Dilma prepara volta de tributo sobre combustiveis, a CIDE

Publicado em 26/11/2014 11:35 e atualizado em 26/11/2014 17:51 1248 exibições

A volta da cobrança da Cide (contribuição para regular o preço dos combustíveis) faz parte do pacote fechado pelo ministro Guido Mantega (Fazenda) e apresentado na terça-feira (25) à presidente Dilma Rousseff com medidas para reequilibrar as contas públicas.

Questionada sobre o assunto na reunião do G20, na Austrália, há dez dias, Dilma disse que a volta do tributo "não estava na pauta" do governo.

"Eu não discuti criação da Cide com ninguém. Eu não discuti. Pode ter alguém interessado na criação da Cide, não é? E deve ter muita gente interessada na criação da Cide. Não estou dizendo que nunca se vai criar a Cide, mas isso não está na nossa pauta", disse na ocasião.

Segundo a Folha apurou, a decisão final será tomada em reunião da presidente com a nova equipe econômica. Nesta terça (25), ela recebeu no Planalto o futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o novo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. O anuncio deverá ser feito nesta quinta-feira.

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Além da Cide, o plano inclui propostas de redução de despesas com seguro-desemprego, abono salarial e pensão pós-morte. As duas primeiras atingem cerca de R$ 45 bilhões por ano.

Leia a notícia na íntegra no site da Folha de S. Paulo.

 

 

SACO DE MALDADES – Dilma prepara a volta do imposto sobre combustíveis

Essa Dilma Rousseff… Nesta terça, ficamos sabendo que a “represidenta” pretende dar uma freada nas generosidades do BNDES, diminuindo, na prática, o seu peso no financiamento da economia. Já não era sem tempo, não é? Afinal, o governo pega dinheiro do mercado a 11,25%, transfere parte da bufunfa para o banco, que o empresta a 5% a alguns escolhidos. Mas todos pagam a conta. Uma lindeza! Nesta quarta, mais uma notícia a revelar um governo nas cordas. Dilma vai, na prática, elevar o preço dos combustíveis, mas, desta feita, não para diminuir o rombo da Petrobras, mas para diminuir o rombo do… governo. E como será feito? Com a volta de um imposto, chamado eufemisticamente de “contribuição”.

A Folha informa que, no pacote de medidas para minorar os descalabros das contas públicas, Guido Mantega incluiu a volta da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico). A cobrança, estima o governo, pode arrecadar até R$ 14 bilhões. O Planalto também está de olho, informa o jornal, no seguro-desemprego, abono salarial e pensão pós-morte; os dois primeiros itens atingem cerca de R$ 45 bilhões por ano.

A presidente Dilma esteve nesta terça com Joaquim Levy e Nelson Barbosa, futuros ministros da Fazenda e do Planejamento, respectivamente. A intenção é fechar um conjunto de medidas que seriam divulgadas junto com a oficialização da nova equipe. Mantega deve passar o bastão na segunda, mas se despede já na sexta. Ufa! Já não era sem tempo.

Voltar a cobrar a Cide corresponde a tentar reequilibrar as contas aumentando imposto, em vez de cortar gastos. Dilma certamente sabe que não é uma medida simpática, o que evidencia o desespero do governo. Mas aguardemos o conjunto de medidas para saber se a lógica abraçada será mesmo a de bater um pouco mais a carteira da sociedade em vez de o governo passar a gastar de forma mais responsável.

Por Reinaldo Azevedo

 

 

Editorial do Estadão:

Vermelhão nas contas externas

Em mais uma notável demonstração de otimismo, os economistas do Banco Central (BC) mantiveram a projeção de US$ 3 bilhões de superávit comercial neste ano, com US$ 240 bilhões de exportações de bens e importações de US$ 237 bilhões. Esses números foram divulgados na segunda-feira, juntamente com as contas externas atualizadas até outubro. Na sexta-feira, o próprio BC havia coletado uma estimativa muito menos entusiasmante em sua pesquisa Focus, conduzida semanalmente no mercado financeiro. A mediana das previsões do pessoal do mercado ficou em modestos US$ 100 milhões. Quatro semanas antes ainda estava em US$ 2,1 bilhões. Mas até a nova previsão, embora muito modesta, pode ser, nesta altura, irrealista. As últimas informações oficiais sobre o comércio exterior, publicadas também na segunda-feira, mostram um saldo fortemente marcado de vermelho.

