Milho fecha quarta-feira com perdas superiores a 2% na B3 e recua em Chicago

Contratos brasileiros registram quedas mais intensas que os americanos, enquanto mercado físico apresenta predomínio de estabilidade
Publicado em 14/10/2026 15:54 | Atualizado em 14/10/2026 16:49

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Os preços internacionais do milho encerraram a quarta-feira (14) em campo negativo na Bolsa de Chicago (CBOT), após um pregão marcado por oscilações e redução das perdas ao longo da tarde. O mercado continua assimilando o aumento das estimativas de produção e estoques dos Estados Unidos divulgado pelo Departamento de Agricultura norte-americano (USDA) na última sexta-feira.

O vencimento dezembro/26 terminou negociado a US$ 4,8075 por bushel, com queda de 2,00 pontos, equivalente a 0,41%. O março/27 recuou 2,25 pontos, cotado a US$ 4,9425, enquanto o maio/27 também perdeu 2,25 pontos, encerrando a US$ 5,0175. Já o julho/27 registrou desvalorização de 2,25 pontos, valendo US$ 5,0750.

Durante a manhã, o contrato dezembro/26 chegou a ser negociado a US$ 4,7800 por bushel, com perda de 4,75 pontos, mas recuperou parte do terreno até o encerramento da sessão.

As cotações seguem pressionadas pelos números do relatório de oferta e demanda de outubro do USDA, que elevou a projeção de produção americana de 401,33 milhões para 407,28 milhões de toneladas. Os estoques finais estimados também aumentaram, passando de 39,79 milhões para 46,97 milhões de toneladas.

Em seu relatório mensal de outubro, o Itaú BBA avalia que a maior disponibilidade do cereal nos Estados Unidos deverá manter a pressão sobre os preços internacionais e ampliar a concorrência com outras origens exportadoras, incluindo o Brasil.

A consultoria destaca que o desempenho das exportações americanas será um dos fatores determinantes para a trajetória das cotações nos próximos meses, uma vez que vendas externas abaixo das projeções poderão resultar em estoques ainda maiores.

Outro fator acompanhado pelos investidores é o avanço da colheita norte-americana. No relatório divulgado na terça-feira (13), o USDA informou que os trabalhos atingiram 33% da área cultivada, contra 23% na semana anterior. Apesar do avanço de dez pontos percentuais, a retirada do cereal continua abaixo da média histórica de 39% para o período.

As condições das lavouras também apresentaram melhora, com 56% das áreas classificadas como boas ou excelentes, ante 54% no levantamento anterior.

Diante desse cenário, o mercado permanece atento aos resultados efetivos de produtividade nas lavouras americanas e ao ritmo da demanda internacional, buscando sinais sobre a capacidade de absorção da maior oferta projetada para a temporada 2026/27.

B3 encerra com perdas superiores a 2% e mercado físico apresenta estabilidade

Os preços futuros do milho encerraram a quarta-feira (14) em queda na Bolsa Brasileira (B3), com desvalorizações superiores a 2% nos três primeiros vencimentos negociados. O movimento foi mais intenso do que o observado na Bolsa de Chicago (CBOT), onde os contratos terminaram o pregão com perdas inferiores a 0,5%.

O vencimento novembro/26 recuou 2,25%, encerrando a R$ 67,40 por saca. O janeiro/27 apresentou desvalorização de 2,10%, cotado a R$ 71,37, enquanto o março/27 perdeu 2,08%, fechando a R$ 75,29.

O maio/27 terminou negociado a R$ 74,21 por saca, com baixa de 1,45%. Entre os vencimentos mais longos, o julho/27 caiu 0,82% e o setembro/27 recuou 0,53%, enquanto o novembro/27 avançou 0,23%.

As quedas ocorreram mesmo com a valorização do dólar diante do real nesta quarta-feira, mostrando que o movimento dos contratos brasileiros não pode ser explicado apenas pela taxa de câmbio.

O mercado doméstico segue enfrentando um cenário de baixa liquidez e menor competitividade exportadora, conforme avaliações recentes de consultorias do setor.

Segundo análise da Agrinvest divulgada nesta semana, o mercado físico brasileiro já vinha apresentando uma trajetória de enfraquecimento dos preços, em um ambiente de compradores abastecidos e com pouca urgência para realizar novas aquisições.

Na terça-feira (13), Eduardo Vanin, analista da Agrinvest, destacou em entrevista ao Bom Dia Agro, do Notícias Agrícolas, que a redução da participação dos exportadores tem diminuído a disputa pelo milho em regiões como Goiás, mesmo diante de uma oferta mais ajustada e do crescimento do consumo doméstico.

O analista ressaltou que a demanda interna, principalmente das indústrias de etanol e da pecuária, não substitui automaticamente a liquidez proporcionada pelos exportadores, especialmente quando os compradores já possuem estoques e compromissos de aquisição para os próximos meses.

Em seu relatório mensal de outubro, o Itaú BBA também alertou que a maior disponibilidade de milho nos Estados Unidos tende a intensificar a concorrência internacional, ampliando os desafios para a competitividade do produto brasileiro.

Mercado físico

No mercado físico brasileiro, a quarta-feira foi marcada pelo predomínio de estabilidade nas cotações do milho, conforme levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas.

As valorizações foram registradas em Sorriso, em Mato Grosso, e no Porto de Paranaguá, no Paraná. Por outro lado, Castro, também no Paraná, foi a única praça acompanhada a apresentar desvalorização.

Nas demais localidades com referências disponíveis, os preços permaneceram estáveis.

O comportamento do mercado físico contrasta com as perdas mais expressivas registradas na B3. Embora os futuros tenham apresentado forte pressão nesta quarta-feira, o levantamento diário não mostrou um movimento generalizado de redução das cotações no mercado disponível.

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