Atualização corrige dados no Zarc do milho no Rio Grande do Sul
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou no dia 30 de junho as portarias que atualizam o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura do milho. Assim que foram divulgadas no Diário Oficial da União, em 10 de julho, os dados sobre o calendário de semeadura em alguns municípios do noroeste do Rio Grande do Sul foram questionados pelo setor produtivo. Após reavaliação, a equipe da Embrapa identificou um erro de processamento de dados, que superestimou o risco climático no início da semeadura. As informações foram corrigidas e saíram em uma retificação da portaria SPA/Mapa nº235, publicada no dia 22 de julho. Elas já estão disponíveis no Painel de Indicação de Riscos.
Após receber a queixa dos agricultores, a Secretaria de Políticas Agrícolas do Mapa encaminhamento um pedido de revisão ao grupo de trabalho responsável pelo Zarc do milho. A reanalise dos dados constatou que houve um equívoco na programação pós-processamento para os dados do mês de agosto em relação aos decêndios críticos para geada. A programação foi feita como decêndios críticos aqueles da semeadura e não de pós-emergência. Com isso o risco para geada em alguns municípios ficou superestimado, afetando as janelas ideais para semeadura.
“Com a correção, os resultados ficarão mais próximos do Zarc que foi vigente na safra passada, embora não iguais, pois a base de dados usada é diferente e os critérios de solo também”, explica o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, Maurilio Fernandes de Oliveira.
Hugo Borges Rodrigues, coordenador-geral de Risco Agropecuário do Mapa acredita que com a publicação da portaria do Zarc para a cultura do milho no Rio Grande do Sul, ano-safra 2026-2027, retificada, os problemas levantados estejam sanados e a preocupação dos produtores de milho no estado afastada de vez.
Atualização da base de dados
O novo Zoneamento Agrícola de Risco Climático da cultura do milho trouxe duas novidades em relação à versão anterior. Uma delas é a atualização da base de dados meteorológicos, que passou a usar a série temporal entre 1992 e 2022 e com maior número de estações meteorológicas, o que garantiu maior precisão nas informações. Outra mudança foi a incorporação do modelo de classificação de solo em seis níveis de água disponível (ADs). Essa classificação leva em conta o percentual de areia, silte e argila no talhão. Na versão anterior eram usadas apenas três classes de solo (arenoso, médio e argiloso).
“Qualquer Zarc, considerando uma base de 30 anos de dados diários, 36 decêndios de semeadura, 3 grupos de cultivares, 6 solos diferentes e para 3 níveis de risco, exige a geração, depois das simulações de riscos hídricos e térmicos (geadas), de 58.320 mapas para que se extraia, no pós-processamento, a informação dos períodos favoráveis de plantio em escala municipal. E isso é feito para todos os municípios brasileiros. Por isso, embora esses resultados tenham sido submetidos à validação dos usuários, em reunião online, realizada no dia 25 de novembro de 2025, não descartamos que algum erro possa passar despercebido”, explica o coordenador da Rede Zarc e pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, Eduardo Monteiro.
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