Milho sobe 1,63% na Bolsa de Chicago com rali do petróleo e compras de etanol

Publicado em 16/09/2019 17:18 e atualizado em 16/09/2019 21:13
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Elevação do petróleo e notícias de demanda estimularam movimento de alta

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A segunda-feira (16) chega ao final com os preços internacionais do milho futuro valorizados na Bolsa de Chicago (CBOT). As principais cotações registraram altas entre 4,00 e 5,25 pontos.

O vencimento dezembro/19 foi cotado à US$ 3,74 com alta de 5,25 pontos, o março/20 valeu US$ 3,86 com valorização de 4,45 pontos, o maio/20 foi negociado por US$ 3,94 com ganho de 4 pontos e o julho/20 teve valor de US$ 4,01 com elevação de 4,25 pontos.

Esses índices representaram valorização, com relação ao fechamento da última sexta-feira, de 1,63% para o dezembro/19, 1,31% no março/20 e de 1,03% para o maio/20.

Segundo informações da Agência Reuters, os futuros de milho nos Estados Unidos subiram nesta segunda-feira com o apoio do aumento dos preços do petróleo mais do que compensando a pressão do clima favorável para as culturas em desenvolvimento tardio.

“Os preços dos grãos foram amplamente apoiados pelo rali de segunda-feira de cerca de 12% após os ataques de fim de semana às instalações de petróleo da Arábia Saudita”, aponta Karl Plume da Reuters Chicago.

“Estamos encontrando apoio na incerteza com a Arábia Saudita e nos problemas de energia. Se os preços da energia subirem, o óleo de soja, a soja e o milho devem encontrar algum apoio por meio do biodiesel e do etanol”, disse Mike Zuzolo, presidente da Global Commodity Analytics.

De acordo com o Blogg Price Group, outros fator que influenciou nas altas para o milho neste início de semana foram as notícias de demanda, que começaram a melhorar.

“O México comprou pelo menos 1,0 milhão de toneladas de milho dos EUA na semana passada, como visto nos anúncios diários do USDA. Além disso, o governo trabalhou duro para apaziguar os interesses de etanol e biocombustíveis na semana passada. O governo também está se esforçando para que o Congresso ratifique o novo acordo de livre comércio com o México e o Canadá”, aponta o analista de mercado Jack Scoville.

Ainda nesta segunda-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou seu novo reporte semanal de embarques de grãos dando conta que os EUA embarcaram 421,803 mil toneladas, contra projeções do mercado de 400 mil a 700 mil toneladas.

Mercado Interno

No mercado físico brasileiro, a segunda-feira registrou cotações permanecendo sem movimentações, em sua maioria. Em levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas, a única desvalorização registrada aconteceu em Castro/PR (1,39% e preço de R$ 35,50).

Já as valorizações foram percebidas nas praças de Campinas/SP (1,31% e preço de R$ 37,92), Panambi/RS (1,71% e preço de R$ 32,04), Jataí/GO (1,79% e preço de R$ 28,50), Rio Verde/GO (1,79% e preço de R$ 28,50) e Brasília/DF (13,21% e preço de R$ 30,00).

Confira como ficaram as cotações nesta segunda-feira:

>> MILHO

Preços do petróleo saltam quase 15% em sessão com volume recorde após ataques à Arábia Saudita

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  • NOVA YORK (Reuters) - Os preços do petróleo dispararam quase 15% nesta segunda-feira, com o Brent registrando seu maior ganho percentual diário em mais de 30 anos e volumes recordes de negócios, depois de um ataque a instalações petrolíferas da Arábia Saudita reduzir a produção do reino pela metade e intensificar temores de retaliação no Oriente Médio.

Os contratos futuros do petróleo Brent, valor de referência internacional, fecharam a 69,02 dólares por barril, avançando 8,80 dólares, ou 14,61%, em seu maior ganho percentual em um único dia desde pelo menos 1988.

Já os futuros do petróleo dos Estados Unidos encerraram a sessão a 62,90 dólares o barril, alta de 8,05 dólares, ou 14,68% -- maior avanço percentual diário desde dezembro de 2008.

Os negócios também avançaram fortemente, com os futuros do Brent superando os 2 milhões de lotes, maior volume diário da história, disse a porta-voz da Intercontinental Exchange (ICE), Rebecca Mitchell.

"O ataque à infraestrutura de petróleo saudita veio como um choque e uma surpresa para um mercado que não vinha operando com volatilidade e focava mais no aspecto da demanda do que em oferta", afirmou Tony Hendrick, analista de mercados de energia da corretora CHS Hedging.

