Clima e rentabilidade desestimulam produção de milho 23/24, diz StoneX
A margem de rentabilidade do produtor e a possibilidade de ocorrência do El Niño pressionam as decisões de plantio de milho, que na safra 2023/24 deve ter sua área plantada nacional reduzida de 4,1 para 3,9 milhões de hectares, segundo a revisão de outubro da StoneX. A produção, portanto, resultaria em 27,5 milhões de toneladas, volume 2,6% menor que o reportado na estimativa de setembro pelo grupo.
“Muito vem se falando sobre a possível influência do El Niño nas safras de verão da América do Sul e como o fenômeno pode beneficiar as lavouras da região Sul. Contudo, no Norte/Nordeste, o efeito pode ser o oposto, e isso tem afetado as decisões de plantio. A oleaginosa é uma cultura menos sensível que o milho e deve-se observar alguma redução na área do cereal em prol da soja”, avalia o analista de inteligência de mercado, João Pedro Lopes.
Em relação ao balanço do cereal, destaca-se a revisão na estimativa de exportação referente ao ciclo 2022/23, que avançou para 55 milhões de toneladas, motivada pelo ritmo de embarques mais aquecido que o previamente esperado.
Em meio ao leve recuo na oferta e à maior demanda externa, os estoques finais das temporadas 2022/23 e 2023/24 foram reduzidos para, respectivamente, 14,5 e 13,6 milhões de toneladas, volumes menores que os trazidos no último relatório, mas mais confortáveis que em anos recentes.
Produção 2022/23
A StoneX reduziu sua estimativa para a safra de inverno 2022/23, motivada pela redução na produtividade do Paraná, que passou de 6,7 para 6,3 toneladas por hectare. O avanço da colheita possibilitou a identificação de um rendimento menor que o esperado no norte do estado. Com isso, a produção paranaense está estimada, agora, em 16,1 milhões de toneladas.
Desse modo, a segunda safra foi reduzida para 108,4 milhões de toneladas, 0,6% a menos que seu número anterior. Contudo, mesmo com o corte, o volume permanece um recorde para o país.
Em relação à terceira safra 2022/23 do cereal, perspectivas menos favoráveis para o rendimento nos estados de Alagoas, Sergipe e Pernambuco motivaram a redução na produtividade média nacional e, consequentemente, da produção, estimada atualmente em 2,24 milhões de toneladas.
Mesmo com os cortes realizados, a disponibilidade do cereal no país segue confortável, com a produção total, que considera as três safras, estimada em 139,2 milhões de toneladas.
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