Milho despenca mais de 5% em Chicago após USDA surpreender com aumento da safra americana
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A sexta-feira (9) é marcada por fortes quedas para os preços internacionais do milho na Bolsa de Chicago (CBOT), após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) surpreender o mercado com uma revisão para cima nas estimativas de produção e estoques do cereal no país.
Por volta das 13h20 (horário de Brasília), o vencimento dezembro/26 era negociado a US$ 4,7400 por bushel, com desvalorização de 26,25 pontos, equivalente a 5,25%. O março/27 perdia 26 pontos, cotado a US$ 4,8925, enquanto o maio/27 recuava 24,75 pontos, valendo US$ 4,9750.
O movimento representa uma forte inversão em relação ao início do pregão, quando as cotações operavam próximas da estabilidade, com os investidores aguardando os novos números do USDA.
O relatório divulgado nesta tarde elevou a estimativa de produtividade do milho norte-americano de 178,5 para 181,2 bushels por acre, contrariando a expectativa dos analistas, que apontava para uma redução a aproximadamente 177,6 bushels por acre.
Com isso, a projeção de produção dos Estados Unidos passou de 401,33 milhões para 407,28 milhões de toneladas, um aumento de 5,95 milhões de toneladas em relação ao relatório de setembro.
A revisão ocorreu mesmo sem alterações nas estimativas de área plantada e colhida, mantidas em 39,17 milhões e 35,81 milhões de hectares, respectivamente. Assim, o crescimento projetado para a produção foi resultado da elevação da produtividade, que passou de 186,74 para 189,56 sacas por hectare.
Outro destaque foi o avanço dos estoques finais norte-americanos, que saltaram de 39,79 milhões para 46,97 milhões de toneladas, um acréscimo de 7,18 milhões de toneladas.
O USDA também elevou suas projeções para o consumo de milho destinado à produção de etanol nos Estados Unidos, de 142,25 milhões para 143,52 milhões de toneladas, e para as exportações, de 83,19 milhões para 83,82 milhões de toneladas.
Apesar do aumento nas estimativas de utilização do cereal, o crescimento da oferta levou à ampliação dos estoques projetados, reforçando a perspectiva de maior disponibilidade de milho no mercado norte-americano.
Estoques mundiais também aumentam
No cenário global, o USDA ampliou sua estimativa de produção de milho para a safra 2026/27 de 1,290 bilhão para 1,294 bilhão de toneladas.
Já os estoques finais mundiais passaram de 272,10 milhões para 280,44 milhões de toneladas, um crescimento de 8,34 milhões de toneladas em relação ao levantamento anterior.
Para o Brasil, o departamento manteve suas projeções de produção em 139 milhões de toneladas, exportações em 43 milhões de toneladas e estoques finais em 10,60 milhões de toneladas.
Na Argentina, a estimativa de produção permaneceu em 55 milhões de toneladas, com exportações projetadas em 38 milhões de toneladas. Os estoques finais, porém, foram elevados de 4,01 milhões para 5,01 milhões de toneladas.
As estimativas para a China também permaneceram praticamente inalteradas, com produção de 307 milhões de toneladas, importações de 5 milhões de toneladas e estoques finais de 165,13 milhões de toneladas.
B3 também amplia perdas com dólar em queda
Na Bolsa Brasileira (B3), os preços futuros do milho também intensificaram as desvalorizações ao longo desta sexta-feira, acompanhando o cenário de forte pressão internacional, enquanto o dólar recua diante do real.
Por volta das 13h28 (horário de Brasília), o vencimento novembro/26 era cotado a R$ 68,29, com queda de 1,80%. O janeiro/27 recuava 1,66%, negociado a R$ 72,70, enquanto o março/27 registrava perda de 1,09%, valendo R$ 76,50.
O contrato maio/27 também apresentava desvalorização de 1,34%, cotado a R$ 75,18.
No mesmo período, a moeda norte-americana era negociada a R$ 4,98, com recuo de 0,88% diante do real, acrescentando um fator de pressão sobre os preços brasileiros.
Pela manhã, antes da divulgação do relatório do USDA, o vencimento novembro/26 da B3 apresentava queda de apenas 0,49%, enquanto os principais contratos do milho em Chicago operavam próximos da estabilidade.
A intensificação das perdas após a divulgação dos novos números norte-americanos evidencia a mudança de cenário enfrentada pelo mercado nesta sexta-feira.
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