Preços do petróleo sobem após encontro do G20, acordo Rússia/Arábia Saudita e saída do Qatar da Opep

Publicado em 03/12/2018 12:13 e atualizado em 03/12/2018 15:47
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Os contratos futuros do petróleo iniciaram a segunda-feira (03) registrando altas de até 5%. Por volta das 12h04 (horário de Brasília) as cotações do petróleo Brent atingiam 4% com valor de U$ 61,84 por barril. Os indicies retomam crescimento, após oito semanas seguidas registrando quedas médias de 4,33%, impulsados pelo encontro de Donaldo Trump e Xi Jinping na cúpula do G20, um acordo para reduzir a produção no mundo e o anúncio da saída do Qatar da Opep.

Apesar do petróleo não estar incluído na lista de produtos que enfrentavam tarifas de importação entre China e Estados Unidos, o sentimento positivo após a trégua entre as duas maiores economias do mundo impulsionou os resultados do mercado. Segundo informações da Reuters Internacioanl, como reflexo do encontro a refinaria chinesa Shandong Yuhuang Petrochemicals recebeu a primeira remessa de petróleo vinda dos EUA nos últimos dois meses.

Outro fator que contribuiu para essa valorização foi o acordo entre Rússia e Arábia Saudita para reduzir a produção mundial de petróleo. Os sauditas sinalizavam que gostariam de diminuir a oferta do produto para estabilizar o mercado, mas tinham dificuldades para encontrar aliados com a recusa de Nigéria e dos próprios russos. Porém, na última terça-feira (27) o Ministério da Energia da Rússia se reuniu com chefes da produção doméstica de petróleo. "A ideia da reunião foi que a Rússia precisa reduzir. A questão-chave é o quão rápido e em quanto", disse uma fonte familiar às conversas entre as empresas de petróleo russas e a pasta em entrevista para a Reuters.

Seguindo este mesmo caminho, a província canadense de Alberta anunciou no domingo (02), por meio de sua primeira ministra Rachel Notley, que irá reduzir a oferta de petróleo para 325,000 barris por dia, uma queda de 8,7% na produção diária a partir de janeiro de 2019. Segundo análise da CTV News de Alberta no Canadá, a medida deverá aumentar os preços locais em até 4 dólares levando à um aumento para o governo de $ 1,1 bilhões entre 2019 e 2020. “A situação atual é o resultado direto do fracasso em construir oleodutos nos últimos anos, incluindo o cancelamento de múltiplos projetos de oleodutos viáveis. É verdadeiramente escandaloso que nossa província tenha chegado ao ponto em que uma decisão tão grave deve ser considerada”, disse Jason Kenney, integrante da Assembleia Legislativa de Alberta.

O último dos ingredientes para esse aumento nos valores do barril de petróleo é o anúncio de que o Qatar irá deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) a partir de janeiro 2019. Responsáveis por menos de 2% da produção de petróleo da Opep, o país comunicou sua decisão nesta segunda-feira (03) para focar seus esforços na produção de gás natural liquefeito, produto em que são líderes mundiais de exportação. A recente e crescente tenção entre Qatar e Arábia Saudita dentro da liderança da Opep também contribuiu para essa decisão.

Na próxima quinta-feira (06) e sexta-feira (07) irá acontecer o encontro da Opep e seus aliados sediado na cidade austríaca de Viena. Entre as discussões do grupo estarão as definições sobre a diminuição da produção mundial para 2019 e como os 14 membros restantes vão amenizar o impacto de perder um membro de longa data frente a tentativa de mostrar uma frente unida antes dessa decisão tão importante. "Isso pode sinalizar um ponto de virada histórica da organização em relação à Rússia, Arábia Saudita e Estados Unidos (os três maiores produtores mundiais)", disse o ex-ministro da Energia da Argélia e presidente da Opep, Chakib Khelil, comentando a decisão do Catar para a Reuters Internacional.

Algodão e açúcar acompanham tendência de alta

Influenciados por essa alta registrada nos preços internacionais do petróleo, outros produtos também apresentam valorizações em suas cotações, em especial o algodão e o açúcar.

As cotações do algodão, que apresentam tendências de seguir os preços do petróleo, da onde derivam as fibras sintéticas utilizadas na indústria têxtil, subiam 3,56% na bolsa de Nova Iorque atingindo o preço de U$ 81,72 por volta das 11h57 (horário de Brasília). Essa é a maior taxa percentual de aumento no segundo semestre de 2018.

Já os preços do açúcar, matéria prima utilizada para a produção do etanol, concorrente do petróleo como combustível, apresentavam alta na bolsa de NY de 0,23% sendo cotados a U$ 12,87 por volta das 12h00 (horário de Brasília). Esse é o maior preço registrado desde o dia 07 de novembro, quando o produto apresentou valor de U$ 13,01.

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Por: Guilherme Dorigatti
Fonte: Notícias Agrícolas

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