O Brasil teve um déficit comercial de US$ 4,12 bilhões, neste ano, até o dia 23 de novembro, segundo o Ministério do Desenvolvimento. As exportações acumuladas nesse período, de US$ 203,7 bilhões, foram 5,3% menores, em valor, que as de um ano antes. As importações, de US$ 211,37 bilhões, foram 3,5% inferiores às de igual período de 2013. As comparações, nos dois casos, são baseadas nas médias por dia útil. No ano passado, até a terceira semana de novembro, o saldo era um déficit de US$ 284 milhões.

A conta foi fechada no fim do ano com um superávit de US$ 2,39 bilhões, graças, principalmente, à venda de duas plataformas de exploração de petróleo - uma no valor de US$ 1,8 bilhão, em novembro, outra por US$ 1,2 bilhão, em dezembro. As duas, como outras exportadas sob o mesmo regime de benefício fiscal, continuaram no País, mas os valores inflaram a receita comercial.

Neste ano, qualquer manobra desse tipo será mais complicada. Só para equilibrar a conta, isto é, para eliminar o déficit, será preciso acumular um superávit de US$ 4,12 bilhões nas cinco semanas entre 23 de novembro e o fim de dezembro.

Para alcançar o saldo projetado pelo BC, de US$ 3 bilhões, será necessário um resultado positivo, em menos de um mês e meio, de US$ 7,12 bilhões. Alguém terá de providenciar a venda fictícia de umas quatro plataformas para garantir esse resultado. Mesmo o raquítico superávit de US$ 100 milhões ainda estimado pelos economistas do setor financeiro dificilmente será obtido sem muita sorte ou sem algum expediente criativo.

Desde setembro a conta do comércio exterior tem piorado. Nos dois primeiros meses desse período houve déficits de US$ 940 milhões e US$ 1,18 bilhão. Em novembro, o saldo acumulado em três semanas foi um buraco de US$ 2,25 bilhões. A piora tem resultado tanto da redução de preços de produtos básicos e semimanufaturados quanto dos problemas no comércio de manufaturados. Mas o quadro poderia ser pior. A estagnação brasileira afetou a demanda de importações. As compras de bens estrangeiros também diminuíram, embora menos que as vendas ao exterior.

Misturam-se nesse quadro vários problemas. Um dos mais visíveis é o baixo poder de competição da indústria. Essa condição resulta de várias disfunções, conhecidas, na maior parte, como custo Brasil. Muito menos discutida é a excessiva dependência das vendas de produtos básicos e, portanto, da demanda chinesa de matérias-primas. Uma indústria mais dinâmica, fortalecida por mais investimentos e menos travada por impostos e outros fatores de distorção, tornaria o comércio exterior mais seguro e mais propício ao crescimento econômico.

Outro tipo de problema é o financiamento das contas externas. Em 12 meses o déficit em conta corrente - o registro mais amplo das transações com o exterior - chegou a US$ 84,43 bilhões, ou 3,73% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado para o período. O investimento direto estrangeiro, a fonte mais saudável de financiamento da conta corrente, ficou em US$ 66 bilhões. O resto foi coberto com capitais menos seguros e mais sujeitos a movimentos especulativos.

 

Agronegócio - adição de valor e internacionalização

por MARCOS SAWAYA JANK - O ESTADO DE S.PAULO

 

O equilíbrio da balança comercial brasileira depende fundamentalmente do desempenho do agronegócio. Em 2013 o superávit do setor alcançou US$ 83 bilhões, ante um déficit de US$ 81 bilhões dos demais segmentos da economia.

O sucesso do Brasil nasce com o forte crescimento da população, urbanização e renda per capita no mundo em desenvolvimento, principalmente em regiões extremamente escassas em recursos naturais como a Ásia e o Oriente Médio, que concentram mais de 60% da população do planeta. Mas foi graças aos ganhos de produtividade e eficiência sistêmica nas três últimas décadas que nos tornamos um player global respeitado e temido no mundo das commodities de origem agrícola.

Hoje nossas commodities agropecuárias e agroindustriais ajudam a garantir a segurança alimentar e o controle da inflação em mais de 200 países, mas pouco sabemos sobre o que ocorre com elas após deixarem nossos portos. Nossa experiência de diferenciação e adição de valor nas cadeias alimentares globais é bastante limitada. Restringe-se a poucas marcas internacionais e quase nenhum domínio dos canais de distribuição e consumo fora do Brasil.

