Leilão de biodiesel vende 1,19 bilhão litros; preço sobe 43,6%, aponta ANP

Publicado em 31/08/2020 16:48 e atualizado em 31/08/2020 18:08 767 exibições

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SÃO PAULO (Reuters) - O 75º leilão de biodiesel negociou 1,19 bilhão de litros para atendimento à mistura de 10% em setembro e outubro, com o preço médio subindo 43,6% ante o certame para atender o bimestre anterior, informou a reguladora ANP nesta segunda-feira.

O preço médio de negociação foi de 5,043 real/litro, sem considerar a margem da adquirente, e o valor total negociado atingiu o patamar de 6 bilhões de reais, refletindo um ágio médio de 20,64% quando comparado com a média ponderada dos Preços Máximos de Referência.

A forte alta no preço ocorreu apesar de o governo ter reduzido provisoriamente o percentual da mistura de 12% para 10%, devido a altos preços da soja, a principal matéria-prima utilizada para a produção do biocombustível.

O leilão L75 foi realizado após muita polêmica e uma disputa jurídica entre governo, ANP e produtores de biodiesel.

O certame para atender o bimestre setembro/outubro originalmente deveria ter sido realizado para atender uma mistura obrigatória em vigor no país de 12% de biodiesel no diesel.

Mas devido a uma alegada falta de matéria-prima o governo determinou a redução provisória no "blend" para 10%, o que irritou as empresas produtoras do biocombustível.

O leilão anterior foi cancelado pela ANP em meio a reclamações de distribuidoras de elevados preços do biocombustível.

Após a disputa judicial, empresas aceitaram participar do leilão sem novas ações na Justiça, mediante acordo com o governo que prevê a formação de um grupo de trabalho com o setor privado para debater impasses, incluindo questões sobre a oferta de matéria-prima.

No Brasil, mais de 70% do biodiesel é produzido a partir de óleo de soja, oleaginosa que vem sendo muito demandada para a exportação neste ano, principalmente pela China.

Juntamente, com o câmbio, isso tem elevado os custos do setor de biodiesel, o que acaba impactando as distribuidoras, compradoras do biocombustível para a realização da mistura.

Devido à negociação de todo o volume disponível nas etapas para atendimento à mistura obrigatória, não foram realizadas as etapas para mistura voluntária, acrescentou a ANP.

O volume negociado ficou ligeiramente acima do informado pela Ubrabio, a partir de dados preliminares.

Brasil não deve renovar cota do etanol e vai negociar com EUA, diz fonte

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Brasil não deverá renovar a cota sem tarifa para importação de etanol que vence nesta segunda-feira, e com isso compras de fora do Mercosul deverão passar a pagar taxa de 20%, disse à Reuters uma fonte do governo com conhecimento do assunto.

Com o fim da cota, que prejudicaria principalmente os Estados Unidos, os maiores fornecedores dos brasileiros, o Brasil deverá buscar uma abertura de negociação comercial com o governo Donald Trump, para evitar eventuais retaliações norte-americanas.

"A tendência é deixar cair (a cota) e sentar à mesa com os americanos para combinar um novo pacote, mais equilibrado", disse a fonte, que falou na condição de anonimato.

"Deixa vencer (e volta a taxa de 20%)... e aí começa uma nova negociação do zero", acrescentou.

Uma negociação, contudo, dependeria de vontade política de Trump, que vem sendo pressionado por produtores em seu país a impor uma tarifa de importação, caso o Brasil não elimine a sua.

Não foi possível confirmar imediatamente a informação com representantes do governo.

Mais cedo, o jornal Valor Econômico publicou em sua versão online que o Brasil não renovará a cota de importação de etanol com tarifa zero, citando fontes do governo.

A não renovação da cota anual é um pedido do poderoso lobby agrícola no Brasil.

No entanto, ao agradar o setor agrícola, o presidente Jair Bolsonaro desagradaria Trump e produtores de etanol e de milho antes da eleição dos EUA em um momento em que as vendas de combustível estão baixas devido à pandemia.

Evandro Gussi, presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), disse anteriormente que qualquer liberalização no comércio de etanol deve ser seguida por um movimento para reduzir o imposto de importação dos EUA sobre o açúcar brasileiro.

A Unica acredita que de outra forma não haverá ganho para o Brasil renovar a cota ou eliminar a tarifa.

Anteriormente, a fonte havia afirmado à Reuters que a discussão fora retirada da reunião da semana passada da Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão interministerial que define essas questões.

Na ocasião a fonte disse que a negociação com os EUA poderia tomar três caminhos: livre comércio de etanol por livre comércio em açúcar; manutenção do regime de cotas, com uma calibragem na quantidade e distribuição ao longo do ano; e fim do regime de cotas com uma calibragem na tarifa.

A fonte disse ainda que a opção mais realista é a segunda, com a manutenção do regime de cotas.

Preços do petróleo caem em meio a incertezas sobre demanda

NOVA YORK (Reuters) - Os preços do petróleo recuaram nesta segunda-feira, com o Brent afastando-se de uma máxima de cinco meses, à medida que a demanda global pela commodity segue abaixo dos níveis pré-Covid-19 e a produção nos Estados Unidos cresce.

Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam em queda de 0,53 dólar, ou 1,2%, a 45,28 dólares por barril. Já o petróleo dos EUA (WTI) recuou 0,36 dólar, ou 0,8%, para 42,61 dólares o barril.

Mesmo com a queda desta segunda, o Brent terminou agosto com uma alta acumulada de 7,5%, no quinto avanço mensal consecutivo. O WTI teve seu quarto ganho mensal seguido, com alta 5,8%, depois de atingir uma máxima de cinco meses (43,78 dólares) em 26 de agosto, nas expectativas pelo furacão Laura.

Embora grandes economias de todo o mundo estejam se recuperando dos "lockdowns" relacionados ao coronavírus, analistas afirmam que o mercado continua verificando um excesso de oferta de combustíveis.

"Os problemas de demanda simplesmente não estão mostrando sinais de melhora real", disse John Kilduff, sócio da Again Capital em Nova York.

Enquanto isso, a produção de petróleo nos EUA teve alta de 420 mil barris por dia em junho, atingindo a marca de 10,44 milhões de barris diários, segundo dados da Administração de Informação sobre Energia (AIE), o que pressionou ainda mais as cotações da commodity.

(Reportagem adicional de Noah Browning e Florence Tan)

Fonte:
Reuters

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