Milho cai em Chicago com avanço da colheita, mas demanda forte pode abrir nova janela de preços no Brasil

Entrada da safra dos EUA pressiona CBOT no curto prazo; menor disponibilidade e consumo firme sustentam perspectivas de mercado mais aquecido no BR
Publicado em 18/09/2026 17:23

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Entrada da safra americana pressiona cotações no curto prazo, enquanto menor disponibilidade e consumo firme sustentam perspectivas de mercado mais aquecido no Brasil nos próximos meses

Nesta sexta-feira (18), os futuros do milho fecharam em baixa na Bolsa de Chicago, pressionados pela entrada da nova safra norte-americana e pelo avanço da colheita nos Estados Unidos. Apesar da pressão no curto prazo, o mercado termina a semana olhando para fundamentos mais ajustados adiante, especialmente diante da força da demanda.

O contrato dezembro fechou a US$ 5,27 por bushel, com perda de 3 pontos; o março terminou a US$ 5,41, também recuando 3 pontos, enquanto maio perdeu 2,5 pontos, para US$ 5,48.

A pressão sazonal da colheita norte-americana pesa sobre as cotações justamente no momento em que novos volumes começam a chegar fisicamente ao mercado. Todavia, o mercado permanece atento às condições de clima e ao excesso de chuvas que pode acometer algumas regiões do Corn Belt nos próximos dias, podendo comprometer não só o ritmo dos trabalhos de campo, como também a qualidade do cereal. 

O movimento, porém, acontece em meio a um cenário internacional no qual o balanço entre produção e consumo vem ficando mais apertado. Uma análise publicada pela agência internacional de notícias Reuters com base nas atuais projeções do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) mostra que o consumo mundial de milho poderá superar a produção em quase 30 milhões de toneladas em 2026/27.

O dado ajuda a explicar por que, mesmo diante da pressão da colheita dos Estados Unidos, o mercado mantém atenção sobre a disponibilidade futura do cereal.

BRASIL: CENÁRIO MAIS FRIO AGORA, MAS CENÁRIO PODE MUDAR

No Brasil, o milho atravessa neste momento um período de menor ritmo de negócios. Em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta sexta-feira, Enilson Nogueira, consultor de mercado da Céleres Consultoria, explicou que a exportação ainda encontra dificuldades diante dos preços praticados no mercado doméstico. "Nossa exportação ainda está lenta, os preços não são viáveis para a exportação na maior parte do país. Então isso está causando um momento um pouco mais frio no mercado de milho". 

Apesar disso, Nogueira acredita que essa condição não deverá durar muito. "Não acredito que isso seja duradouro. Acredito que em meados de outubro a gente já vai começar a ver um mercado mais aquecido". 

Um dos fatores que podem contribuir para essa mudança é justamente a chegada do período mais intenso de plantio da soja. Com o produtor concentrado nos trabalhos de campo, tende a diminuir a disposição para movimentar volumes de milho armazenados, especialmente aqueles mantidos em estruturas temporárias. A redução da oferta disponível pode ajudar a devolver maior dinamismo às negociações.

"Então a oferta também acaba ficando mais limitada nessa época de plantio. Vejo o mercado de milho hoje um pouco frio, mas é um mercado que rapidamente deve voltar a se aquecer", afirma Nogueira.

Para o analista da Céleres, é justamente quando se amplia o horizonte da análise que os fundamentos do milho ganham força. A oferta mundial permanece elevada, mas vem diminuindo. No Brasil, o movimento também é de redução da disponibilidade diante de uma demanda que continua firme, principalmente internamente.

"É uma oferta mundial que não é pequena, mas está caindo; é uma oferta brasileira que não é pequena, mas está caindo e está encontrando uma demanda que é superior à capacidade de oferta dessa safra", detalha o especialista, considerando em sua avaliação condições normais para a próxima produção brasileira.

Nogueira ressalta que eventuais dificuldades na janela de plantio da soja e seus possíveis reflexos sobre o calendário da segunda safra de milho ainda representam uma variável adicional para o mercado. "Considerando safra normal, já temos uma previsão de que, com safra normal, os estoques vão ficar mais apertados. Então vejo fundamentos sólidos para o milho também", conclui. 

A combinação entre menor disponibilidade, consumo firme e uma possível redução da oferta física durante os trabalhos de plantio pode ajudar a construir novas oportunidades de comercialização para o produtor brasileiro nos próximos meses.

Isso não significa, porém, uma trajetória linear de alta. No curto prazo, Chicago ainda precisa absorver a entrada da safra dos Estados Unidos, enquanto o mercado brasileiro acompanha o ritmo das exportações, o câmbio, a demanda doméstica e, principalmente, a disposição de venda dos produtores.

O cenário mais adiante, entretanto, é diferente daquele sugerido apenas pela queda registrada nesta sexta-feira. Há mais milho chegando agora aos Estados Unidos, mas a demanda continua consumindo estoques e mantendo a atenção sobre a disponibilidade futura. No Brasil, o mercado pode estar mais frio neste momento, mas os fundamentos indicam que essa condição pode não durar.

Para o produtor, portanto, o segundo semestre segue como um período importante de construção de preços e de acompanhamento das oportunidades de comercialização, especialmente à medida que a oferta disponível diminui e a demanda volta a disputar o cereal.

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