O exemplo mais notório da desenvoltura com que navegamos no mundo das commodities é o complexo soja, principal item da pauta de exportações brasileiras. Junto com o minério de ferro, a soja responde por 75% das exportações brasileiras para a China, sustentando o superávit comercial que mantemos com esse país. Acontece, porém, que a maior parte da soja brasileira é produzida nos Estados do Centro-Oeste, roda 1.500 km de caminhão em estradas precárias para chegar aos portos congestionados do Sul, é embarcada em navios pequenos e atravessa o mundo para virar ração para alimentar suínos e aves na China. O milho brasileiro já começa a seguir o mesmo caminho.

Não há dúvida de que a cadeia brasileira de suprimento de ração animal para a China se provou eficiente, ainda que longa e custosa. Mas será ela sustentável no longo prazo? Seu balanço ambiental, hídrico, energético se justifica ante o crescimento exponencial do consumo de carnes na Ásia? Representa ela o maior valor que o Brasil poderia receber pelos recursos naturais e esforços demandados? No agronegócio vamos continuar unicamente na posição de exportadores de grandes volumes de matérias-primas padronizadas? Ou teríamos espaço para inovar: desenvolver produtos adaptados a diferentes segmentos de consumidores, dominar canais de distribuição, estabelecer relações diretas com varejistas e consumidores, desenvolver campanhas de comunicação, consolidar marcas globais?

Creio que hoje temos um jogo muito mais sofisticado a ser enfrentado. Em vez de apenas entregar commodities básicas nos portos brasileiros, temos oportunidades fantásticas para, de um lado, agregar valor aos produtos exportados e, do outro, internacionalizar nossas empresas, dominando canais de logística e posicionando marcas brasileiras no exterior.

Agregar valor aos produtos exportados significa, no caso da soja e do milho, darmos um passo além da exportação de matérias-primas que valem menos de US$ 500 por tonelada. Esse valor poderia ser de quatro a dez vezes maior se conseguirmos ampliar as exportações de proteínas de origem animal (carnes e lácteos), o que inclusive mitigaria o peso dos fretes terrestre e marítimo.

Internacionalizar as empresas brasileiras do agronegócio é um segundo passo ainda mais sofisticado, certamente possível e desejável para o País. A construção de plantas industriais no exterior traz consigo o uso e a difusão de know-how e tecnologia nacionais e a geração de empregos para brasileiros no País e lá fora. Pode, ainda, representar um caminho fundamental para atingir segmentos de mercados que jamais seriam alcançados a partir do nosso país (por exemplo, em razão das restrições de vida útil dos produtos por causa do longo transporte marítimo) ou mesmo abrir mercados inteiros e promissores que hoje estão fechados para o Brasil. Países tendem a facilitar o acesso a seus mercados se empresas estrangeiras realizarem investimentos locais.

É com esse objetivo que a BRF, detentora das marcas Sadia e Perdigão, inaugura amanhã, no deserto de Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos, a maior fábrica de processamento de alimentos à base de carnes do Oriente Médio. Com investimentos de US$ 160 milhões, essa planta industrial vai produzir cerca de 70 mil toneladas de alimentos processados por ano, gerando mais de mil empregos para cidadãos de 15 nacionalidades. Serão produzidos mais de cem itens, entre hambúrgueres, presuntos, salsichas, empanados, marinados e pizzas, atendendo a gostos e hábitos de consumo locais - em termos de preparo, condimentação, embalagens, etc. -, além de seguirem estritamente os preceitos islâmicos da produção Halal.

A nova fábrica opera de forma integrada com o Brasil, pois basicamente reprocessa localmente carnes congeladas sem osso produzidas em milhares de pequenas propriedades rurais familiares principalmente na Região Sul do nosso país. A integração de cadeias globais de produção, como no caso dessa planta, traz como principal benefício a garantia de qualidade, segurança sanitária e rastreabilidade dos alimentos produzidos, exigências cada vez mais importantes no Oriente Médio e na Ásia. Com fábricas como essa conseguimos integrar todas as etapas da cadeia produtiva, desde a genética das aves até o consumidor final no exterior.

As empresas brasileiras já estão maduras para avançar e participar do tabuleiro das cadeias de valor do agronegócio global, com estratégias que ultrapassam o comércio e a entrega de commodities nos portos brasileiros. Estamos inaugurando uma nova fase, cuja característica são os produtos diferenciados de maior valor adicionado, a presença local no exterior com produção e distribuição e a consolidação global das grandes marcas brasileiras.

*Marcos Sawaya Jank é diretor executivo global de assuntos corporativos da BRF. E-mail: [email protected] 

 

 

Fonte:
Folha de S. Paulo / Estadão

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