Royal Rural: Petróleo caminha para o quinto pregão seguido de queda

Publicado em 22/09/2026 10:04

Por Pedro Gomes

O petróleo voltou a cair forte nesta terça-feira e caminha para o quinto pregão consecutivo de baixa. Em determinado momento, o Brent caiu cerca de 3% e voltou para a região de US$ 98 por barril, enquanto o WTI chegou próximo de US$ 90. O movimento já levou o petróleo aos menores níveis em aproximadamente duas semanas.

E o principal motivo hoje é uma mudança importante na percepção do mercado sobre o risco de faltar petróleo.

O primeiro fato novo veio do Irã. Um alto funcionário iraniano afirmou que o país poderia reabrir o Estreito de Ormuz em até sete dias caso os EUA aliviem a pressão militar e suspendam o bloqueio aos portos iranianos. A delegação iraniana que está em Nova York também recebeu autorização para tentar retomar a diplomacia com Washington durante a Assembleia Geral da ONU.

Isso é muito importante porque Ormuz era justamente um dos maiores motivos para o petróleo ter disparado nas últimas semanas. Antes da guerra, aproximadamente 20% do petróleo e do gás natural liquefeito negociados mundialmente passavam pelo estreito. Então, quando o Irã coloca uma possível reabertura de Ormuz diretamente na mesa de negociação, o mercado imediatamente começa a retirar parte daquele prêmio de risco.

E hoje apareceu uma confirmação importante do lado americano.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Washington está aberto a conversar com representantes iranianos durante a Assembleia Geral da ONU. Ainda não existe reunião marcada, mas agora temos publicamente os dois lados mostrando alguma disposição para conversar.

Mas talvez a notícia mais importante para explicar a queda do petróleo seja física, e não política.

A Arábia Saudita reiniciou o oleoduto East West, que estava parado desde os ataques de drones de 13 de setembro. Esse oleoduto permite levar petróleo do leste saudita até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, evitando a necessidade de passar por Ormuz.

A tubulação ainda está funcionando em ritmo reduzido, mas a Saudi Aramco tenta recuperar um fluxo próximo de 4 milhões de barris por dia, volume equivalente a aproximadamente 4% da oferta mundial. Um primeiro carregamento em Yanbu já estava previsto para esta terça-feira, com destino à China. Traders ouvidos pela Reuters disseram que essa retomada ajudou diretamente a aumentar a pressão de venda no petróleo.

E a Arábia Saudita já vinha conseguindo aumentar os embarques pelo próprio Golfo.

No domingo, a Aramco carregou aproximadamente 14 milhões de barris em sete superpetroleiros, aumentando a quantidade de petróleo disponível mesmo com todos os problemas logísticos da região.

Então o mercado começou a fazer uma conta bem simples.

Nas últimas semanas, o medo era de Ormuz fechado, oleoduto saudita parado e milhões de barris deixando de chegar ao mercado.

Agora aparece outro cenário: Irã falando em reabrir Ormuz, EUA aceitando conversar, East West voltando a funcionar e Arábia Saudita conseguindo aumentar os embarques.

Isso não significa que a guerra acabou.

Ormuz continua extremamente comprometido. Os dados mais recentes mostraram apenas dois navios de commodities atravessando o estreito na segunda-feira, muito abaixo do fluxo normal anterior à guerra, e ainda houve ataques contra embarcações na região.

Então o que está mudando não é necessariamente a guerra.

O que está mudando é o medo de escassez imediata.

O mercado começa a perceber que existe possibilidade de negociação e, ao mesmo tempo, que a Arábia Saudita está encontrando maneiras de manter mais petróleo circulando.

E é justamente por isso que aquele prêmio de guerra que levou o petróleo para muito acima de US$ 100 começa a sair rapidamente.

Para os outros mercados, isso também é importante.

Petróleo abaixo de US$ 100 reduz pressão sobre inflação e juros e, ao mesmo tempo, tira parte do suporte energético que vinha ajudando óleo de soja, biodiesel, etanol, soja e milho nas últimas semanas.

Então, neste momento, o petróleo está deixando de ser um fator tão forte de alta para os grãos e começa a trabalhar justamente no sentido contrário.

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