçou a evolução do setor de hortaliças e o espaço crescente para tecnologias voltadas ao aumento da eficiência produtiva. “Hoje a gente está vendo o quão profissional está se tornando esse mercado”, afirmou.
Segundo ele, os resultados obtidos com porta-enxertos no tomate abriram caminho para a expansão da técnica em outras culturas de importância econômica. “O objetivo é levar ao pimentão benefícios já observados em sistemas produtivos mais tecnificados. Por que não trazer um para pimentão, que é um mercado extremamente importante no Brasil”, acrescentou Soares.
A recomendação contempla tanto cultivos protegidos quanto áreas de campo aberto, principalmente onde há uso contínuo do solo e maior pressão de patógenos.
Porta-enxerto Argemiro fortalece raízes e sustenta a planta no campo
O principal diferencial da tecnologia está no sistema radicular mais robusto, capaz de explorar camadas mais profundas do solo e aumentar a capacidade de absorção de água e nutrientes. “Esse sistema radicular contém um pacote de resistência”, explicou Leandro Soares ao comentar a proposta da nova solução.
Segundo ele, a estrutura radicular mais desenvolvida funciona como uma base sólida para o crescimento da planta, favorecendo o desenvolvimento vegetativo e reduzindo os impactos provocados por doenças de solo.
Desempenho pode ser ampliado com manejo adequado
Segundo o porta-voz da Bayer, os resultados observados em campo indicam ganhos expressivos quando a tecnologia é associada a um manejo eficiente. “Até 20% ou até mais, dependendo do manejo do produtor”, destacou.
O especialista ressaltou que o desempenho varia conforme as condições de cultivo, o histórico da área e o nível de pressão de doenças presentes no ambiente. “Em situações mais desafiadoras, o porta-enxerto pode ajudar a preservar parte importante do potencial produtivo da planta, reduzindo perdas e aumentando a eficiência da área cultivada”, observa.
Cultivo protegido concentra maior potencial de utilização
Os sistemas protegidos aparecem entre os ambientes que mais podem se beneficiar da tecnologia. “Nessas áreas, o uso intensivo do solo ao longo dos anos favorece o surgimento de problemas fitossanitários e aumenta a necessidade de ferramentas que reforcem a sustentabilidade da produção”, esclarece.
A recomendação também se estende ao campo aberto, especialmente em propriedades que enfrentam desafios recorrentes relacionados à sanidade radicular.
Cultura estratégica ganha cada vez mais importância
Presente em praticamente todas as regiões do país, o pimentão ocupa posição de destaque entre as hortaliças brasileiras.
De acordo com a Embrapa Hortaliças, a produção se concentra principalmente em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e polos agrícolas do Nordeste. Essa ampla distribuição geográfica reúne diferentes realidades produtivas, do cultivo em campo aberto às estruturas protegidas de alta tecnologia.
A diversidade dos sistemas de produção reforça a necessidade de soluções capazes de aumentar a produtividade sem comprometer a qualidade dos frutos e a rentabilidade da atividade.
Doenças de solo aumentam desafios para o produtor
Entre os principais entraves enfrentados pelos horticultores está o avanço das doenças associadas ao solo. A intensificação do cultivo e o uso contínuo das mesmas áreas têm ampliado a pressão desses patógenos, comprometendo o desenvolvimento das plantas e limitando o potencial produtivo das lavouras.
Nesse contexto, o porta-enxerto surge como uma ferramenta complementar dentro do manejo integrado, contribuindo para reduzir impactos e aumentar a longevidade produtiva das áreas cultivadas. A combinação entre genética, manejo e tecnologia tem se tornado cada vez mais importante para garantir resultados consistentes no campo.
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