China assina acordo para usar 3 milhões de hectares na Ucrânia para produção agrícola

Publicado em 24/09/2013 09:51 e atualizado em 26/09/2013 13:06
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A China acaba de assinar um acordo para produzir em uma área de 3 milhões de hectares na Ucrânia por um periodo de 50 anos. A área representa 5% de todo o território do país, ou 9% de sua área agricultável, que será agora usada para produir alimentos para a cresente população de classe média chinesa. É o que mostra o site de economia americano Quartz.

Segundo o analista de mercado Vlamir Brandalizze, a China irá usar a área para a produção de milho e trigo, culturas mais compatíveis com o clima do leste europeu. "Mas essa área não irá produzir da noite para o dia. Eles irão levar de 5 a 7 anos para conseguir produzir tudo o que é possível", afirma.      

Brandalizze diz ainda que os chineses estão se preparando para alimentar sua população urbana cada vez maior. “Os chineses sabem que sua economia e sua população estão crescendo e eles vão precisar de cada vez mais alimentos. Os EUA não terão tanto alimento para a exportação, pois usarão parte do seu milho para a produção de etanol”. 

Sobre a concorrência que os novos investimentos chineses representam para o Brasil, o analista não se mostra muito preocupado. “O Brasil pode continuar produzindo, pois a demanda mundial por alimentos irá crescer em um ritmo acelerado. Mesmo que a China aumente sua produção usando a terra de outros países, essa concorrência vai acontecer de maneira mais leve. Eu acredito que não afete tanto o Brasil à médio e longo prazo”.

Estratégia chinesa
A matéria do site Quartz mostra ainda que, no acordo assinado entre as empresas China Xinjiang Production e Construction Corps (ou XPCC e KSG Agro, uma empresa agrícola ucraniana), as lavouras cultivadas e os porcos criados na região leste de Dnipropetrovsk serão vendidos a tarifas preferenciais para duas empresas estatais de grãos chinesas. O projeto será lançado com 100 mil hectares e, depois de um tempo, irá expandir-se para três milhões. 

O acordo para uso da terra foi fechado depois que a Ucrânia criou uma lei que proibe estrangeiros de comprar terras ucranianas. Como parte do negócio, o banco de Importação e Exportação da China (China  Exim Bank) concedeu à Ucrânia um empréstimo de 3 bilhões de dólares para o desenvolvimento agrícola do país. Em troca de seus produtos, a Ucrânia irá receber sementes, equipamentos, uma fábrica de fertilizantes (Ucrânia importa cerca de 1 bilhão de dólares em fertilizante a cada ano), e uma planta para a produção de um agente de proteção das culturas. 

A empresa chinesa XPCC também disse que vai ajudar a construir uma rodovia na República Autonoma da Crimeia da Ucrânia, bem como uma ponte sobre o Estreito de Kerch, um importante centro industrial e de transporte para o país.

Críticos dizem que a iniciativa é exemplo de uma série de acordos mundiais para uso de terra que se assemelha ao colonialismo, pois se baseia na lógica dos países mais ricos extraindo recursos de países mais pobres. Hoje, esse tipo de negócio está cada vez mais motivado por governos que buscam a segurança alimentar para os seus cidadãos, ao invés da empresas privadas que buscam lucro.

Arábia Saudita, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Grã-Bretanha e Estados Unidos, entre outros países, têm comprado terras estrangeiras, especialmente após pico no aumento dos preços de alimentos em 2007-2008. De acordo com um relatório no ano passado pela ONG Grain, o principal alvo dessas compras é a África, mas também o leste europeu, América Latina e Ásia. Entre 0,7% e 1,75% das terras agrícolas do mundo estão sendo transferidas das mãos de produtores locais para investidores estrangeiros.

Dada a diminuição de suas terras disponíveis para agricultura, a China tem sido um dos investidores mais agressivos. O país consome cerca de um quinto do suprimento de alimentos do mundo, mas é o lar de apenas 9% das terras agrícolas do planeta, devido à sua rápida industrialização e urbanização. O contrato com a Ucrânia é o seu maior investimento agrícola. Desde 2007, a China já comprou terras na América do Sul, Sudeste Asiático e África.

Alguns analistas temem que a parceria Ucrânia-China seja o primeiro passo para uma eventual aquisição chinesa de todas as terras cultiváveis da Ucrânia. Inseguranças semelhantes sobre a segurança alimentar local levaram o governo das Filipinas a bloquear um acordo de investimento com a China; Moçambique também tem resistido a chegada de agricultores chineses.

Outros argumentam que o projeto dá a Ucrânia a oportunidade de aumentar suas exportações de alimentos. Desde o colapso da União Soviética, o país tem sido lento no desenvolvimento de sua indústria agrícola.

