Milho: após USDA, mercado fecha o dia com menor patamar em 4 anos na CBOT

Publicado em 11/07/2014 16:35 e atualizado em 14/07/2014 13:08 738 exibições

Os números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) foram divulgados nesta sexta-feira (11) e levaram os preços do milho para baixo dos US$ 4,00 por bushel na Bolsa de Chicago em seus principais vencimentos. Segundo informações da agência internacional Bloomberg, as cotações recuaram para seus níveis mais baixos em quatro anos. O vencimento setembro/14, referência para a safra norte-americana, encerrou o dia perdendo 8 pontos, cotado a US$ 3,78 por bushel, o contrato dezembro fechou os negócios valendo US$ 3,84, com a mesma queda. 

Os estoques finais norte-americanos de milho dos Estados Unidos na safra 2014/15 foram estimados pelo USDA em 45,75 milhões de toneladas. As expectativas, no entanto, eram de algo na casa dos 44,02 milhões de toneladas e, no boletim de junho esse número foi de 43,85 milhões. Por outro lado, a projeção para a safra do país caiu de 53,97 milhões para 352,06 milhões de toneladas. A produtividade, no entanto, foi mantida em 174,95 sacas por hectare, enquanto as expectativas do mercado eram de 176,55 sacas.

O relatório trouxe ainda números menores para as áreas plantada e colhida de milho no país, que caíram de 37,1 milhões para 37,07 milhões de hectares, e de 34,1 milhões para 33,91 milhões de hectares, respectivamente. 

O USDA acredita ainda que serão utilizadas 128,3 milhões de toneladas para a fabircação de etanol e que as exportações do país totalizem 43,2 milhões de toneladas, números que vieram em linha com o reportado em junho. 

Os números para o milho dos Estados Unidos referentes à safra 2013/14 vieram com pouca alteração. Somente os estoques finais foram revisados para cima, passando de 29,12 milhões para 31,25 milhões de toneladas. O uso do cereal para o etanol também passou por um ligeiro aumentou e ficou em 128,91 milhões de toneladas, contras as 128,3 milhões do relatório anterior. 

Todos esses números que se referem à nova safra norte-americana refletem as boas condições de clima que vêm sendo registradas nos Estados Unidos. São temperaturas amenas e chuvas de bons volumes e bem distribuídas, o que tem feito com que a classificação das lavouras recém implantadas seja a melhor dos últimos anos para esse período. 

E as previsões são de que esse bom quadro climático continue. O instituto meteorológico MDA Weather Services informou que, na próxima semana, as plantas não deverão sofrer com um stress climático por conta de seca ou calor, já que o clima mais ameno deve prevenir situações como essas.

"Nós esperamos um cenário menos positivo para os preços porque as condições das lavouras continuam muito boas e as expectativas são de grandes safras. Há pouco combustível no mercado que aumente o interesse (de fundos, principalmente), por compras", disse Sterling Smith, especialista em futuros do Citigroup, em Chicago, à Bloomberg. A instituição financeira aposta em um preço médio do milho na casa dos US$ 3,70 por bushel na CBOT no quarto trimestre do ano. 

Mercado Interno

Os reflexos dessas últimas baixas em Chicago já podem ser sentidos no mercado interno, onde os preços seguem presssionados não só por esse movimento negativo, como também pelo avanço da colheita da safrinha aqui no Brasil. 

Segundo explicou Marcos Araújo, analista de mercado da Agrinvest, com esse valor no patamar de US$ 3,70 para o vencimento setembro em Chicago, que é referência para o cereal brasileiro, mais os prêmios de exportação, o valor chegaria a US$ 194,00/tonelada nos portos, o que equivaleria a R$ 24,70 por saca sobre-rodas. 

No entanto, no interior do estado, o preço pago ao produtor é ainda menor, uma vez que é descontado o valor do frete. Com esse quadro, para a cidade de Sorriso, no Mato Grosso, com um frete cidade-porto na casa de R$ 280,00/tonelada, o preço final seria de apenas R$ 7,90/saca. 

Diante desse novo patamar de preços dos grãos, não só no mercado internacional, mas, principalmente no mercado interno, a atenção total do produtor deve estar nos custos de produção e no aumento que esses já vêm registrando. 

"Isso mostra, cada vez mais, a importância do produtor tomar decisões, investir tempo no gerenciamento do risco de preços", explica Araújo. 

Veja os números do USDA para o milho:

Tabela Milho - USDA Julho

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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