Milho recua em Chicago e B3 nesta terça-feira, com contratos brasileiros devolvendo parte da alta da véspera
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Os preços futuros do milho ampliaram as perdas na Bolsa de Chicago (CBOT) durante a manhã desta terça-feira (27), enquanto os contratos negociados na B3 também passaram a apresentar quedas expressivas. No Brasil, o movimento contrasta com a forte valorização registrada na segunda-feira, quando a disparada do dólar diante do real havia sustentado ganhos superiores a 2% em diversos vencimentos.
Por volta das 11h53 (horário de Brasília), o contrato dezembro/26 era negociado em Chicago a US$ 4,5225 por bushel, com desvalorização de 2,75 cents, equivalente a aproximadamente 0,60%. O março/27 recuava 2,50 cents, para US$ 4,6625, enquanto o maio/27 perdia 3 cents, cotado a US$ 4,7450. O julho/27 apresentava baixa de 2,50 cents, negociado a US$ 4,8150 por bushel.
As perdas se aprofundaram em relação à abertura. Às 9h05, o dezembro/26 recuava apenas 1 cent, negociado a US$ 4,5400 por bushel. O movimento ocorre após o cereal encerrar a segunda-feira com uma queda moderada de 0,22%, dando continuidade à pressão observada durante a semana anterior.
B3 devolve parte dos ganhos de segunda-feira
Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos futuros também apresentavam perdas nesta terça-feira. Por volta das 12h, o novembro/26 era negociado a R$ 66,40 por saca, com queda de 0,88%, enquanto o janeiro/27 recuava 2,35%, para R$ 70,14.
O março/27 registrava desvalorização de 1,62%, cotado a R$ 76,09 por saca, e o maio/27 perdia 1,38%, negociado a R$ 75,59.
O resultado representa uma reversão parcial da forte valorização registrada na segunda-feira (26), quando todos os vencimentos acompanhados terminaram em alta. Na ocasião, o novembro/26 avançou 2,23%, enquanto o março/27 registrou ganho de 2,65%, em meio à disparada do dólar após as eleições presidenciais brasileiras.
Nesta terça-feira, o mercado acompanha os novos movimentos do câmbio e seus reflexos sobre a formação dos preços agrícolas. A desvalorização do real tende a favorecer as referências de exportação em moeda brasileira, enquanto uma eventual recuperação da moeda nacional pode reduzir parte dessa sustentação. O resultado também depende das condições de oferta e demanda e dos preços internacionais.
A Grainsights, inteligência de mercado da Grão Direto, destacou em relatório divulgado na segunda-feira que a melhora da paridade de exportação pode favorecer inicialmente os contratos futuros e os preços nos portos. No interior, entretanto, a reação tende a ser mais gradual, diante da disponibilidade de milho e da cautela dos compradores.
Colheita americana acelera, enquanto inspeções de exportação diminuem
Nos Estados Unidos, o avanço da colheita e os números recentes de exportação continuam influenciando as expectativas do mercado.
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a colheita do milho alcançou 60% da área cultivada até domingo (25), avanço de 16 pontos percentuais em uma semana. Apesar da aceleração, os trabalhos permanecem abaixo da média dos últimos cinco anos, de 66%.
O ritmo de entrada do cereal no mercado norte-americano aumenta a disponibilidade no curto prazo, em um cenário de produção estimada pelo USDA em aproximadamente 407 milhões de toneladas na temporada 2026/27.
Pelo lado da demanda, o relatório de inspeções de exportação divulgado na segunda-feira mostrou embarques inspecionados de 625.233 toneladas de milho na semana encerrada em 22 de outubro. O volume representa queda de 9,68% em relação à semana anterior e ficou 49,7% abaixo do registrado no período correspondente de 2025.
No acumulado do ano comercial 2026/27, as inspeções norte-americanas somam aproximadamente 9,78 milhões de toneladas, resultado 7,67% inferior ao observado no mesmo intervalo da temporada anterior. Os números reforçam a necessidade de acompanhar o ritmo efetivo de escoamento da safra americana, além das vendas já contratadas.
A concorrência internacional também permanece no radar. A perspectiva de oferta elevada na Argentina, com projeções de produção de até 62 milhões de toneladas pelo adido agrícola americano em Buenos Aires, poderá ampliar a disputa por compradores nos próximos meses, caso o volume se confirme.
Com isso, o milho apresenta perdas simultâneas nas bolsas brasileira e norte-americana nesta terça-feira. Em Chicago, a atenção permanece voltada à entrada da safra e à demanda externa, enquanto, no Brasil, o comportamento do câmbio continua sendo uma variável importante para a sustentação dos contratos futuros.
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