Soja e demais mercados amenizam perdas após tensão inicial com prisão na China

Publicado em 06/12/2018 18:43 e atualizado em 06/12/2018 22:23
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O dia foi de intensa volatilidade para o mercado de commodities nesta quinta-feira (6) e para a soja não foi diferente. Ao longo dos negócios, as cotações da oleaginosa na Bolsa de Chicago chegaram a perder mais de 1% - ou mais de 10 pontos -, mas foram amenizando suas perdas, para terminar o pregão com pequenas baixas de pouco mais de 3 pontos entre os principais vencimentos. 

Os preços, apesar dessas perdas, seguem mantidos acima dos US$ 9,00 por bushel, com janeiro/19 valendo US$ 9,09 e o maio/19, referência para os negócios no Brasil, com US$ 9,35. 

Durante todo o dia a commodity operou em campo negativo, acompanhando a queda generalizada das demais commodities - não só as agrícolas - e os índices acionários, que também despencaram depois da notícia da prisão da diretora financeira da empresa de teconologia chinesa Huawei a pedido dos EUA. 

A informação foi recebida pelos mercados financeiros com muito temor, em um momento que se esperava mais detalhes sobre a trégua na guerra comercial entre China e Estados Unidos por Donald Trump e Xi Jinping. Esse primeiro consenso estaria, portanto, ameaçado pela ação dos americanos. 

Assim como a soja, porém, as baixas foram se amenizando no final do dia também em outros mercados e os índices acionários, principalmente os dos EUA, que cediam mais de 3%, no final da tarde desta quinta-feira, já apresentavam perdas de pouco mais de 1% ou até menos do que isso. Era possível notar que o desespero inicial foi dando mais espaço á cautela entre os traders.

O mesmo pôde ser observado entre as commodities. O petróleo, que liderava as perdas no início do dia com perdas de mais de 4%, também reduziam as baixas, que eram de pouco mais de 2% tanto em Londres, quanto em Nova York. 

Segundo análises internacionais, essa preocupação com a prisão da executiva chinesa no meio desse "cessar-fogo" temporário pode endurecer ainda mais o discurso dos dois presidentes - chinês e americano - bem como reacende as preocupações de que essa disputa entre as duas maiores economias do mundo segue compromentendo e muito o crescimento econômico global. 

"Os mercados financeiros seguem muito voláteis diante das apostas de que a tréfia de Trump e Xi não irá durar depois da prisão de Meng Whanzou", explicaram analistas da agência internacional de notícias Bloomberg. 

E há, ao lado da prisão de Meng e da já em curso guerra comercial, uma séria de outros fatores que segue pesando sobre os mercados e promovendo dias como este, que os traders esperam agora por informações que possam equilibrar o cenário. 

"Há tantas forças pesando sobre os mercados neste momento, como o menor crescimento da China, dados fracos da economia da Europa, as informações do Federal Reserve, além do Brexit. E por isso precisamos mesmo ver a estabilidade em algum destes itens para ver o mercado se estabilizar", dissa o pesquisador da internacional Nomura à Bloomberg, Bilal Hafeez. 

Como explicou o economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, a prisão da herdeira da Huawei se trata somente de mais combustível para um processo de tensão e desgaste já iniciado entre a China e os Estados Unidos, principalmente nesse período de falta de detalhes sobre a trégua. 

"Ainda não se sabe as consequências dessa prisão efetivamente, mas o mercado está mais estressado com a ausência de uma indicação que pode ser esse acordo de guerra comercial, com em relação à prisão. A prisão é um fator negativo a mais, mas a reação do mercado é de um mercado em stress, sem indicadores mais concretos", diz Vieira em entrevista ao Notícias Agrícolas. 

Veja, no link abaixo, a entrevista na íntegra:

>> Prisão de empresária só acelera um processo de desgaste que a trégua na guerra comercial vem sofrendo com falta de definição

Dólar tem 3ª alta seguida ante dólar com exterior, mas expectativa de menos juros nos EUA alivia pressão

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Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar terminou em alta pela terceira sessão seguida, mas muito longe das máximas, quando encostou em 3,95 reais, em dia de renovada aversão ao risco global após a prisão de uma executiva da gigante chinesa Huawei, intensificando os temores de guerra comercial entre Estados Unidos e China poucos dias depois de um encontro histórico entre os presidentes dos dois países.

O dólar avançou 0,18 por cento, a 3,8751 reais na venda, acumulando nestes três dias seguidos de valorização 0,85 por cento.

Na máxima, a moeda foi a 3,9440 reais e, na mínima, a 3,8772 reais. O dólar futuro tinha avanço de cerca de 1,5 por cento.

"É negativo para a China...e se é negativo para a China é também para os países emergentes. É dólar mais forte...sugere menos exportações do Brasil", avaliou a estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte.

Meng Wanzhou, vice-presidente financeira da Huawei e filha do fundador da empresa, Ren Zhengfei, foi presa em Vancouver e enfrenta uma possível extradição para os EUA por supostas violações de sanções dos EUA.

A notícia afetou as esperanças de que fossem amenizadas as tensões comerciais entre Estados Unidos e China depois da trégua de 90 dias acertada entre as partes no último sábado.

O episódio é mais um a se somar à aversão ao risco global. Na véspera, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, já tinha dito que seria forçado a responder se os EUA saírem do Tratado de Controle de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF, na sigla em inglês), um dia depois de os norte-americanos darem um ultimato de 60 dias aos russos.

Em meio à tensão geopolítica e guerra comercial, o achatamento da curva de juros norte-americana no começo da semana também levantou preocupações sobre uma possível recessão na maior economia do planeta.

No exterior, o dólar subia ante as divisas emergentes, como o peso chileno e o rublo. Mas passou a cair ante a cesta de moedas após dados mais fracos de abertura de vagas no mercado privado norte-americano, entre outros.

O viés de baixa foi reforçado lá fora --e aliviou a alta doméstica-- com a fala do presidente do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic, que disse que o banco central dos Estados Unidos está bem perto da taxa de juros neutra, o que o mercado entendeu como um sinal de menos apertos monetários à frente.

As declarações elevaram as expectativas para os dados do mercado de trabalho dos EUA no dia seguinte, com expectativa de abertura de 200 mil vagas, e também para a reunião de dezembro do Fed, para a qual se espera a quarta alta de juros deste ano.

Internamente, os investidores mantinham a cautela com o novo governo e as indefinições sobre reforma da Previdência e a cessão onerosa.

"Acho que é cedo para sabermos como será a articulação do governo, vamos ter condição de avaliar em janeiro ou fevereiro. Mas o mercado está ansioso... é mais um ponto negativo a pressionar o câmbio", acrescentou Fernanda.

O BC vendeu nesta sessão 13,83 mil contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou 2,766 bilhões de dólares do total de 10,373 bilhões de dólares que vence em janeiro.

Se mantiver essa oferta diária até dia 21 e vendê-la integralmente, terá concluído a rolagem total.

"Se a situação de fato se agravar para emergentes, o BC pode reforçar a oferta de swap", comentou a especialista do Ourinvest.

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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