Com informações de: qz.com
 

Por: Fernanda Bellei
Fonte: Notícias Agrícolas

5 comentários

  • João Biermann Tapera - RS

    É apenas minha opinião... Do governo a única coisa que poderíamos esperar era que não atrapalhasse, já que ajudar sabemos que não ajuda... Mas do lado dos produtores a coisa ta medonha, o boom de preços da soja fez com que áreas que nunca foram voltadas pra agricultura estejam sendo abertas de qualquer jeito e a qualquer preço, arrendar por 15 sc de soja o h por uma área de campo onde tem que se fazer tudo é insanidade, e no primeiro tropeço do clima ou preços a situação financeira já vai complicar, isso não é um ou outro produtor, são vários, o endividamento é algo crônico, deveria ser tratado com seriedade e não ir empurrando com a barriga, quando o negócio estourar vai ser feio.

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  • wilfredo belmonte fialho porto alegre - RS

    Assim como a água, a produção de alimentos será a maior preocupação das novas gerações. O Brasil não po
    de perder o bonde da história. Enquanto tivermos esta
    visão de misturar política com economia os gargalos da
    nossa produção só irá aumentar. É um absurdo nossa pro
    dução agropecuária ser transportada essencialmente por
    caminhões. Enquanto isso o investimento em ferrovias e
    hidrovias vai a passos paquidérmicos. Viva o nosso PAC
    = Plano de atraso colonial.

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  • Eduardo Lima Porto Porto Alegre - RS

    Em Julho passado, postei um Artigo sobre Angola que dava conta do avanço chinês sobre a Agricultura desse País com mais de 500.000ha garantidos para a CITIC Construction. Por lá existem outras empresas chinesas que já se adjudicaram para cultivar milhares de hectares, assim como argentinos, americanos e europeus. A segurança alimentar não tem Bandeira, não tem Partido e muito menos a conversa fiada de "soberania" que os Esquerdistas cretinos vociferam como motivo para justificar o atraso e os privilégios dos "companheiros". A falta de visão e de liderança na Agricultura Brasileira vai nos levar para o Buraco mais cedo do que se pensa. Não adianta apenas colocar a culpa nos políticos podres que estão aí. Há que se fazer algo, sair da zona de conforto e trabalhar. Quando a Soja retornar a patamares de preço inferiores aos USD 10,00/bushel, a atual estrutura brasileira, principalmente do Centro-Oeste, não terá competitividade. A concentração das terras é um fenômeno natural e que deve ser encarado como parte de um processo em que os bons crescem e os incompetentes sucumbem. Continuemos nessa política criminosa de dar Terra para "pseudo-indio" e para Vagabundos (MST) venderem como loteamento e veremos esse País se tornar um deserto em pouco tempo. Nos tornaremos importadores de alimentos ou até mesmo dependentes de doações, se continuarmos nessa trilha influenciada por Fidel Castro e o seu Fórum de São Paulo.

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  • Valdir Edemar Fries Itambé - PR

    APENAS INFORMANDO...China teria comprado apenas 5% da Ucrânia (mas o parceiro ucraniano nega)...SEGUE: Update (09:21 ET) da Ucrânia KSG Agro lançou hum Comunicado de Hoje, 24 de setembro, negando RELATOS DE Que havia chegado a hum according parágrafo à venda de 3 milhoes de hectares a UMA Empresa Chinesa. De Hong Kong South China Morning Post relatou hum according Entre KSG Agro e da China Xinjiang Production and Construction Corps, (XPCC) EM QUE a China Seria Capaz de cultivar uma área POR ATÉ 50 anos. O Jornal cita UMA declaração XPCC Como fazer uma Fonte de Seu relatorio. Quartzo eletrônicos To Us Link Meios de Comunicação also informou sobre a História.
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    Na SUA declaração, o Warsaw-listado Empresa Agrícola, Disse Que ESTA Trabalhando apenas com OS SEUS Parceiros chineses los hum Projeto de instalaçao de Sistemas de Irrigação POR gotejamento los UMA área de 3.000 hectares na Ucrania nenhuma Próximo Ano. "KSG Agro nao tem um Intenção UO ter o Direito de vender terras AOS Estrangeiros, incluíndo OS chineses ", Disse o local Comunicado publicado em Seu, Disse. XPCC da China Localidade: Não puderam serviços imediatamente contatados parágrafo Comentar o ASSUNTO. ..LINK http://qz.com/127258/why-china-just-bought-one-twentieth-of-ukraine/

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  • OTAVIO BEHLING Cuiabá - MT

    COM CERTEZA A CHINA DEVE TER FEITO O "EIA RIMA", CAR., LAU, GEORREFERENCIAMENTO, DEVE TER RECEBIDO O AVAL DAS ONGs., DOS AMBIENTALISTAS E DA FUNAI DE PLANTÃO DA UCRÂNCIA. MAS, FALANDO SÉRIO, O BRASIL PERDEU UM GRANDE PARCEIRO E VAI CONTINUAR PERDENDO GRAÇAS A MIOPIA INSTITUCIONAL.

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