Milho amplia alta em Chicago e supera US$ 4,54 nesta quarta-feira, mas B3 apresenta resultados mistos

Contrato dezembro avança 1,23% após sequência de perdas nos Estados Unidos; no Brasil, novembro sobe 0,98%, enquanto vencimentos mais distantes recuam
Publicado em 28/10/2026 12:13

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Os preços futuros do milho ampliaram os ganhos na Bolsa de Chicago (CBOT) durante a manhã desta quarta-feira (28), recuperando parte das perdas acumuladas nos últimos pregões. No Brasil, os contratos negociados na B3 apresentavam movimentações distintas, com valorização nos vencimentos mais próximos e pequenas quedas nos mais distantes.

Por volta das 12h02 (horário de Brasília), o contrato dezembro/26 era negociado a US$ 4,5425 por bushel em Chicago, com valorização de 5,50 cents, equivalente a aproximadamente 1,23%. O março/27 avançava 5 cents, para US$ 4,6775, enquanto o maio/27 subia 4,25 cents, cotado a US$ 4,7550. O julho/27 ganhava 4 cents, negociado a US$ 4,8200 por bushel.

A valorização ganhou força em relação à abertura. Às 9h38, o dezembro/26 avançava 2,50 cents, negociado a US$ 4,5125 por bushel. O movimento ocorre após o contrato encerrar a terça-feira (27) a US$ 4,4875, com queda de 1,37%, dando continuidade à sequência recente de desvalorizações.

Recuperação técnica encontra mercado ainda pressionado pela oferta

A tentativa de recuperação dos preços ocorre após uma série de pregões negativos em Chicago. Em análise divulgada nesta quarta-feira, a Archer Financial Services destacou que o milho apresenta sinais de recuperação a partir de condições técnicas de sobrevenda, após o contrato dezembro fechar em queda em quatro sessões consecutivas e em dez dos onze pregões anteriores.

A consultoria também apontou a redução de posições compradas por investidores especulativos, em um mercado no qual o avanço da oferta norte-americana e a necessidade de melhora da demanda continuam influenciando as expectativas.

Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a colheita do milho alcançou 60% da área cultivada até domingo (25), avanço de 16 pontos percentuais em uma semana. Apesar do progresso, o ritmo permanece abaixo da média dos últimos cinco anos, de 66%.

No relatório de oferta e demanda de outubro, o USDA projetou produção norte-americana de aproximadamente 407 milhões de toneladas, com estoques finais próximos de 47 milhões de toneladas para a temporada 2026/27. A perspectiva de disponibilidade elevada continua representando um limite para uma recuperação sustentada das cotações.

Pelo lado da demanda, as inspeções de milho para exportação somaram 625.233 toneladas na semana encerrada em 22 de outubro, queda de 9,68% em relação ao levantamento anterior. Os números mantêm a atenção sobre o ritmo de escoamento do cereal americano, embora não sejam suficientes, isoladamente, para determinar o comportamento dos preços.

B3 opera em direções opostas entre vencimentos

Na Bolsa Brasileira (B3), a movimentação era mais heterogênea. Por volta das 12h07, o contrato novembro/26 apresentava alta de 0,98%, negociado a R$ 67,00 por saca, enquanto o janeiro/27 avançava 0,33%, para R$ 70,68.

Na direção contrária, o março/27 recuava 0,38%, cotado a R$ 75,49, e o maio/27 perdia 0,31%, negociado a R$ 75,02 por saca.

O comportamento ocorre após uma terça-feira de quedas na B3, quando os contratos brasileiros devolveram parte dos ganhos registrados na segunda-feira, em meio às oscilações do dólar após as eleições presidenciais.

A evolução do câmbio continua sendo um dos principais fatores de atenção para a formação dos preços domésticos. Um dólar mais valorizado tende a favorecer as referências de paridade de exportação em reais, mas o resultado também depende dos prêmios, dos custos logísticos e do interesse dos compradores.

No mercado físico, a disponibilidade do cereal e o ritmo das exportações continuam influenciando a comercialização. A Grainsights, inteligência de mercado da Grão Direto, avalia que os compradores brasileiros seguem cautelosos diante da oferta disponível, enquanto a demanda das indústrias de etanol e ração permanece como importante componente de consumo doméstico.

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) também revisou para aproximadamente 6,1 milhões de toneladas sua projeção para os embarques brasileiros de milho em outubro, abaixo da estimativa anterior de 6,87 milhões. O comportamento das exportações continuará relevante para avaliar o escoamento da produção nacional.

Com isso, Chicago apresenta uma recuperação mais expressiva nesta quarta-feira, enquanto os contratos brasileiros permanecem divididos. A continuidade dos ganhos dependerá da evolução da demanda, do comportamento do câmbio e das perspectivas para as safras norte-americana e sul-americana.

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