Dólar cai 1,37% frente ao real na sessão, mas marca terceira alta mensal seguida

Por Bruno Federowski
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda de mais de 1 por cento em relação ao real nesta sexta-feira diante de um quadro global favorável mas ainda marcou o terceiro mês consecutivo de alta, tendência que operadores esperem que continue em meio a incertezas locais e globais.
O dólar recuou 1,37 por cento, a 4,0243 reais na venda. A moeda norte-americana caiu 2,10 por cento na semana, mas acumulou alta de 1,93 por cento no mês, ampliando o fortalecimento dos últimos três meses a 4,18 por cento.
"Tivemos muitas entradas de recursos hoje, mas não espero que o dólar sustente a queda. Patamares abaixo de 4 reais devem atrair compra", disse o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado.
O dólar atingiu 3,9940 reais na mínima desta sessão, mas logo reduziu as perdas e voltou acima dos 4 reais.
Nos mercados externos, moedas emergentes reagiram positivamente à surpreendente decisão do banco central japonês de adotar juros negativos. A medida reduz o custo de operações conhecidas como "carry trade", quando operadores captam recursos no exterior e os reinvestem em ativos que pagam juros altos.
Também ajudou o humor o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no quarto trimestre, que confirmou uma desaceleração abrupta na maior economia do mundo. O dado deu força à percepção de que o Federal Reserve, banco central norte-americano, pode demorar mais tempo que o esperado para voltar a elevar os juros.
Mesmo assim, operadores continuam apreensivos com o cenário local e esperam que a moeda norte-americana volte a subir em breve, especialmente após a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) alimentar apostas de que os juros básicos podem não subir neste ano. A moeda norte-americana chegou a subir nesta manhã, atingindo 4,0965 reais na máxima da sessão.
O J.P.Morgan elevou sua previsão para o câmbio e passou a estimar que o dólar atingirá 4,70 reais no fim de 2016, argumentando que a manutenção da Selic levou à desancoragem das expectativas de inflação.
As medidas de estímulo ao crédito anunciadas na véspera somando 83 bilhões de reais também eram motivo de cautela. O anúncio vem em um momento de inflação de dois dígitos apesar da profunda recessão econômica.
A consultoria de risco político Eurasia Group apontou que o anúncio mostra alguma incoerência, sugerindo que "a política econômica será cada vez mais errática conforme a presidente tenta equilibrar a necessidade de aplacar a base aliada... e a necessidade de ajuste fiscal", ecreveram em relatório.
Analistas do BBVA salientaram que, embora a medida não tenha impacto fiscal imediato, pode afetar os resultados dos bancos públicos no futuro e, consequentemente, as contas públicas.
O BC brasileiro realizou nesta sessão leilão de linha de até 1,8 bilhão de dólares. A operação teve como fim a rolagem de contratos que vencem em fevereiro, segundo a assessoria do BC.
(Por Bruno Federowski)
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