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Safra de laranja 2026/27 do cinturão citrícola de SP e Triângulo Mineiro/Sudoeste de Minas Gerais é estimada em 255,20 milhões de caixas

Publicado em 08/05/2026 10:32 e atualizado em 08/05/2026 11:36

Estimativa aponta redução na produção de laranja no cinturão citrícola, sob impacto do clima irregular, avanço do greening e bienalidade

A safra de laranja 2026/27 do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro, principal região produtora de laranja para suco do mundo, é estimada em 255,20 milhões de caixas de 40,8 kg, segundo anúncio do Fundecitrus nesta sexta-feira (8/5). O volume representa uma redução de 12,9% em relação à safra anterior, que totalizou 292,94 milhões de caixas, e um recuo de 14,7% frente à média da última década.

A projeção de produção menor decorre da bienalidade (oscilação produtiva natural dos pomares entre um ano e outro), redução no número de frutos por árvore e do aumento da taxa de queda prematura, fatores que superam os efeitos positivos do maior peso dos frutos e da ampliação do número de árvores produtivas no parque citrícola.

Perfil da safra

De acordo com dados da Pesquisa de Estimativa de Safra (PES), as condições climáticas e a disponibilidade de irrigação tiveram papel determinante no perfil das floradas e no desempenho da produção. A estiagem em maio de 2025 provocou estresse hídrico nas plantas, posteriormente interrompido por irrigação nas regiões com maior proporção de áreas irrigadas, o que estimulou a primeira florada; ainda assim, o pegamento de parte dos frutos foi prejudicado por temperaturas acima da média em setembro.

Já nas áreas menos irrigadas, a primeira florada foi mais limitada, impactada tanto pelas temperaturas elevadas quanto pelo baixo volume de chuvas entre julho e setembro. A partir de outubro, porém, o retorno das chuvas — mais intensas e bem distribuídas — favoreceu a emissão da segunda florada, que predominou na safra como um todo. Embora as altas temperaturas de dezembro tenham prejudicado os frutos dessa florada, seu efeito foi parcialmente atenuado pelas chuvas abundantes de dezembro a março, que contribuíram para sustentar o pegamento e o desenvolvimento dos frutos. “Esse cenário não apenas afetou o potencial produtivo, como também impactou a uniformidade e a qualidade da safra, exigindo maior atenção no manejo”, afirma o gestor da PES, Guilherme Rodriguez.

Para o diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, a estimativa confirma um cenário mais complexo para a citricultura, marcado por clima irregular e pressão fitossanitária. “Esta é uma safra impactada pela variabilidade climática e pela maior pressão do greening, com efeitos no pegamento, na carga e na queda de frutos. Apesar de avanços no peso médio e no nível tecnológico dos pomares, o cenário exige rigor no manejo e monitoramento contínuo. Seguiremos apoiando o setor com dados, pesquisa e orientação técnica para mitigar perdas e sustentar a produção”, afirma. O último levantamento da doença realizado pelo Fundecitrus, em setembro de 2025, apontou que o greening atingiu 47,6% das laranjeiras do parque citrícola.

Frutos maiores, mas em menor quantidade

Devido à menor carga por árvore, os frutos apresentam maior peso médio, também favorecidos pelas melhores condições hídricas durante o desenvolvimento. A projeção indica laranjas com 160 gramas no ponto de colheita, acima da safra anterior.

Queda de produtividade e desafios fitossanitários

A produtividade média estimada é de 697caixas por hectare, uma retração de 13,8% em relação à safra passada. Todas as variedades analisadas apresentaram queda de rendimento. Além do menor número de frutos por árvore, a taxa de queda prematura de frutos, projetada em 23,7%, e a taxa de perda de frutos de 31,3% também contribuíram para a retração de produtividade. Entre os principais fatores de pressão estão o avanço do greening, a incidência de leprose, a previsão de um evento de El Niño no segundo semestre de 2026 e a tendência de colheita mais tardia. Adicionalmente, o aumento da taxa de queda e a inclusão da taxa de perda de frutos também é influenciada pelo aprimoramento da metodologia de medição, que passou a incorporar dados de derriça na colheita.

Metodologia mais precisa

A estimativa é baseada em método objetivo, com medições de campo, contagem e pesagem de frutos. A taxa de queda na coroa e o fator de correção são utilizados para projetar a perda total de frutos no início da safra. Ao final da safra, esses índices são substituídos pela taxa real de perda de frutos, medida diretamente no campo por meio da derriça durante a colheita.

O levantamento envolveu 2.560 árvores, distribuídas por diferentes regiões, variedades e idades, garantindo representatividade estatística do cinturão citrícola. “A produção segue sendo monitorada pelo Fundecitrus, e a estimativa poderá ser ajustada ao longo da safra, especialmente em função da queda de frutos e do tamanho final das laranjas”, afirma Rodriguez.

A PES é realizada pelo Fundecitrus em parceria com o professor titular (aposentado) da FCAV/Unesp José Carlos Barbosa.

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Fonte:
Fundecitrus

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