Prêmios do petróleo à vista caem ante máximas históricas, mesmo com Estreito de Ormuz fechado
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Por Siyi Liu e Florence Tan e Seher Dareen
CINGAPURA/LONDRES, 29 Abr (Reuters) - Os prêmios spot para o petróleo bruto físico caíram frente às máximas históricas atingidas anteriormente durante a guerra no Irã, à medida que as refinarias recorrem a estoques e cortam o processamento para lidar com a perda de oferta no Oriente Médio, disseram traders e analistas.
Desde que a guerra dos EUA e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, causou o fechamento quase total do Estreito de Ormuz, o mercado global perdeu acesso à produção de 500 milhões de barris de petróleo e produtos refinados, de acordo com analistas do Citi. Isso provocou um aumento nos preços com a compra em momento de pânico, mas os preços mais altos reduziram a demanda de consumidores e das refinarias.
Ao procurar substitutos no mundo todo, as refinarias pagaram mais, aumentando os prêmios dos barris da África, dos EUA e do Brasil, com alguns tipos atingindo máximas históricas de mais de US$30 por barril no início deste mês.
No entanto, os prêmios estão diminuindo, já que as refinarias estão optando por reduzir a produção e se concentrar em produtos antes sancionados, enquanto as principais estatais chinesas, Sinopec e PetroChina, utilizam as reservas comerciais e vendem petróleo bruto no mercado spot.
"A demanda asiática está começando a diminuir à medida que as refinarias reduzem a produção, afastando o mercado da compra por pânico e direcionando-o para uma aquisição mais seletiva, com os barris russos dominando a demanda incremental", disseram os analistas da Kpler em uma nota.
"Isso está sendo transmitido para a Bacia do Atlântico, onde o impulso asiático mais fraco e o aumento da oferta estão pressionando os diferenciais de sour médio e light sweet."
Embora as liberações de reservas estratégicas e as reduções de estoques ofereçam um alívio, elas são insuficientes para cobrir a perda de 15 milhões de barris por dia no fornecimento de petróleo do Oriente Médio, o que significa que a interrupção prolongada do fechamento do Estreito de Ormuz continuará a exercer pressão de alta sobre os preços.
June Goh, analista sênior da Sparta Commodities, disse que a correção traz os preços de volta a níveis "acessíveis".
"A escassez física de petróleo bruto no mercado ainda existe, de modo que os prêmios permaneceriam elevados em relação ao nível pré-crise. No entanto, não devem atingir os níveis recordes impulsionados pelo pânico que vimos anteriormente", disse ela.
LIBERAÇÕES DE RESERVAS, PRÊMIOS EM QUEDA
A Sinopec receberá cerca de 1 milhão de bpd de petróleo bruto das reservas entre abril e junho, segundo dois operadores familiarizados com o assunto, permitindo que seu braço comercial, a Unipec, venda algumas de cargas da África Ocidental, do Brasil e do Canadá no mercado à vista neste mês.
A CNOOC e a PetroChina também venderam petróleo bruto canadense exportado pelo oleoduto Trans Mountain (TMX) neste mês.
As empresas não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.
No início deste mês, o Access Western Blend canadense exportado pelo TMX foi vendido a um prêmio recorde de US$8 por barril acima do ICE Brent para entrega em julho na Ásia, mas esse valor caiu para cerca de US$4 na semana passada, disseram duas fontes comerciais familiarizadas com as vendas.
Da mesma forma, os prêmios para o petróleo bruto europeu e da África Ocidental enfraqueceram, com o Ekofisk, no Mar do Norte, sendo oferecido a um prêmio de menos de US$10 por barril acima do Brent datado na terça-feira, caindo pela metade em relação a duas semanas atrás.
Os prêmios para os tipos africanos, como Forcados, Bonny Light e Qua Iboe, caíram para US$7,75 por barril acima do Brent datado, de pouco mais de US$10 por barril em meados de abril. [CRU/E] [CRU/WAF]
Os prêmios do petróleo brasileiro também caíram depois que as ofertas passaram de US$30 por barril no início deste mês, disseram traders familiarizados com o mercado.
A Formosa Petrochemical, de Taiwan, comprou 2 milhões de barris de petróleo bruto brasileiro a prêmios entre US$8 e US$9 por barril acima do Brent datado com entrega ex-navio, segundo eles. As refinarias indianas compraram o petróleo brasileiro recentemente a prêmios de quase US$5 acima do Brent datado, disseram os operadores.
Os prêmios do petróleo do Oriente Médio, que atingiram máximas históricas em março, também caíram acentuadamente este mês e podem levar a Saudi Aramco a cortar os preços a termo para junho. [CRU/M]
Os prêmios para o petróleo bruto WTI Midland dos EUA entregue na Ásia diminuíram das máximas históricas de quase US$40 por barril acima das cotações de Dubai, com os últimos negócios para o Japão entre US$20 e US$22 para entrega em agosto, níveis semelhantes aos de um mês atrás, disseram dois operadores que atuam nesse mercado.
Na Europa, o WTI foi negociado a US$7,40 acima do Brent na terça-feira, em comparação com um prêmio de mais de US$22 por barril há duas semanas.
Os prêmios spot também estão caindo, já que os consumidores estão simplesmente reduzindo o consumo de uma série de produtos petrolíferos, incluindo nafta para fabricantes de produtos petroquímicos, gás liquefeito de petróleo para cozinhar, diesel para cargas de caminhões e óleo combustível para navios oceânicos.
O Morgan Stanley estima que a destruição da demanda seja de até 4,3 milhões de bpd no segundo trimestre, o que provocará uma queda de 800 mil bpd no consumo total de petróleo em 2026, o que seria a primeira queda na demanda desde o surto de Covid-19.
(Reportagem de Siyi Liu e Florence Tan em Cingapura, Seher Dareen e Robert Harvey em Londres e Arathy Somasekhar em Houston)
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