A Arábia Saudita é o maior exportador global de petróleo, além de ter uma grande capacidade ociosa, o que tem feito do reino um fornecedor de última instância por décadas.

O ataque a instalações da petroleira estatal Saudi Aramco para processamento de petróleo em Abqaiq e Khurais reduziu a produção em 5,7 milhões de barris por dia. A companhia não deu uma previsão imediata sobre a retomada da produção total.

Duas fontes com conhecimento das operações da Aramco disseram que um retorno à produção normal "pode levar meses".

Trump diz que EUA não precisam de petróleo do Oriente Médio, mas importações seguem

WASHINGTON (Reuters) - O presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu, em meio a diversos tuítes disparados nesta segunda-feira, que os Estados Unidos se tornaram um produtor de petróleo tão grande que não precisa mais do Oriente Médio, após os ataques perpetrados no fim de semana a instalações de petróleo na Arábia Saudita.

Os dados do governo dos EUA, no entanto, contam uma história diferente: o boom de perfuração nos EUA, impulsionado pela tecnologia e iniciado há mais de uma década, transformou os Estados Unidos em um grande produtor, mas as importações de petróleo e derivados da região do Golfo no ano passado ainda foram abundantes.

"De maneira geral, ainda estamos importando um pouco e não estamos totalmente imunes ao mercado mundial", disse Jean-François Seznec, membro do Centro Global de Energia do Conselho Atlântico, durante conversa por telefone com repórteres nesta segunda-feira.

O Irã negou as acusações dos EUA sobre a responsabilidade pelos ataques do fim de semana, que danificaram a maior instalação de processamento de petróleo do mundo na Arábia Saudita e provocaram o maior salto nos preços do petróleo em décadas.

A Arábia Saudita é o maior exportador de petróleo do mundo, embarcando cerca de 7 milhões de barris de petróleo por dia para todo o mundo. Os Estados Unidos produzem cerca de 12 milhões de barris por dia, mas consomem 20 milhões de barris por dia, o que significa que devem importar o restante.

Grande parte do déficit dos EUA é coberto pelo Canadá, mas alguns ainda vêm da Arábia Saudita, Iraque e outras nações do Golfo, porque várias refinarias norte-americanas preferem seu petróleo. Como exemplo, a maior refinaria dos EUA - Motiva Enterprises em Port Arthur, Texas - é de propriedade da empresa estatal de energia da Arábia Saudita, a Saudi Aramco.

Outras refinarias - especialmente na Califórnia - estão isoladas dos grandes campos de petróleo dos EUA e também devem depender de carregamentos.

A incompatibilidade entre o que as refinarias dos EUA querem e o que o país produz significa que, em 2018, os Estados Unidos importaram uma média de 48 milhões de barris por mês de petróleo e derivados da região do Golfo, segundo a Administração de Informação sobre Energia dos EUA.

Esse volume caiu cerca de um terço em relação a uma década atrás, à medida que a produção doméstica de petróleo e gás disparou, segundo os dados.

Phillip Cornell, outro membro do Conselho Atlântico, que costumava aconselhar a Saudi Aramco, chamou o tuíte de Trump de "absurdo".

"Ele é um cara que gosta de hipérbole", disse.

Sarah Emerson, presidente da ESAI Energy, disse que a interrupção da produção na Arábia Saudita, se for prolongada, pode propiciar uma oportunidade para os produtores de petróleo dos EUA expandirem seus mercados no exterior.

Petrobras decide segurar repasses aos combustíveis apesar da alta do petróleo (Folha)

A Petrobras decidiu esperar antes de decidir por reajustes nos preços da gasolina e do diesel. A avaliação na empresa é que o mercado ainda está muito volátil e que é preciso entender para onde vão as cotações internacionais, que subiram 13% nesta segunda (16).

Foi a maior alta diária desde o fim de 2008, em resposta a corte recorde na produção mundial após ataques a instalações petrolíferas na Arábia Saudita, que tirou do mercado uma capacidade equivalente a 5,7 milhões de barris por dia, ou 5% da oferta global.

A estatal não se manifestou oficialmente sobre o tema, mas a Folha apurou que a direção da empresa decidiu não acompanhar o movimento diário das cotações internacionais no primeiro dia útil após os ataques, já que os preços podem ceder nos próximos dias.

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Por: Guilherme Dorigatti
Fonte: Notícias Agrícolas

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