Com bônus de US$ 2,5 por saca, Paranaguá rouba milho de Santos

Publicado em 12/08/2014 19:23 482 exibições
Porto paranaense ganha eficiência e inverte fluxo do cereal. Terminal paulista informa que números oficiais não correspondem à prática

O Porto de Paranaguá (PR) passou Santos (SP) e se tornou a principal porta de saída para o milho no Brasil neste início de temporada de embarque da produção de inverno. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgados no fim da semana passada e compilados pelo Agronegócio Gazeta do Povo (AgroGP) revelam que, de janeiro a julho de 2014, 1,4 milhão de toneladas do cereal foram exportadas pelo terminal paranaense. O volume é superior ao movimentado pelo porto paulista, que embarcou 1,3 milhão de toneladas no mesmo período e que, nesta época do ano passado, tinha a liderança nas vendas externas.

O fluxo do milho é favorecido pela finalização do escoamento da soja em Paranaguá. Com menos cargas da oleaginosa, o porto concentra agora as operações sobre o cereal. A alteração do ranking ocorreu em julho, quando o corredor de exportação do Paraná registrou aumento de 191% em relação ao volume movimentado no mesmo mês do ano anterior – 445,8 mil toneladas do produto deixaram o país pelo estado, contra 153 mil toneladas embarcadas em julho de 2013.

A redução no tempo de es­­pera para carregamentos tam­­bém ajuda. Eleva os prêmios oferecidos pelos exportadores, que estão “superpositivos”. Nesta época de 2013 havia desconto para embarque por Paranaguá. Hoje, os compradores adicionam cerca de US$ 2,50 por saca à cotação do grão que sai do país pelo Paraná.

“A situação em Paranaguá está mais tranquila que em Santos. O prêmio é uma soma de condições que mede a eficiência do porto, tem a ver a com capacidade e velocidade de embarque e também com o próprio interesse do exportador de embarcar por ali”, explica Aedson Pereira, analista de mercado da Informa Economics FNP.

Paranaguá alega que conseguiu resolver os problemas das filas de caminhões e de navios neste ano após implantar novas regras aos transportadores marítimos e aos agentes exportadores para organizar o fluxo no terminal. Nesta época de 2013, as embarcações que chegavam à Baía de Paranaguá demoravam mais de 30 dias para atracar e carregar no porto, lembra Luiz Henrique Dividino, superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa). Atualmente, segundo ele, o tempo de espera é de cerca de dez dias.

Fontes de Santos (SP) também acreditam na teoria de ganho de eficiência de Paranaguá neste ano, mas ressaltam que assim que o terminal der fim ao escoamento da soja, o porto paulista voltará a ser o primeiro no ranking. Os técnicos negam que o Santos tenha ficado praticamente sem milho. Afirmam que há divergência entre os números locais e os do governo e inclusive que São Paulo continua embarcando volume maior que o Paraná.

 

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Gazeta do Povo

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