Milho fecha com leves quedas em Chicago, enquanto B3 mantém ganhos nesta terça-feira

Mercado internacional segue pressionado pela safra americana e aguarda novos dados de colheita; dólar em alta e baixa liquidez marcam cenário brasileiro
Publicado em 13/10/2026 15:52 | Atualizado em 13/10/2026 16:44

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Os preços internacionais do milho encerraram a terça-feira (13) com pequenas desvalorizações na Bolsa de Chicago (CBOT), após uma sessão de oscilações e tentativas de recuperação. No Brasil, os contratos futuros negociados na Bolsa Brasileira (B3) apresentam movimentações positivas, enquanto o mercado físico segue marcado pela cautela nas negociações.

Na Bolsa de Chicago, o vencimento dezembro/26 terminou cotado a US$ 4,8275 por bushel, com queda de 0,25 ponto, equivalente a 0,05%. O março/27 recuou 0,75 ponto, valendo US$ 4,9650, enquanto o maio/27 perdeu 0,50 ponto, encerrando a US$ 5,0400. Já o julho/27 registrou baixa de 0,25 ponto, negociado a US$ 5,0975.

Ao longo do dia, as cotações chegaram a operar em campo positivo, ensaiando uma recuperação depois das fortes perdas registradas na última sexta-feira, quando o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) surpreendeu o mercado ao elevar as projeções de produtividade, produção e estoques norte-americanos.

Segundo informações do Farm Progress, os preços permanecem pressionados pela perspectiva de uma grande safra americana e pela expectativa de aceleração da colheita após uma semana de condições climáticas predominantemente secas no Meio-Oeste dos Estados Unidos.

O mercado também acompanha os relatos de produtividade nas lavouras. Conforme destacou o Agriculture.com, os resultados continuam acima das expectativas em partes do oeste do cinturão produtor, embora os rendimentos apresentem maior irregularidade em estados como Illinois e Iowa.

Na avaliação de Cory Bratland, analista da AgMarket, o mercado ainda encontra limitações para sustentar movimentos de recuperação diante da disponibilidade projetada de milho nos Estados Unidos. O analista também destaca a importância do desempenho das exportações para confirmar as estimativas de demanda norte-americana.

Os investidores aguardam ainda a atualização semanal do acompanhamento das lavouras pelo USDA, prevista para depois do encerramento do pregão. No levantamento anterior, a colheita havia atingido 23% da área, abaixo da média histórica de 27%, enquanto 54% das lavouras estavam classificadas em boas ou excelentes condições.

B3 encerra com ganhos modestos e mercado físico segue cauteloso

Na Bolsa Brasileira (B3), os preços futuros do milho encerraram a terça-feira (13) com movimentações predominantemente positivas, em uma sessão marcada também pela valorização do dólar diante do real.

O vencimento novembro/26 terminou negociado a R$ 68,98 por saca, com alta de 0,41%. O janeiro/27 avançou 0,07%, cotado a R$ 72,90, enquanto o março/27 registrou valorização de 0,47%, encerrando a R$ 76,89. Já o contrato maio/27 apresentou leve ganho de 0,01%, fechando a R$ 75,30 por saca.

Entre os vencimentos mais longos, o julho/27 recuou 0,39%, enquanto o setembro/27 avançou 0,40% e o novembro/27 subiu 0,01%.

O movimento positivo de parte dos contratos brasileiros contrastou com as pequenas perdas registradas em Chicago, em um cenário de recuperação do dólar e persistência da cautela nas negociações do mercado físico nacional.

Segundo análise da Agrinvest, a valorização da moeda norte-americana nesta terça-feira está relacionada a um movimento de ajuste de posições e redução do apetite ao risco, após a forte valorização dos ativos brasileiros na semana anterior.

Mercado físico

No mercado físico brasileiro, a terça-feira foi marcada pelo predomínio de estabilidade nas cotações do milho, embora algumas praças tenham registrado desvalorizações, conforme levantamento da equipe do Notícias Agrícolas.

As quedas foram observadas em Castro e Pato Branco, no Paraná; Palma Sola, em Santa Catarina; Tangará da Serra, Campo Novo do Parecis e Sorriso, em Mato Grosso; e Luís Eduardo Magalhães, na Bahia.

Por outro lado, Eldorado, no Mato Grosso do Sul, foi a única praça acompanhada a registrar valorização.

Segundo a Safras & Mercado, compradores e vendedores permanecem cautelosos nas negociações, aguardando novas condições que possam estimular a comercialização. O analista Paulo Molinari destaca que a forte queda registrada em Chicago após o relatório de oferta e demanda do USDA, divulgado na última sexta-feira, contribuiu para aumentar a cautela no mercado doméstico.

A avaliação encontra complemento na análise de Eduardo Vanin, da Agrinvest, que destacou, em entrevista ao Bom Dia Agro desta terça-feira, a perda de liquidez do milho em Goiás diante da redução da participação dos exportadores.

Segundo Vanin, a menor disputa pelo cereal no corredor logístico entre Rio Verde e o Porto de Santos tem pressionado as referências comerciais, mesmo em um cenário de quebra de produção estadual e crescimento do consumo doméstico, especialmente pelos setores de etanol e pecuária.

O analista relatou que referências de negociação em Rio Verde passaram de aproximadamente R$ 68,00 para R$ 58,00 por saca, considerando diferentes momentos e condições comerciais. O movimento, segundo ele, reflete a menor presença de compradores ligados à exportação e a redução da necessidade imediata de aquisição por parte das indústrias de etanol, que já possuem compras antecipadas.

Vanin também estima que a participação de Goiás nas exportações brasileiras de milho possa cair de aproximadamente 4,4 milhões de toneladas em 2025 para perto de 1 milhão de toneladas em 2026, diante da menor competitividade do produto goiano e da redução dos compromissos logísticos, especialmente ferroviários.

Na avaliação do analista, o crescimento da demanda interna não substitui automaticamente a liquidez proporcionada pela presença dos exportadores, principalmente quando os consumidores domésticos já estão abastecidos e não precisam disputar imediatamente o cereal disponível.

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