Milho: Ainda com foco no clima nos EUA, mercado recua e opera em campo negativo na CBOT

Publicado em 15/10/2014 11:35 193 exibições

Após as fortes altas registradas no pregão anterior, os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) voltaram a operar do lado negativo da tabela na manhã desta quarta-feira (15). Por volta das 11h11 (horário de Brasília), as principais posições da commodity registravam perdas entre 2,25 e 2,50 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,54 por bushel. 

De acordo com informações da agência internacional de notícias Bloomberg, a previsão de tempo seco no Meio -Oeste dos Estados Unidos para o resto da semana, pressiona o mercado. A expectativa é que, com a confirmação das previsões, os produtores norte-americanos consigam acelerar a colheita do cereal.

Até o último dia 12 de outubro, cerca de 24% da área cultivada nesta safra já havia sido colhida, conforme dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Ainda assim, a média dos últimos cinco anos é de 43%. O relatório de acompanhamento de safras foi reportado nesta terça-feira pelo órgão norte-americano.

"Na previsão estendida não há tantas indicações de chuvas, o que deve acelerar a colheita", disse o economista Dennis Gartman, em entrevista à Bloomberg. "A maquinaria moderna nas fazendas são incríveis. E com alguns dias de tempo bom teremos no próximo relatório do USDA um avanço nos trabalhos nos campos, tanto para a soja, como para o milho", completa.

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira:

Milho: No Brasil, preços sobem nos portos devido à alta em Chicago e valorização do dólar

Frente à forte alta registrada nos preços do milho no mercado internacional aliada à valorização do dólar, as cotações praticadas em algumas praças brasileiras apresentaram ganhos nesta terça-feira (14). Em São Gabriel do Oeste (MS), a alta foi de 0,63%, com a saca do milho cotada a R$ 16,10, já em Jataí (GO), a saca terminou o dia negociada a R$ 17,43, com ganho de 1,51%.

No Porto de Paranaguá, os preços subiram 1,27% e a saca voltou ao patamar de R$ 24,00. Na visão do consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, os preços estão conseguindo mostrar uma evolução nas duas últimas semanas. No Porto de Santos, o valor da saca chegou a R$ 24,50 ainda hoje. A moeda norte-americana terminou o dia negociada  R$ 2,39, com alta do 0,21%.

"E nesses patamares, o mercado interno puxa gradativamente. Com isso, os compradores internos, que estavam em uma posição confortável e agora precisam comprar o produto para abastecer o setor de rações. Inclusive, em algumas praças como RS, SC e SP, os compradores tiveram que pagar até R$ 25,00, caso contrário não tem oferta. Os produtores não estão vendendo tão facilmente, quanto os demandadores pensavam", explica o consultor.

Paralelo a esse cenário, as exportações brasileiras ainda caminham de maneira mais lenta. Conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) reportados nesta segunda-feira, os embarques do cereal totalizaram 1,33 milhão de toneladas até a segunda semana de outubro. A  média diária foi de 166,4 mil toneladas, contra as 171,9 mil toneladas na média de todo o mês de outubro no ano anterior. 

No acumulado do ano, de janeiro a setembro, o país exportou em torno de 11,1 milhões de toneladas de milho, uma queda de quase 30% em relação ao mesmo período de 2013. No mesmo período do ano passado, as exportações somaram 15,7 milhões de toneladas. Para essa temporada, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) revisou para baixo a projeção para os embarques de 21 milhões, para 19,5 milhões de toneladas. 

Em contrapartida, os produtores ainda seguram o produto à espera de melhores oportunidades de comercialização, enquanto os compradores compram o produto de maneira mais lenta. "A estratégia de reter as vendas agora é importante. E com a queda de 4 a 5 milhões de toneladas de milho na safra de verão, podemos comprometer o abastecimento no primeiro trimestre de 2015. E será um ano de excelente demanda do segmento de carnes. Considero 2014 o ano da carne brasileira e o ano que vem também será, precisaremos de mais milho", destaca Brandalizze.

Já em relação ao atraso no plantio da soja devido à falta de chuvas, especialmente no Centro-Oeste, o que consequentemente deverá atrasar a janela ideal de plantio do milho safrinha, ainda não é levada em consideração pelo mercado, segundo o consultor. "O plantio ainda está longe, somente em meados de fevereiro de 2015. Mas ainda assim, no PR, o agricultor olha mais para o trigo, do que para o milho", completa. 

Bolsa de Chicago 

A terça-feira (14) foi de alta expressiva aos futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT). Pelo segundo dia consecutivo, as principais posições do cereal terminaram o dia com ganhos entre 11,00 e 11,50 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,57 por bushel. Em relação ao fechamento anterior, os contratos registraram valorizações entre 2,93% e 3,21%.

De acordo com informações reportadas pelo site Farm Futures, o mercado foi sustentado pelo atraso na colheita do milho nos Estados Unidos, em função das previsões de chuvas para o Meio-Oeste. A situação já começa a preocupar, pois pode comprometer o abastecimento do mercado interno norte-americano no curto prazo.

Para o analista de mercado da Novo Rumo Corretora, Mário Mariano, as previsões indicam tempo chuvoso e temperaturas acima do normal, para os próximos 11 a 12 dias no Corn Belt. "E isso é ruim para o desenvolvimento da colheita. A expectativa do mercado é que haja uma evolução entre 8% a 10% nos números que deverão ser reportados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Com isso, teremos um volume colhido ao redor de 25% a 28%", destaca o analista.

O USDA deverá divulgar seu novo boletim de acompanhamento de safras nesta terça-feira. O relatório que, normalmente é reportado toda segunda-feira ao final do dia, será divulgado hoje devido ao feriado do Dia do Colombo, comemorado ontem no país.

Outro fator que também contribuiu para impulsionar os preços foram os números dos embarques semanais de milho. Até o dia 9 de outubro, os embarques totalizaram 933,788 mil toneladas do grão, volume acima das expectativas do mercado, entre 740 mil a 890 mil toneladas. Na semana anterior, o volume divulgado foi de 837.632 mil toneladas.

O analista também destaca que, a perspectiva é que as cotações trabalhem em patamares mais altos para a safra 2015/16. "Poderemos ter preços acima de US$ 4,00 por bushel, motivado por uma redução na área cultivada com o milho nos EUA, em detrimento da soja. Em termos de bonificação ao bolso do agricultor, a oleaginosa poderá gerar um rendimento melhor", explica Mariano.

Produção de milho na Ucrânia

De acordo com informações da consultoria UkrAgroConsult, as exportações de milho da Ucrânia poderão recuar até 7% nesta temporada. O número poderá ficar ao redor de 18,5 milhões de toneladas, em função de uma colheita menor e uma oferta global maior.

Frente ao tempo mais quente e seco no final do verão e as perdas registradas em algumas localidades devido aos conflitos no leste do país, a safra de milho do país deverá ser menor, em torno de 25,9 milhões de toneladas. No início do ano, os dados sobre o conflito entre a Ucrânia e Rússia, impulsionaram os preços do cereal no mercado internacional.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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