Milho: Argentina precisa de chuvas até o fim do mês para garantir safra recorde

Publicado em 18/01/2013 12:48
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As chuvas precisam chegar até o fim deste mês na Argentina para potencializar a produtividade das lavouras de milho e então a safra do país alcançar o recorde das 28 milhões de toneladas estimado pelo mercado.

Porém, as previsões ainda não indicam precipitações para os próximos dias. O céu está "limpo" nas principais regiões produtoras do país e o que os meteorologistas conseguem ver são apenas algumas chuvas esparsas no horizonte. Os mapas climáticos indicam que a seca no país se estende de Córdoba, passando pelo noroeste de Buenos Aires até o sul de Santa Fé. O cenário, portanto,  aumenta as preocupações de que os campos não estariam úmidos o suficiente para que as plantas possam se desenvolver bem em estágios-chave da floração. 

Caso a colheita seja confirmada em 28 milhões de toneladas, o volume irá superar de longe a última produção recorde do país, que foi na safra 2010/11 de 23,8 milhões de toneladas. Entretanto, diante dessas adversidades climáticas, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) já reduziu sua estimativa para a produção para 27,5 milhões de toneladas. A projeção do governo argentino, por outro lado, é de que a safra fique entre 28 milhões e 30 milhões de toneladas.

"É possível que a safra de milho da Argentina fique entre 26 milhões e 30 milhões de toneladas e bata, portanto, a estimativa de 28 milhões. Para isso, porém, é preciso que comece a chover nos próximos 9 dias", disse a representante da embaixada dos EUA na Argentina, Melinda Sallyards. 

Porém, caso o clima não mude e essas tão esperadas chuvas não cheguem, a preocupação pode crescer frente às possibilidades de perdas.  Se as precipitações não começarem a aparecer até o final deste mês, as lavouras de milho plantadas mais cedo serão severamente atingidas pela seca. 
A persistência da seca prejudicaria diretamente a produtividade das plantações argentinas.  Além disso, reforçaria as preocupações das Nações Unidas com os preços dos alimentos continuem altos em 2013 frente a uma oferta restrita com baixos estoques, já que os principais países consumidores contam com a safra de milho da Argentina, terceiro maior exportador mundial do grão, para compensar a quebra na safra 2012/13 dos Estados Unidos provocada por uma forte estiagem. 

O milho é utilizado, principalmente, na produção de alimentos e de ração animal. Sendo assim, uma expressiva alta nos preços dos grãos levaria ao aumento também de vários itens da alimentação, inclusive da carne. 

Entretanto, apesar das especulações sobre o impacto do clima na produção de milho da Argentina, alguns especialistas e produtores locais afirmam que, até o momento, as condições são favoráveis, passado a tensão como excesso de chuvas que provocou um atraso no plantio do grão e da soja.  De agosto a novembro,  o plantio foi prejudicado por chuvas excessivas e até mesmo cheias nos campos, que impediam a entrada e o bom desempenho do maquinário. Alguns locais tiveram até mesmo que ser amortizados. 

"O milho precoce está excelente e deverá apresentar recordes de produtividade. Mas, por outro lado, algumas áreas foram inundadas e não puderam ser plantadas, enquanto em alguns locais o plantio acabou sendo feito bem mais tarde que o habitual. Nós vamos começar a nos preocupar com a seca e a produção caso não tenhamos chuvas até 25 de janeiro e depois", disse Santigo del Solar, que administra milhares de hectares de soja e milho na Argentina, em Buenos Aires. 

Confirmando o momento ainda favorável, o diretor da indústria argentina Maizar, Martin Fraguio disse que "nesta temporada há uma boa umidade no solo e muitos dias de sol e temperaturas menores a noite. Isso é o ideal, e nosso rendimento por hectare esse ano pode ser recorde". A expectativa do executivo é de 8 toneladas por hectare, frente ao recorde já registrado de 7,8 toneladas.

Há cerca de três semanas, as chuvas pararam e o céu se abriu na maior parte do cinturão produtor argentino. "Até agora, isso tem sido bom, porque reduz o excesso de água e aumenta as expectativas de colheita ao permitir que mais áreas sejam plantadas", disse Eduardo Sierra, meteorologista da Bolsa de Grãos de Buenos Aires. 

Plantio - Segundo o Ministério da Agricultura da Argentina, o plantio da área de milho, estimada em 4,6 milhões de hectares, já havia sido concluído em 90%, até o último dia 10 de janeiro. Desse total, 4% das lavouras estavam em estado de emergência, 37% em desenvolvimento vegetativo e 53% em floração. 

O levantamento do ministério apontou ainda que 91% das plantações estavam em boas ou muito boas condições. 

Com informações da agência Reuters. 
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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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