Milho: Exportação e demanda interna elevam em mais de 10% preço nos portos

Publicado em 07/03/2019 11:19 e atualizado em 07/03/2019 16:41
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Produtores, porém, estão evitando novas vendas à espera de melhores momentos de comercialização

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Os preços do milho nos portos do Brasil mantidos no patamar dos R$ 40,00 por saca continua indicando a firmeza deste mercado. E segundo o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalize Consulting, a tendência é de que os valores do cereal continuem sustentados, podendo dar ainda melhores oportunidades de comercialização para o produtor brasileiro. 

No mercado futuro nacional, as cotações também seguem reagindo com consistência, refletindo os baixos estoques nacionais e a demanda aquecida tanto nas exportações, quanto internamente. 

Desde o último dia 6 de fevereiro, o contrato março subiu 3,79%, passando de R$ 40,90 para R$ 42,45 por saca, enquanto o setembro tem 1,50% de ganho, com a última referência em R$ 35,80. Para a primeira posição, a alta desde o começo de 2019 é de 6,39% e para a segunda, de 3,50%. 

A melhora no setor de proteínas animais, com boas exportações nas carnes bovina, suína e de frango, e um repasse das altas conseguido pelo varejo têm dado espaço para uma melhora também no setor de rações, que também demanda mais milho agora. 

"As indústrias estão buscando milho. E agora em março, depois de passado o carnaval, a volta da demanda interna pode dar mais um fôlego para o mercado doméstico", diz Brandalizze. 

A boa demanda pelo grão do Brasil - que já se mostra como segundo maior exportador mundial - nos portos ajuda a manter o quadro firme e de boas expectativas para mais adiante. Nos últimos 30 dias, o valor do cereal no porto de Paranaguá subiu 11,11%, passando de R$ 36,00 para R$ 40,00 por saca. No acumulado do ano, o ganho é de 12,01%.

Ainda segundo o consultor, o milho brasileiro tem se mostrado bastante competitivo neste momento, com destaque nas vendas para o Irã e demais países árabes. Somente no mês de fevereiro, o Brasil exportou, de acordo com números da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), 1.650,7 milhão de toneladas, contra pouco mais de 1,2 milhão de fevereiro de 2018. 

Com essas vendas externas aquecidas - tendo ganhado ritmo desde outubro - os estoques brasileiros são cada vez mais escassos e ajudam a manter os preços sustentados. De outubro até o mês passado, o acumulado pode ser contabilizado em até 17,5 milhões de toneladas. 

Novas vendas, principalmente na exportação, tem se mostrado raras, ainda de acordo com Vlamir Brandalizze. O consultor explica que os produtores têm, de fato, segurado mais o volume que ainda têm para comercializar, aguardando preços um pouco mais elevados. 

"Produtores continuam segurando o máximo que podem à espera de novas altas, e assim não tem rodado nada de novo na exportação", diz. E a situação é semelhante em quase todos os principais estados produtores. 

Um levantamento feito pela Brandalizze Consulting mostra que, em Goiás, por exemplo, há indicativos variando entre R$ 26,00 e R$ 32,00, e os negócios são bastante escassos. Já em Mato Grosso, onde a produção é maior, as referências trabalham no intervalo de R$ 21,00 a R$ 27,00 no disponível, com os produtores apontando alguns momentos de picos de preços para participarem com algumas vendas pontuais. 

A colheita da safra de verão caminha bem e se aproxima de 60% da área, enquanto o plantio da safrinha está praticamente concluído, com as condições de clima se mostrando bastante adequadas para os trabalhos de campo até este momento. Nesta segunda safra, os produtores brasileiros deverão semear cerca de 12,5 milhõe de hectares, cerca de 500 mil a mais do que a safrinha do ano passsado. 

Apesar de uma grande safra a caminho, em função principalmente deste aumento de área, Brandalizze não acredita que a chegada dessa nova oferta possa pressionar de forma muito severa as cotações no mercado nacional no momento em que começar a chegar ao mercado. 

"O Centro-Oeste já tem cerca de 40% dessa safrinha vendida e o produtor está reticente em vender", diz o consultor. "E devemos continuar exportando bem no segundo semestre", completa. Além disso, explica que com o passar dos anos os produtores têm investido mais em armazenagem - principalmente silo-bags - para também otimizar sua estratégia de comercialização.  

Brasil x Bolsa de Chicago

O que ainda limita preços melhores para o milho brasileiro é a pressão sobre os futuros do cereal negociados na Bolsa de Chicago. No entanto, para Brandalizze, o espaço para baixas mais intensas não é tão grande apesar desse recuo no quadro internacional. 

Cálculos do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) mostram que a paridade de exportação do milho de Mato Grosso, em fevereiro, recuou 9,87% em relação ao último dia de fevereiro. Assim, o contrato julho/19 fechou com R$ 19,33 por saca. 

"Um dos motivos que pautaram a queda foi a desvalorização do cereal na bolsa de Chicago (jul/19) em 3,37%, influenciada pelas indefinições quanto à guerra comercial entre
a China e os Estados Unidos. Os prêmios de milho nos portos também apresentaram recuo de 7,14%, no entanto, a recuperação do dólar em 2,37% pelo menor apetite dos investidores no exterior ante à guerra comercial,
impediu um recuo ainda maior do preço", explicam os analista do Imea em seu reporte semanal.

Dessa forma - e apesar de a paridade estar R$ 1,52 por saca acima do mesmo período do ano passado - os instituto orienta ainda os produtores a estarem atentos aos desdobramentos do grão no mercado internacional, bem como suas influências sobre as cotações no mercado interno.   

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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