Transporte fluvial reduzirá frete estadual em até 70%

Publicado em 24/08/2009 11:13
Redução nos custos para transportar produtos é apontada como uma das grandes alternativas para alavancar a agropecuária de Mato Grosso

A viabilidade das hidrovias que passam por Mato Grosso refletirá diretamente no desenvolvimento da agricultura estadual.

Para se ter uma noção de quanto este modal de transporte é importante e significativo, quando elas estiverem em operação, o valor desembolsado para escoar o produto poderá reduzir até 70%.

Isso porque a produção estadual é transportada quase que exclusivamente pelas rodovias, que têm o frete mais elevado e faz com que o produto local perca produtividade, influenciado pela distância entre as fazendas e os portos.

Mas por enquanto o único modal utilizado pelos agricultores estaduais é o rodoviário e como consequência de poucas alternativas, o produto costuma ter sempre o mesmo destino: os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), que percorrem aproximadamente 2 mil quilômetros.

No futuro, quando a multimodalidade integrar rodovias, ferrovias e hidrovias ,a agricultura será amplamente beneficiada, e terá preços competitivos, favorecendo não só produtores como a sociedade de forma geral, que terá produtos também mais acessíveis.

A diversidade de modais para escoamento da produção é uma promessa do governo federal, mas que na opinião do setor produtivo local caminha a passos lentos, o que faz com que o transporte da produção estadual seja feita quase que exclusivamente pelo asfalto, cujo trajeto está em condições precárias já que as BRs não foram projetadas para atender o grande volume de caminhões que transitam anualmente.

Entre as hidrovias que atenderão a produção local estão a do Madeira (já em funcionamento, mas com pouco volume estadual), a Paraná-Paraguai, importante para o Estado porque o percurso inclui Mato Grosso e vai até a Argentina e o Uruguai. As que ainda não estão em operação, mas que contemplariam de forma decisiva para o escoamento da produção mato-grossense são a Teles Pires-Tapajós e a Tocantins-Araguaia.

De acordo com o gerente de Desenvolvimento e Regulação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Adalberto Tokarski, Mato Grosso é um Estado com uma dimensão territorial tão grande que demanda a existência de várias saídas para escoamento da produção, que é crescente, e que por isso, a implantação de vários modais é imprescindível. "E os modais mais eficientes são as ferrovias e as hidrovias".

No caso da ferrovia, Mato Grosso conta com a Senador Vicente Vuolo, que cortará o Estado de Norte a Sul e que está em processo de implantação há vários anos. O trajeto conta com 500 km em funcionamento entre as cidades de Aparecida do Taboabo (MS) e Alto Araguaia (MT), e outros 251 km até Rondonópolis. O funcionamento está previsto para a safra 2011.

Ainda com relação às hidrovias, Tokarski diz que atualmente a que é mais utilizada em Mato grosso é a do Madeira, que é usada para transportar a soja e o milho produzidos na região de Sapezal.

"Ela ainda não atende a produção total do Estado e por isso a necessidade de mais hidrovias funcionando", considera o gerente da Antaq ao completar que nenhum volume mato-grossense é transportado pela Tocantins-Araguaia, que poderia levar a produção localizada na região do Araguaia, Água Boa e Vila Rica (MT).

Ele diz que para isso estão sendo construídas eclusas com previsão para entrar em operação no final do primeiro semestre de 2010.

Na opinião de Tokarski, a hidrovia que será estratégica para Mato Grosso, especialmente para a região Norte do Estado, é a Teles Pires-Tapajós, cujo percurso inclui os dois rios que cortam o Estado por uma extensão de 1,3 mil quilômetros.

"Mas nesta há muito o que ser feito, como usinas hidrelétricas, eclusas", diz ao informar que o governo federal gasta anualmente cerca de R$ 1 bilhão com subsídios à agricultura para escoamento de safra e que se os investimentos nas hidrovias forem feitos, este custo não será mais necessário e trará melhorias para todos.

Ele considera que o custo de uma hidrovia na comparação com uma rodovia é pelo menos seis vezes menor já que não necessitará de reparos, levando em consideração ainda que pelo meio fluvial há menos ocorrências de acidentes e é menos poluente.
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Fonte:
A Gazeta - MT/Aprosoja.com.br

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