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Produtor precisa eliminar o milho tiguera para evitar cigarrinha

Publicado em 12/08/2021 11:48 e atualizado em 12/08/2021 17:57 210 exibições
Planta voluntária pode servir de refúgio ao inseto, oferecendo riscos à próxima safra. Monitoramento da área colhida é fundamental para erradicação

O Sistema FAEP/SENAR-PR reforça uma prática importante a agricultores do Paraná: eliminar o milho voluntário, conhecido como tiguera ou guaxo. A erradicação dessas plantas é uma prática de manejo determinante para manter longe da lavoura a cigarrinha do milho (Dalbulus maidis), inseto que causa doenças conhecidas como enfezamentos e que vêm provocando prejuízos no Estado há três safras. O problema é tão preocupante que a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) criou um grupo de trabalho com instituições e empresas para erradicar a cigarrinha.

Até o final de julho, 7% da área plantada com milho safrinha foram colhidas em todo o Paraná. A técnica Ana Paula Kowalski, do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP/SENAR-PR, explica que o agricultor deve ficar de olho em grãos e/ou espigas inteiras que ficam para trás no processo de colheita, pois eles podem brotar, dando origem ao milho tiguera ou guaxo. Há o risco de essas plantas servirem de refúgio para a cigarrinha até o próximo ciclo. Quando a nova safra for plantada, o inseto pode se alastrar pela lavoura, ocasionando prejuízos. Nos anos anteriores, algumas propriedades do Paraná tiveram perdas de até 70% por danos causados pela cigarrinha.

“Esse milho tiguera fica na lavoura, às vezes, até em meio a plantas de soja. A cigarrinha pode ir migrando de um milho para o outro e, quando chegar o plantio na próxima safra, pode contaminar a lavoura”, ressalta Ana Paula. “Precisamos conscientizar o produtor. Às vezes, ele pensa que tem que combater a cigarrinha só no plantio da safra em setembro, ou a safrinha, em janeiro. Mas uma das medidas mais importantes é a erradicação do milho tiguera durante o avanço da colheita”, acrescenta.

Por isso, o ideal é que o produtor faça o monitoramento de sua propriedade à medida que a colheita for avançando. O agricultor não pode dar chance para que o milho tiguera se mantenha, levando riscos à futura lavoura. “Tem que ser praxe: fazer esse monitoramento constante, ver se tem incidência e fazer o controle. O controle é feito com herbicida, já que o milho tiguera é considerado uma planta daninha. Tem que ser eliminado antes que se reproduza”, explica Ana Paula.

Cartilha

Neste ano, o Sistema FAEP/SENAR-PR e a Embrapa Milho e Sorgo lançaram a cartilha “Manejo da cigarrinha e enfezamentos na cultura do milho”. O material é um guia prático voltado ao produtor rural, abrangendo desde a identificação do inseto até práticas de combate e erradicação, e está disponível gratuitamente para download no site www.sistemafaep.org.br, na seção Serviços. Em maio, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou um conjunto de dez práticas de manejo a serem adotadas contra o inseto. A primeira delas é a eliminação do milho tiguera.

Outro ponto que merece destaque e pode ser um fator que favorece o surgimento do milho tiguera é a ineficiência ao longo da colheita, muitas vezes ocasionadas por colheitadeiras mal operadas e/ou desreguladas. Para isso, o SENAR-PR oferece cinco títulos de cursos relacionados à operação, manutenção e regulagem de colhedoras de grãos. Informações dos cursos, gratuitos e com certificados, estão no mesmo site.

Cigarrinha

As doenças causadas pela cigarrinha são transmitidas por meio de bactérias, disseminadas quando o inseto se alimenta do milho. Os efeitos são percebidos nos chamados enfezamentos – pálido e vermelho. “Os problemas costumam ocorrer com maior intensidade nos estágios iniciais de desenvolvimento das plantas, pois a praga migra para outras lavouras nas fases de reprodução e colheita. As temperaturas acima de 25 graus também favorecem o ciclo dessa praga”, diz Ana Paula.

O inseto está presente em todas as regiões do Estado. Em novembro de 2020, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) coletou 64 amostras e constatou que 40% estavam contaminadas com enfezamentos decorrentes de ações da cigarrinha do milho.

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Fonte:
Faep

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