Chuvas e enchentes devem reduzir produção de milho na China

Publicado em 28/08/2013 09:13 e atualizado em 28/08/2013 15:20
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Chineses deverão importar 7 milhões de toneladas do grão para suprir a crescente demanda interna

A produção de milho na China, o segundo maior consumidor do mundo, deverá ser menor que o projetado para este ano, devido aos danos que as chuvas intensas e enchentes estão causando nas safras, segundo informações da Bloomberg. A situação deverá aumentar a necessidade de mais importação, de acordo com um analista local  

A produção deve cair em media 2,7%, em relação à estimativa de 179 milhões de toneladas, feita em 14 de agosto, informou Feng Lichen, gerente geral da Yigu Information Consulting Ltd, empresa analista de grãos, baseada na cidade de Dalian, norte da China. Feng estimou que a colheita do ano passado seria de 181 milhões de toneladas, abaixo das informações oficiais de 205,6 milhões de toneladas.  

Uma safra menor pode levar a China a importar maiores quantidades do grão que é usado para produzir alimento e ração para animais, já que a demanda continua a ultrapassar a produção.         

As importações devem atingir um recorde de 7 milhões de toneladas durante 12 meses, a partir do dia 1º de outubro, de acordo com as estimativas do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA). China fez sua compra de milho pela primeira vez da Ucrânia este ano, aumentando a concorrência com os EUA, que é o maior fornecedor, com a Argentina.

“O excesso de chuva fez com que algumas safras fossem prejudicadas”, informou Feng. “O abastecimento interno poderá facilmente ficar apertado”. 

Chuva pesada e temperaturas mais baixas no nordeste chinês têm causado inundações e queda de granizo desde 14 de agosto, segundo o Centro Nacional de Informações de Óleos e Grãos da China. A região de maior produção no país registrou 50% mais chuva que o normal nos anos anteriores. 
 
Bolsa de Chicago e Dalian
O milho para entrega em dezembro na Bolsa de Chicago subiu 1% para 4,91 dólares o bushel às 13:08 do dia 27, no horário de Pequim. Os futuros na Bolsa de Commodities de Dalian foram pouco alteradas, em 2,338 Yuan a tonelada, ou 9,70 dólares o bushel. 

Os preços em Dalian já caíram 3,9% este ano, diante de uma perspectiva inicial de importações recordes e de uma safra local maior. As reservas nacionais mantêm 30 milhões de toneladas compradas de produtores este ano, o que pesou sobre os preços, de acordo com Feng. 

As temperaturas baixas causadas pela chuva poderão atrasar e até interromper o desenvolvimento da cultura, segundo o site chinês de serviço meteorológico Xn121.com. O USDA estima que a China irá consumir até 207 milhões de toneladas este ano. O país asiático já comprou mais de 4 milhões de toneladas de milho dos EUA, para entrega em setembro. 

“Ainda está muito frio e úmido no nordeste chinês, e isso aumenta os riscos para as safras”, informou Li Qiang, o presidente da Shanghai JC Intelligence Co. “As temperaturas frias e as geadas deverão ser acompanhadas de perto”. 

As temperaturas na província de Jilin, localizada no centro do nordeste da China, deverão ficar em 17ºC na próxima semana, abaixo da média de 19ºC em anos anteriores, de acordo com o Xn121.com.

Com informações da Bloomberg.com

Tradução: Fernanda Bellei
 

Confira as imagens da enchente:

Enchente na China

Chuvas intensas provocam enchentes no nordeste da China. Fonte: China Daily

 

Enchente na China 2

As chuvas têm atingido o nordeste chinês desde 14 de agosto. Fonte: China Daily

 

Enchente na China 3

Forças militares chinesas mandam reforços para resgatar vítimas da enchente. Fonte: China Daily.

 

Enchente na China 4

Governo chinês prevê mais chuvas para a região. Fonte: China Daily

 

Enchente na China 5

Forças militares chinesas enviam helicópteros para monitorar a região do Rio Heilong. Fonte: China Daily.

 

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Por: Notícias Agrícolas
Fonte: Bloomberg e China Daily

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