Produtores de São Borja ampliam área de milho e reforçam cuidados diante do cenário climático

Publicado em 09/10/2026 16:36

A ampliação das áreas irrigadas e a busca por alternativas de renda estão impulsionando o cultivo de milho em São Borja nesta Safra 2026/2027. A estimativa da Emater/RS-Ascar é de que o município alcance aproximadamente 25 mil hectares plantados, frente aos 22 mil hectares da safra anterior. O avanço da irrigação, principalmente por meio de pivôs centrais, está entre os fatores que têm estimulado a expansão da cultura.

Segundo Odacir Decol, chefe do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar em São Borja, o crescimento também está relacionado à possibilidade de o produtor colher o milho no início do ano e, em áreas com condições adequadas, implantar uma segunda cultura na sequência, ampliando as possibilidades de receita da propriedade.

Um exemplo dessa prática é na propriedade do produtor rural Fabrício Tiago Cecchetto, que nesta safra ampliou para cerca de 142 hectares a área destinada ao milho, o dobro da cultivada na temporada anterior. “A expectativa é melhorar a rentabilidade, considerando também a possibilidade de valorização do grão no mercado”, afirma o produtor.

Para ampliar a área, Cecchetto realizou análise de solo e, a partir dos resultados, fez a aplicação de calcário antes do preparo e da dessecação do solo. Parte do milho é cultivada em área irrigada, estratégia que também contribui para reduzir os riscos relacionados à irregularidade das chuvas.

O produtor explica que, além da expectativa de mercado, o planejamento foi importante para reduzir os riscos da ampliação. “A gente está sempre de olho na previsão do tempo, tentando, quando possível, antecipar algumas aplicações ou até mesmo a data de semeadura, dependendo desse calendário e da janela”, destaca Fabrício.

De acordo com o extensionista rural, planejamento é fundamental. Decol salienta que “o produtor que pretende ampliar a área de milho deve considerar fatores como aptidão do solo, disponibilidade de água, máquinas e implementos, aquisição de insumos e capacidade de realizar os tratos culturais dentro das janelas adequadas”.

A recomendação começa ainda antes da implantação da lavoura, com análise de solo e correção da acidez e da fertilidade quando necessárias. Também devem ser observadas possíveis condições de compactação, cobertura do solo, qualidade das sementes e escolha de híbridos adaptados às características da região.

EL NIÑO

Com a possibilidade de influência do El Niño e de períodos de maior volume de chuva, a orientação é que o produtor esteja preparado para diferentes cenários.

Para Decol, o manejo do solo também é uma ferramenta importante para enfrentar diferentes condições de chuva. “Em situações de excesso de água, sistemas de terraceamento, drenagem e um manejo adequado do solo ajudam a reduzir os riscos de erosão e de perda de nutrientes. Já em períodos de pouca ou irregularidade de chuvas, a descompactação, a cobertura do solo e a manutenção da palhada ajudam a aumentar a infiltração e a armazenar água por mais tempo no solo”, explica.

A expansão da área de milho em São Borja mostra, portanto, não apenas uma aposta na cultura, mas uma estratégia de diversificação de renda. Ao mesmo tempo, o cenário reforça o acompanhamento das condições climáticas e manejo adequado do solo, para reduzir riscos e buscar melhores resultados na safra.

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