Milho: Mesmo com aumento das exportações, Brasil deve ter consumo interno garantido
Publicado em 07/08/2012 17:23
O abastecimento de milho é um problema que está preocupando alguns setores no Brasil. A firme escalada dos preços no mercado internacional vem chamando a atenção dos produtores brasileiros,que, em algum casos, vêm mais vantagens em exportar o grão a vendê-lo no mercado doméstico.
As exportações brasileiras estão crescendo expressivamente e, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, somente em julho somaram 1,7 milhão de toneladas. O volume é 12,6 vezes maior do que o exportado em junho e 6,3 vezes maior do que a quantidade registrada em julho do ano passado. No acumulado de 2012, o Brasil exportou 3,52 milhões de toneladas de milho, 14,7% mais na comparação com igual período de 2011.
A avaliação dos analistas é de que esse aumento da procura pelo cereal brasileiro tem sido um reflexo dos problemas com a safra norte-americana. Atualmente, os Estados Unidos sofrem com a pior seca de sua história e as perdas na safra 2012/13 de milho podem chegar a 100 milhões de toneladas, segundo estimativas da consultoria Agroconsult.
Além disso, importantes produtores mundiais como a Ucrânia e a Rússia também devem registrar perdas em suas colheitas em função de adversidades climáticas.
Entretanto, mesmo com esse significativo aumento das vendas do produto do Brasil ao exterior, há divergências sobre um possível desabastecimento do mercado interno. De acordo com o presidente da Abramilho (Associação Brasileira dos Produtores de Milho), Alysson Paolinelli, essa possibilidade não existe já que o Brasil vem produzindo, entre a safra de verão e a safrinha, cerca de 70 milhões de toneladas, uma das maiores de todos os tempos.
"Se fosse em um regime normal, nós não exportaríamos mais do que 12 milhões de toneladas porque as facilidades portuárias não são convenientes para isso. Só que nós tivemos uma outra sorte. A soja subiu de preço muito cedo, já foi exportada em grande quantidade e esvaziou os armazéns e os portos. Com isso, devemos exportar cerca de 15 milhões de toneladas de milho", explicou Paolinelli.
O presidente da associação afirma que mesmo que esse volume exportado se confirme, ainda assim o consumo interno - que é estimado em 50 a 55 milhões de toneladas - será atendido tranquilamente. O mesmo foi confirmado pelo analista de mercado, Vlamir Brandalizze. O especialista em mercado de grãos afirma que esse desabastecimento é pouco provável diante de uma potencial expressivo para a próxima safrinha brasileira.
Segundo Brandalizze, a produção de milho na primeira safra no Brasil, de fato, será menor em função do aumento previsto para a soja na temporada 2012/13. A compra de insumos, principalmente sementes, para a safra do grão está bem lenta e é de 40% a 50% menor do que no mesmo período da safra anterior. A área destinada ao plantio de milho, de acordo com o analista, deverá sofrer uma redução de aproximadamente um milhão de hectares, passando de 7 milhões para 6 milhões de hectares.
Esse avanço da oleaginosa em detrimento do cereal também se dá por conta dos altos preços registrados nos mercados internacional e interno. Para a safra nova, uma saca de soja nos portos brasileiros já se aproxima dos R$ 70.
Preços - Assim como a soja, os preços do milho também têm batido recordes dentro e fora do Brasil. A safra dos Estados Unidos, maior exportador mundial, foi dizimada pela seca logo após uma severa quebra registrada pela Argentina, segundo maior exportador, no ciclo anterior. Sendo assim, o Brasil volta ao foco e se mostra como importante fornecedor, sendo hoje, o terceiro maior exportador mundial do cereal.
Frente a este cenário, na Bolsa de Chicago, o cereal já superou há algumas semanas o patamar dos US$ 8 por bushels e a estimativa de alguns analistas é de que possa aumentar ainda mais.
No Brasil, os preços nos portos se aproximam dos R4 40. Nesta terça-feira (10), o valor de uma saca de milho era de R$ 37. Os atuais valores brilham aos olhos dos produtores que, há alguns anos, vendiam o grão a R$ 13/saca em alguns estados. Segundo o presidente da Abramilho, esses preços devem subir ainda mais podendo chegar até mesmo a se igualar ao mercado internacional. Nos valores atuais, isso significa um potencial de alta de 19%.
A preocupação, porém, é com a capacidade que os compradores brasileiros têm de arcar com esses altos preços. Para que isso seja possível, Paolinelli afirma que espera ações do governo como a compra de milho para o abastecimento como forma de subsidiar o produto e ajudar produtores como os de frangos e suínos, por exemplo.
No entanto, caso essas medidas de política pública não se confirmem, para Carlos Fávaro, presidente da Aprosoja Mato Grosso, pode haver uma falta de milho no mercado interno brasileiro. "O mercado internacional é comprador, o governo precisa tomar medidas públicas. Chegou o momento, o governo demorou a tomar essas decisões, mas agora tem que tomá-las a qualquer preço".
O presidente da Aprosoja diz que essas medidas são essenciais para garantir o bom funcionamento da cadeia de carnes e seu abastecimento de milho. Entre a atuação do governo estão medidas ligadas a prêmios de frete, alguns leilões e abastecimento dos estoques públicos.
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