Melão/Cepea: Com safra espanhola em curso, exportações recuam em junho
As exportações brasileiras de melão caíram novamente em junho de 2026, movimento já esperado para o período. Comparando-se com maio, de acordo com dados do Comex Stat, o volume exportado se reduziu 59%, alcançando 2,5 mil toneladas. Da mesma forma, a receita recuou 55%, totalizando US$ 2 milhões (FOB). Os principais destinos da fruta foram: Reino Unido (44%), Países Baixos (32%) e Espanha (9%). A queda no volume exportado deve-se, principalmente, ao período de entressafra no Rio Grande do Norte/ Ceará, que deve se encerrar até o fim de julho, quando deverá marcar o início das colheitas para a campanha 2026/27. Segundo colaboradores do Hortifruti/Cepea, com a safra europeia em vigor, principalmente a espanhola, o mercado do principal destino das frutas brasileiras se encontra majoritariamente abastecido pelos produtos dos países que compõem o continente. Com isso, a demanda pelos melões do Brasil se desacelerou, já que também o RN/CE está com um volume menor de frutas disponíveis, apesar da melhora na qualidade após o período chuvoso.
Fazendo-se o balanço da parcial da entressafra (abril a junho) do ano atual frente a de 2025, o volume exportado reduziu 21%, totalizando 20 mil toneladas, assim como a receita, que também apresentou queda de 19%, alcançando US$ 15 milhões (FOB). Esse cenário ocorreu principalmente em razão da maior competitividade dos países concorrentes, da América Central, que obtiveram uma produção superior ao do ano anterior, e a perda de qualidade e produtividade dos melões entre o período chuvoso na região nordestina, que perdurou entre março e abril, reduzindo a atratividade pela fruta brasileira. Além disso, a elevação dos custos logísticos decorrente do conflito no Oriente Médio - com incremento no diesel - também influenciaram para a redução dos embarques internacionais durante o período. Para os próximos meses, com o início da campanha 2026/27, a oferta deverá aumentar significativamente. Entretanto, segundo produtores, os contratos de exportação para a nova campanha têm apresentado atrasos e algumas complicações, devido ao maior receio para o envio de um maior volume de mercadoria de ambos os lados - exportadores brasileiros e importadores europeus -, consequência do desempenho abaixo do esperado da safra anterior em termos de receita. Esse fator poderá dificultar as exportações no início da safra principal do RN/CE, e como consequência, um maior volume de melão poderá ser direcionado ao mercado interno, pressionando as cotações domésticas.
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