Milho: No mercado interno, preços recuam pelo segundo mês consecutivo frente à evolução da colheita da safrinha

Publicado em 01/07/2014 17:08 e atualizado em 03/07/2014 14:30 664 exibições

Pelo segundo mês consecutivo, os preços do milho praticados no mercado interno brasileiro recuaram. Em junho, algumas praças chegaram a registrar queda de até R$ 7,75 no valor da saca, como é o caso de Jataí (GO). No início do mês, a saca do cereal é cotada a R$ 25,50 na região, mas a cotação recuou para R$ 17,75/saca nesta segunda-feira, segundo levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas.

Segundo a analista de mercado da FCStone, Ana Luiza Lodi, a evolução da colheita da safrinha de milho no país é o fator de maior pressão sobre os preços nesse momento. De acordo com a última estimativa de produção de grãos da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o país deverá colher cerca de 45.663,3 milhões de toneladas de milho na segunda safra.

E, após as preocupações iniciais com o clima durante a implantação das lavouras brasileiras, o clima foi favorável ao desenvolvimento das plantas, com exceção de alguns problemas pontuais. Com isso, a média de produtividade por área colhida até o momento no Mato Grosso é de 93,8 sacas por hectare, conforme dados do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária) divulgados nesta semana. Já a média da área colhida é de 9,5% até o final de junho.

Com isso, a média de preços do cereal para o Estado terminou a última semana R$ 12,06 a saca, ainda segundo informações do instituto. Nesta terça-feira, o Cepea reportou que em muitas regiões do MT, as cotações estão abaixo dos valores mínimos determinados pelo Governo. Consequentemente, é cada vez maior a pressão por parte dos representantes do setor para que haja uma intervenção governamental para o escoamento do cereal no estado.

No Paraná, a colheita do milho já atinge 8% da área cultivada nesta, segundo dados do Deral. Mas, por enquanto, a comercialização do cereal ainda está lenta e gira em torno de 7%. Nesta safra, o estado deverá colher em torno de 9.966.142 milhões de toneladas de milho. 

Diante desse cenário, em Campo Novo do Parecis (MT), o valor da saca de 60 kg do grão fechou o dia 30/06 cotada a R$ 14,00, valor R$ 4,00 mais baixo do que o registrado no primeiro dia de junho, de R$ 18,00, ainda segundo o levantamento do Notícias Agrícolas. Em Luís Eduardo Magalhães (BA), o recuo durante o mês foi menor, de R$ 0,50 e a saca terminou junho negociada a R$ 21,50. 

Do mesmo modo, Em São Gabriel do Oeste (MS), os preços baixaram de R$ 20,50 para R$ 17,00 a saca, no mesmo período. No Porto de Paranaguá, a saca de milho que era negociada a R$ 27,00 no começo de junho encerrou o mês cotada a R$ 25,00.

Frente a esse recuo nos preços, os produtores que estão capitalizados tentam segurar o produto à espera de preços melhores, enquanto isso, os compradores estão bem posicionados e aguardam as melhores oportunidades para adquirir o produto, conforme explica a analista de mercado. Enquanto isso, as exportações, fundamentais para escoar o excedente da produção do Brasil permanecem lentas.

Até a quinta semana de junho, as exportações brasileiras de milho totalizaram 87,6 mil toneladas, com média diária de 4,4 mil toneladas. O número representa uma redução de 6,8% em relação à quantidade embarcada em maio e diminuição de 68,3% frente ao mesmo período do ano passado. As informações são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e reportadas pela Secretaria de Comércio Exterior. 

Ainda assim, Ana Luiza explica que os produtores que segurarem o produto poderão ter melhores oportunidades de negociação após a pressão da colheita da safrinha. “Existe essa tendência, porém os preços não deverão apresentar uma alta muito expressiva”, pondera a analista.

Veja abaixo levantamento do Notícias Agrícolas:

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Por:
Fernanda Custódio // André Lopes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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