Hortifruti/Cepea: Tarifa dos EUA: impacto limitado para o FLV, com cenário favorável para o suco de laranja
Após semanas de expectativa, o governo dos Estados Unidos confirmou, em 15 de julho, a aplicação de uma tarifa adicional mínima de 25% sobre milhares de produtos brasileiros. Para o setor de frutas, legumes e verduras (FLV), contudo, o impacto imediato tende a ser limitado. Isso porque a maior parte dos principais produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos permaneceu na lista de exceções divulgada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), preservando a competitividade da maior parte da pauta hortifrutícola brasileira naquele mercado.
Entre os produtos isentos estão laranja, limão, manga, mamão, abacaxi, banana, abacate, goiaba, kiwi, coco e diferentes tipos de castanhas, além do suco de laranja e de diversos produtos processados à base de frutas. A manutenção dessas mercadorias entre as exceções reduz o risco de interrupção dos fluxos comerciais e de perda de participação para fornecedores concorrentes.
O principal destaque positivo é o suco de laranja, cuja participação na pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos permanece estratégica. Na safra 2025/26, os Estados Unidos responderam por cerca de 45% de todo o volume exportado pelo Brasil, participação semelhante à da União Europeia, consolidando-se como um dos principais destinos do produto.
Na mesma temporada, as exportações brasileiras de suco não concentrado (NFC – Not From Concentrate) para os Estados Unidos cresceram cerca de 15%. Considerando o conjunto formado pelo suco concentrado congelado (FCOJ – Frozen Concentrated Orange Juice, NCM 2009.11.00) e pelos demais sucos de laranja, os embarques destinados ao mercado norte-americano avançaram 18,3% em relação à safra anterior, impulsionados principalmente pelo aumento das compras de FCOJ. A manutenção desses produtos na lista de exceções preserva a competitividade brasileira em um mercado responsável por aproximadamente 45% das exportações nacionais de suco de laranja. Embora o suco brasileiro já esteja historicamente sujeito à tarifa de importação nos Estados Unidos, a não aplicação da sobretaxa adicional de 25% evita uma perda ainda maior de competitividade frente aos concorrentes. A decisão também beneficia outros derivados da citricultura, como a polpa cítrica e os óleos essenciais, que, segundo a CitrusBR, em sua maioria também foram incluídos entre os produtos isentos da tarifa adicional.
No segmento de frutas frescas, a principal preocupação está concentrada na uva. Os códigos da posição HTSUS 0806, referentes a uvas frescas e secas, não aparecem na relação oficial de exceções consultada. Caso essa condição seja mantida na versão definitiva da medida, a uva brasileira ficará sujeita à tarifa adicional de 25%.
O impacto imediato, porém, tende a ser mais restrito do que em outros setores. As exportações brasileiras de uva para os Estados Unidos já vinham perdendo competitividade desde a tarifação anterior, reduzindo significativamente a participação desse destino nas vendas externas da fruta. Embora o mercado norte-americano representasse uma importante janela comercial no início do segundo semestre, a Europa continua sendo o principal destino da uva brasileira.
De forma geral, o cenário é relativamente favorável para o setor de FLV. A inclusão da maior parte das frutas tropicais, dos cítricos, do suco de laranja e de outros derivados entre as exceções limita os efeitos diretos da medida sobre a cadeia hortifrutícola. Ainda assim, o setor deverá acompanhar atentamente a publicação definitiva dos códigos tarifários, especialmente no caso da uva e de outros produtos que permaneceram fora da lista de isenções.
Ressalva: Esta análise foi elaborada com base no Anexo oficial publicado pelo USTR em 4 de junho de 2026, que apresentou a proposta da medida e a relação detalhada dos códigos HTSUS inicialmente isentos, complementada pelas informações divulgadas após a decisão anunciada em 15 de julho de 2026. A confirmação definitiva para cada produto depende da publicação do Anexo consolidado correspondente à versão final da norma. Até o momento, não foi identificada evidência oficial de que a posição HTSUS 0806 (uvas frescas e secas) tenha sido incluída entre as exceções.
0 comentário
Com tarifaço de Trump, exportações para EUA caem 6,6% em 2025
Exportações da piscicultura nacional se mantêm estáveis, mesmo com tarifaço dos Estados Unidos
Governo vê decisão política dos EUA ao propor novas tarifas ao Brasil
BSCA vê avanço em proposta dos EUA, mas alerta para impacto sobre café solúvel
Análise: Possíveis impactos das tarifas americanas sobre a economia brasileira
PEIXE BR manifesta preocupação com proposta dos EUA de impor nova tarifa sobre produtos brasileiros