Milho sobe forte em Chicago com trigo e tensão Rússia x Ucrânia nesta 6ª feira (14)
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O mercado do milho encerrou a sexta-feira (14) com fortes altas na Bolsa de Chicago, recuperando parte das perdas da sessão anterior. O movimento foi sustentado principalmente pela força do trigo, que avançou mais de 3% nos contratos mais negociados, e pelas tensões entre Rússia e Ucrânia, que voltaram a elevar as preocupações com o fluxo de grãos pelo Mar Negro.
Os principais contratos do cereal na CBOT terminaram o dia subindo entre 10,50 e 11,75 pontos, com o dezembro valendo US$ 4,83 e o março/27 por bushel.
Os futuros ganharam ainda mais tração depois do relatório mensal de oferta e demanda que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) trouxe na última quarta-feira (12), reduzindo a projeção de produtividade do milho norte-americano, embora tenha elevado a área plantada. O órgão também aumentou a estimativa para as exportações dos Estados Unidos, oferecendo suporte adicional aos futuros.
"No milho, o mercado segue atento à possibilidade de uma nova redução da oferta norte americana, enquanto a soja permanece dependente da evolução das condições climáticas nos EUA ao longo dos próximos 30 dias", informou o Grupo Labhoro.
Ao lado dos fundamentos, o cenário geopolítico ganhou ainda mais peso nesta sexta. A Rússia rejeitou a possibilidade de um novo cessar-fogo no Mar Negro e afirmou ser inviável uma iniciativa semelhante ao corredor de exportação de grãos estabelecido em 2023, agravando mais a perspectiva de uma oferta limitada de grãos, cereais e óleos vegetais.
A situação aumenta a atenção sobre a logística da região, especialmente após ataques recentes a estruturas portuárias. Na quarta-feira, um ataque ucraniano atingiu o porto russo de Novorossiysk, enquanto a Rússia atacou posteriormente o porto ucraniano de Izmail, no rio Danúbio.
Esse ambiente favoreceu o trigo e, por consequência, ajudou a sustentar também o milho em Chicago. O movimento, contudo, combina fatores fundamentais com um ajuste técnico, depois das perdas da quinta-feira.
MERCADO BRASILEIRO DESAFIADOR
Na B3, os preços do milho também subiram e não só pelos fortes ganhos em Chicago, mas encontrando suporte no dólar registrando novas altas e superando R$ 5,20. Todavia, apesar do suporte externo, o cenário brasileiro permanece mais desafiador. Segundo o analista de mercado e diretor da Germinar Corretora, Roberto Carlos Rafael, o país enfrenta uma oferta elevada de milho e uma comercialização da segunda safra ainda atrasada em diversas regiões.
Para o especialista, o grande desafio neste momento é encontrar espaço para escoar o excedente, principalmente por meio das exportações. A disponibilidade elevada tende a limitar uma recuperação mais consistente dos preços internos enquanto o mercado não consegue absorver o volume produzido.
Rafael avalia que o produtor precisa evitar a estratégia de simplesmente segurar o milho à espera de uma valorização. Diante de uma oferta abundante, eventuais momentos de alta devem ser aproveitados para avançar na comercialização e reduzir a exposição ao risco de novas quedas.
Dessa forma, a semana termina com um milho internacionalmente mais sustentado, mas com o produtor brasileiro ainda diante de uma questão central: como transformar a produção elevada em comercialização antes que o excesso de oferta pese ainda mais sobre as cotações.
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