Milho: Na CBOT, mercado dá continuidade aos ganhos e opera em alta pelo 2º dia consecutivo

Publicado em 24/10/2014 08:16 e atualizado em 26/10/2014 19:56 215 exibições

Os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) iniciaram a sessão desta sexta-feira (24) em campo positivo. O mercado dá continuidade ao movimento de alta do pregão anterior e, por volta das 8h59 (horário de Brasília), os principais contratos exibiam ganhos de 4,75 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,64 por bushel.

O mercado ainda observa as previsões climáticas para os Estados Unidos. Por enquanto, a perspectiva é que o clima fique desfavorável nos próximos 7 a 8 dias, o que pode, mais uma vez, paralisar a colheita do cereal norte-americano. No início dessa semana, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou que cerca de 31% da área foi colhida. A média dos últimos cinco anos é de 53%.

Além disso, os números dos embarques e das vendas semanais também contribuem para a firmeza do mercado. Ainda ontem, o órgão informou as vendas em 1.031,22 milhão de toneladas até o dia 16 de outubro. Até o momento, cerca de 41% do volume projetado para a exportação nesse ano safra já foi comprometido.

Veja como fechou o mercado nesta quinta-feira:

Milho: Diante da incerteza em relação à safrinha no Brasil, contratos sobem na BM&F e março/15 chega a R$ 29,65

A quinta-feira (23) foi mais um dia de alta para os contratos futuros do milho na BM&F. Os principais contratos encerraram a sessão com ganhos entre 1,28% e 2,46%. O vencimento março/15 que terminou o dia anterior negociado a R$ 29,00, subiu para R$ 29,65 a saca.

De acordo com o consultor em agronegócio, Ênio Fernandes, o mercado já precifica o atraso no plantio da soja que, consequentemente, irá refletir na janela ideal de plantio do milho safrinha. "Mesmo que o agricultor plante a variedade mais precoce que temos no mercado, a colheita da oleaginosa deverá começar próximo de 20 de fevereiro e, em muitas regiões, o período ideal para o cultivo do milho termina em 28 de fevereiro, após esse prazo temos um risco muito grande", ressalta. 

Na região de Tapurah (MT), apenas 10% da área de soja foi cultivada até o momento. Já no mesmo período do ano passado, o plantio estava completo em 70% da área estimada. O presidente do Sindicato rural do município, Silvésio de Oliveira, destaca que a semeadura da oleaginosa deve ser feita até o dia 5 a 10 de novembro, mas talvez os agricultores não consigam finalizar os trabalhos nos campos até essa data. 

"Com isso, há 40 dias tínhamos um valor para o contrato janeiro/15 na BM&F em R$ 24,00 e hoje o patamar é de R$ 29,00. Uma valorização expressiva em um curto espaço. Essa situação mostra claramente que, existe uma preocupação e também é uma tentativa de proteção contra alta. Acredito que teremos uma das menores safras de verão com o milho. Vamos ter um mercado nervoso daqui para frente", explica o analista.

Fernandes também sinaliza que a perspectiva é que os preços do milho para o início do próximo ano serão altistas em algumas praças. "Principalmente, nas regiões onde há a demanda por proteína animal. No mercado do boi, temos a o preço mais alto da história e os mercados de suínos e aves também registraram valorizações nas cotações", acredita.

O analista ainda orienta que os produtores brasileiros fiquem atentos aos preços do petróleo. "O petróleo é mãe de todas as commodities e importante sinalizador da economia mundial. Também impacta nas cotações dos fertilizantes, agroquímicos e frete internacional. O valor da commodity pesa muito na composição dos preços das outras commodities", alerta.

Mercado interno

No mercado interno brasileiro, a saca do milho no Porto de Paranaguá registrou nova valorização. O preço subiu 1,15% e chegou a R$ 26,30, em Jataí (GO), o valor passou para R$ 18,87, com alta de 2,00%, conforme levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas. Nas demais praças, os valores permaneceram estáveis.

Mais uma vez, os preços subiram refletindo os ganhos no mercado internacional e do dólar. A moeda norte-americana terminou o dia cotada a R$ 2,51, com valorização de 1,35%. Segundo dados da Reuters, esse é o maior nível de fechamento desde 29 de abril de 2005. 

A estratégia de retenção das vendas por parte do produtor rural também contribui para a formação do cenário. "O mercado está firme, além da ajuda do dólar, temos a queda no valor do frete de quase 25% em relação ao mesmo período do ano passado. E temos uma demanda aquecida pelo milho, já que no Porto temos um prêmio de US$ 1,00 acima do valor praticado em Chicago", relata Fernandes.

Frente a esse cenário, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) cancelou a operação de leilão de Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor) que seria feito nesta quinta-feira. A entidade iria ofertar cerca de 910 mil toneladas do grão da safra 2013/14 e 2014.

Em contrapartida, o Ministério da Agricultura informou que nas praças em que o valor estiver abaixo do preço mínimo, o produtor poderá procurar a Conab e faz o AGF (Aquisição do Governo Federal).

Bolsa de Chicago

As principais posições do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) terminaram o pregão desta quinta-feira (23) em campo positivo. Durante os negócios, os vencimentos da commodity ampliaram os ganhos e fecharam o dia com altas entre 6,00 e 6,75 pontos. O contrato dezembro/14 era cotado a US$ 3,59 por bushel. Em relação ao fechamento anterior, os preços acumularam valorização entre 1,60 e 1,91%.

Os sites internacionais informaram que, o mercado foi sustentado pelos números das vendas para exportação. Hoje, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou que, até o dia 16 de outubro, as vendas do cereal ficaram em 1.031,22 milhão de toneladas. O número ficou abaixo do registrado na última semana, de 1.922,8 milhão de toneladas.

Por outro lado, o volume ficou bem acima das projeções dos participantes do mercado que apostavam em número ao redor de 900 mil toneladas do grão. No acumulado do ano safra, as vendas do milho totalizam 18.252,4 milhões de toneladas. Para essa temporada, a estimativa do USDA é de 44,45 milhões de toneladas, ou seja, cerca de 41% do total já foi comprometido.

Ainda assim, a colheita do cereal norte-americana ainda permanece de forma mais lenta. O analista de mercado da Novo Rumo Corretora, Mário Mariano, destaca que, o clima ainda está inadequado e há previsões de chuvas nos próximos 7 a 8 dias. Com isso, o site internacional Farm Futures, informou que o ritmo dos trabalhos nos campos poderá desacelerar novamente, em função das precipitações.

"No mercado futuro, os preços estão subindo, mas no mercado físico, os prêmios caíram. Nesse momento, os investidores entendem que, provavelmente, a tendência de redução na área de milho para a próxima safra 2015/16 diminuiria os estoques e, portanto, comprando milho na CBOT e vendendo posições de soja", explica Mariano.

Na visão do consultor em agronegócio, Ênio Fernandes, os preços do milho têm trabalhado em um intervalo entre US$ 3,00 a US$ 4,00, orbitando próximo de US$ 3,50 por bushel. É importante ressaltar que nesses patamares as origens norte-americanas não estão negociando o milho, diz.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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