Caos logístico desacelera comercialização da soja no Brasil

Publicado em 19/03/2013 17:16 e atualizado em 19/03/2013 22:41
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O escoamento da safra 2012/13 de soja do Brasil está bastante comprometido pelo caos logístico que se instalou no país com a entrada de uma produção de mais de 80 milhões de toneladas. Em todos os portos do país há cerca de 193 navios de soja, 9 de milho e 45 de farelo esperando para embarcar o produto. Toda essa espera - que bateu o recorde e chegou a 60 dias nesta segunda-feira (18) - e atraso nos embarques já começa, mais uma vez, a refletir diretamente na renda dos produtores rurais. 

Nesta terça-feira (19), agências de notícias reportaram o cancelamento da compra de 2 milhões de toneladas de soja brasileira por parte da empresa chinesa Sunrise em função de um atraso causado pela insuficiente infraestrutura brasileira. De acordo com um representante do grupo asiático, foi registrada a chegada de apenas 2 dos 12 navios previstos. O executivo afirmou ainda que novos cancelamentos poderão ser feitos. 

Um levantamento feito pelo Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), aponta que, por conta desses gargalos logísticos, as tradings têm diminuído seu ritmo de compras em Mato Grosso, maior estado brasileiro produtor. Até a última sexta-feira (15), cerca de 75,9% da safra atual já havia sido comercializada, um volume 4,3 pontos percentuais menores do que na temporada anterior neste mesmo período. Embora seja um número positivo, refere-se, principalmente, às vendas feitas no início do plantio. 

"As 18,3 milhões de toneladas já vendidas estão sofrendo com atrasos no transporte de caminhão até o porto, por falta de caminhões e más condições das estradas, grandes filas para descarregamento no terminal de Alto Araguaia/MT e dias de espera para esvaziar os caminhões nos portos, principalmente Santos [SP] e Paranaguá [PR]", descreve o boletim semanal do instituto.

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Foto: A Tribuna de Santos

O congestionamento no Brasil acontece em mar e terra. Nas principais estradas que dão acesso aos portos há filas de caminhões esperando para descarregar o produto. Além disso, as más condições das rodovias também comprometem o bom fluxo dos caminhões já que aumentam o tempo das viagens e acabam encarecendo o valor do frete.De acordo com o diretor administrativo da Aprosoja MT (Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado do Mato Grosso), Roger Augusto Rodrigues, o valor do frete já sofreu um reajuste de aproximadamente 50% de janeiro para cá. 

Além dos problemas já conhecidos, o que agrava a situação da logística nessa safra é uma menor agilidade por parte dos caminhões, de acordo com Rodrigues. Isso vem acontecendo, em partes, por conta da nova Lei do Caminhoneiro, segundo ele, e piora diante da falta de infraestrutura já conhecida tanto pelos motoristas quanto pelos produtores.

Para Rodrigues, a lei é um avanço para a categoria e se faz bastante necessária, porém, ainda precisa de muitas alterações, as quais devem atender às necessidades tanto dos caminhoneiros quanto do transporte brasileiro. "Esse não pode ser mais um custo a cair nas costas dos produtores rurais. Além de menos caminhões, ainda sofremos com a falta de mão de obra qualificada. É um verdadeiro apagão logístico", diz. 

A opinião de que essa lei não atende as necessidades dos caminhoneiros é compartilhada pelo presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCAM), Claudinei Pelegrini, que afirma que, no próximo dia 27, lideranças do setor vão à Brasília apresentar alterações na legislação ao Governo Federal. "Essa lei foi um avanço, mas não atende aos anseios dos caminhoneiros. Ela é incompátivel e o que precisamos não temos", afirma. 

O presidente reitera ainda que as condições ruins das estradas brasileiras há tempos provocam o desgaste excessivo não só dos motoristas como dos veículos, além de aumentar os custos e tempos de viagem. "Tem caminhoneiro gastando 5 horas para fazer um trajeto de 100 km", diz Pelegrini. 

No entanto, o representante da ABCAM acredita ainda que o problema de falta de caminhões, como vem sendo reportado pelo setor produtivo, pode ser amenizado ao passo que as alterações necessárias sejam feitas na nova lei do caminhoneiro. Porém, afirma também que é necessário uma movimentação e planejamento por parte do Governo Federal para que as condições de trabalho possam ser mais adequadas. "Aquilo que foi destinado à iniciativa privada, aconteceu. Mas onde está toda a infraestrutura que foi prometida pelo Governo Federal?", questiona Pelegrini. 

Preços - Frente a isso, os preços da soja no mercado interno brasileiro começam a refletir negativamente. As cotações sentem a pressão da entrada dessa safra, da logística travada - que pressiona os prêmios nos portos, que já chegaram a ficar negativos na semana passada - e também de uma trajetória de baixa dos futuros da oleaginosa negociadas na Bolsa de Chicago. Há cinco pregões consecutivos a soja opera em queda no mercado internacional, perdendo importantes patamares de preços. No último mês, a saca de soja caiu de R$ 49,30 para R$ 48,87, podendo chegar, em algumas regiões, a até mesmo R$ 40.

Para Liones Severo, o mercado interno deverá observar o movimento dos preços em Chicago, bem como o dos preços nos portos.  Para o consultor de mercado da SIM Consult, caso o mercado internacional volte a subir, com uma possível volta da demanda para os Estados Unidos, as cotações no Brasil podem acompanhar, mesmo que de leve, esse avanço. "O grande problema é que todo esse dinheiro perdido com a logística está saindo do bolso do produtor", completa.   

No G1: Rodovia Cônego Domênico Rangoni, principal para o porto de Santos, tem recorde de congestionamento

A rodovia Cônego Domênico Rangoni, no sentido de Guarujá, no litoral de São Paulo, registrou, no começo da tarde desta terça-feira (19), um congestionamento recorde. O motivo é o excesso de caminhões que precisam carregar e descarregar cargas nos terminais do Porto de Santos. No total, são 27 quilômetros de engarrafamento. 
De acordo com a Ecovias, concessionária que administra a rodovia, o trânsito está congestionado entre o Km 270 e o Km 248 e entre o Km 1 e o Km 5 pela SP 248. A Ecovias afirma que o congestionamento é causado por causa dos veículos pesados, que encontram dificuldades na entrada dos terminais portuários da margem esquerda do Porto de Santos.

Veja a notícia na íntegra no site do 
G1 Santos
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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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