Venezuela teme colapso no abastecimento de milho com falhas na estrutura logística e de armazenagem

Publicado em 02/10/2013 15:32 e atualizado em 02/10/2013 16:25
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A Venezuela tem enfrentado problemas logísiticos com o milho atualmente. A descarga de milho branco e amarelo nos centros de recepção no estado de Portuguesa, na Venezuela, está demorando de quatro a seis dias, de acordo com os transportadores. Eles temem que nos próximos 15 dias a situação cause um colapso, uma vez que era esperado que este fosse o momento de movimentar maior volume de matéria prima. A colheita de milho está estimada em cerca de 1 milhão de toneladas, número maior do que nos anos anteriores.

Embora alguns acreditem que o problema esteja relacionado com a diminuição da jornada de trabalho estabelecida pela Lei Orgânica do Trabalho (Lottt), outros pensam que a demora se deve a problemas operativos nos silos, cuja capacidade está limitada.Em comparação com o mesmo período do ano passado, o armazenamento está mais tardio. A preocupação com esta semana é maior ainda, pois é quando se começam a registrar os chamados "picos" de colheita.

Na última sexta-feira, o transportador Giovani Ucello chegou aos silos de Provencesa com sua unidade carregada de milho branco colhido em Píritu, município de Esteller. Até a tarde da última segunda-feira (30), porém, Ucello não havia conseguido descarregar o produto no centro de recepção que recebe diariamente 700 toneladas de matéria prima.

"O volume de matéria que chega é maior do que a capacidade que os silos têm de armazenar. O tempo que perdemos enfileirados é prejudicial para os agricultores, porque o grão tende a superaquecer, o que faz com que sejam feitos descontos que, ao final, reduzem a rentabilidade", manifestou o transportador.

À parte da limitada capacidade, a recepção também tem sido afetada pela redução da jornada de trabalho, afirmou o motorista. "O pessoal não trabalha aos domingos, como antes se fazia, porque os trabalhadores têm de receber três vezes mais. Esta semana começa o pico de colheita e se isso continuar assim, irá gerar um colapso", detalhou.

Perigo

Para Esteban Hernández, que estava, nesta segunda-feira (30), esperando há quatro dias para descarregar o milho, além da preocupação com as perdas de matéria prima, também há a preocupação com a falta de policiamento durante as noites aguardando fora dos silos. "Não há nenhum tipo de proteção, nenhum vigilante ou nada parecido. Corremos o risco de que nos roubem a bateria ou as cargas", afirmou Hernandez.

Nos silos La Flecha, que recentemente passaram a ser administrados pela estatal Agropatria, o transportador José Escalona expressou sua indignação, uma vez que somente dois silos estão operando para a recepção do milho amarelo, o que limita a capacidade diária a 300 toneladas. "Antes havia mais capacidade, mas agora, não sei se é por problemas internos, falhas operacionais ou falta de pessoal que há menos silos disponíveis", reclamou Escalona, que também se queixa dos gastos adicionais que gera sua estadia fora dos silos.

"Vai chegar dezembro e vamos encontrar o Menino Jesus na fila", afirmou Nicolás Romano, presidente da Aproven, cujos silos estão operando 24 horas por dia, diferentemente de outros centros de recepção que vêm tendo problemas na hora de se ajustar às novas leis trabalhistas.

Com informações do site America Economia

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Por: Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas

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