China ainda não faz novas compras de soja nos EUA apesar de possível acordo

Publicado em 04/03/2019 16:35 e atualizado em 06/03/2019 13:28
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Trump pede retirada imediata das tarifas da China sobre produtos agrícolas americanos

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"Eu pedi a China que retirasse imediatamente todas as tarifas sobre nossos produtos agrícolas e baseado no fato de que estamos evoluindo em nossas discussões comerciais. E não aumentei nossa segunda rodada de tarifas para 25% em 1º de março. Isso é muito importante para os nossos produtores rurais e para mim". Essas foram as palavras do presidente americano Donald Trump, mais uma vez em sua conta no Twitter, para falar sobre as relações comerciais entre chineses e americanos.

Um representante do alto escalão do governo chinês, no entanto, informou no domingo que uma decisão sobre o caso ainda não havia sido tomada. 

Embora nada tenha sido efetivado ainda, em um mercado vazio de notícias confirmadas de novas verdades, os preços da soja na Bolsa de Chicago parecem se apegar às notícias de que, de fato, um acordo estaria mais próximo do que em outras situações. Assim, por volta de 12h15 (horário de Brasília), subiam mais de 12 pontos entre as posições mais negociadas. 

A novela da disputa comercial já dura um ano e todos os rumores saídos de reuniões entre representantes dos dois países não se confirmaram. E o impacto efetivo desse pedido de Trump ainda não é conhecido pelo mercado. Isso, principalmente, depois de ter sido noticiado que um acordo entre os dois países já estaria pronto, somente para ser assinado em meados de março. O dia 27 já começa a ser cogitado pelo mercado. 

>> China x EUA: Acordo estaria pronto para ser assinado em meados de março por Xi e Trump

Enquanto isso, algumas das poucas confirmações que chegam ao mercado são de uma das piores crises de renda sofridas pelos agricultores americanos desde a década de 70. Os produtores fazem as contas, planejam a próxima safra - já prevendo uma significativa redução na área dedicada à soja - ao passo em que o presidente americano segue com suas declarações. 

"Falando em China, estamos indo muito bem para fazer algo especial. Mas, vamos ver. Eu estou sempre preparado para caminhar. Nunca temo deixar um acordo e farei isso com a China também se as coisas não funcionarem", disse após uma reunião na Coreia do Norte, como noticiou a agência de notícias Bloomberg. 

O gráfico abaixo, também da Bloomberg, mostra como as exportações dos EUA para a China no setor agrícola caíram de forma severa nos últimos meses, depois da imposição das tarifas. Afinal, a nação asiática é um dos principais destinos dos produtos norte-americanos. Entre os itens que mais se destacam estão as oleaginosas, os cereais, laticínios e carnes. 

Em bilhões de dólares, somente as oleaginosas caíram de US$ 14.565 bi em 2017 para US$ 7.678 em 2018. E em 2019 a demanda chinesa por produtos dos EUA ainda segue fraca. 

Gráfico Bloomberg

Depois das sinalizações de acordo, a China, por meio de suas estatais - as quais estão isentas da tarifa de 25% -, fizeram algumas compras de soja nos EUA. O volume total do confirmado, todavida, ficou aquém das expectativas do mercado e foi insuficiente para mudar o cenário atual. Ademais, como explicam especialistas, é necessário que a tarifa caia para que as empresas privadas, que respondem pelo maior volume de soja compradas, se voltem ao mercado dos EUA. 

Essa suspensão da alíquota viria também combinada, ainda como explica a Bloomberg, com a proposta da China de compras adicionais de US$ 30 bilhões em produtos agrícolas dos EUA, como foi noticiado na semana retrasada. Mais uma vez, ainda nada disso foi confirmado ou já começou a acontecer. 

Além disso, ainda como noticiam agências internacionais, autoridades chinesas afirmaram que para a efetivação de qualquer acordo é preciso ainda que os EUA retirem suas taxações sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses. Entretanto, fontes que acompanham as negociações de perto, afirmam que os EUA têm utilizado essas tarifas como "garantia para que a China não volte atrás no acordo". Os casos em vigor na Organização Mundial do Comércio também são utilizados como ferramenta de barganha. 

Entre as ofertas feitas pela China estão tarifas mais baixas para produtos agrícolas, químicos, automóveis e outros produtos americanos. 

Soja x Acordo

Já faz uma semana que o Secretário de Agricultura do EUA, Sonny Perdue, afirmou que a China teria se comprometido a comprar mais soja americana, porém, efetivamente, nenhuma nova venda foi feita até agora. E também à Bloomberg, traders que acompanham de perto o mercado chinês afirmam que nenhum acordo sobre a oleaginosa foi realmente fechado. 

"Houve, certamente, muita conversa. Mas não vimos nenhuma evidência de que os exportadores americanos estejam alinhando o frete marítimo para enviar grandes volumes de commodities agrícolas (dos EUA) para a China", diz o economista chefe da INTL FCStone, direto dos EUA, Arlan Sunderman. 

Outros boatos dão conta ainda de que as compras que a China poderia estar planejando seriam de volumes para embarques entre junho e dezembro, respondendo à oferta da nova safra, o que, no entanto, ainda não alivia o cenário de altos estoques da safra velha, os quais superam 20 milhões de toneladas. 

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EUA e China estão "à beira" de possível fim da guerra comercial, diz Pompeo

WASHINGTON/PEQUIM (Reuters) - O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse nesta segunda-feira que os Estados Unidos e a China estão "à beira" de um acordo para encerrar a guerra comercial, reforçando sinais positivos de negociações de ambos os lados do Pacífico.

Em uma série de entrevistas a emissoras de rádio e televisão em Iowa, Pompeo disse esperar que um acordo seja fechado nas próximas semanas para tornar mais justo o comércio entre as duas maiores economias do mundo e eliminar as tarifas retaliatórias da China sobre as commodities agrícolas de Iowa, como a soja.

"Nós estamos tentando corrigir isso, consertar isso, torná-lo justo e recíproco e acho que estamos à beira de fazer isso e espero que todas essas tarifas desapareçam, todas essas barreiras", disse Pompeo à televisão KCCI em Des Moines, onde ele estava participando de uma conferência de agricultores.

Seus comentários ecoaram sentimentos positivos na segunda-feira do consultor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, e de um porta-voz do parlamento chinês.

Hassett disse à Fox Business Network que um acordo com a China é agora possível, dado o recente progresso nas conversações relatadas pelo representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer.

"Eu acho que parece que o embaixador Lighthizer fez muito progresso, e podemos chegar lá sobre a China", disse Hassett, acrescentando que detalhes de qualquer acordo ainda estão sendo trabalhados.

"Acho que todos estão esperançosos, como os mercados, de que isso chegará à linha de chegada em breve", disse Hassett.

Os Estados Unidos têm exigido que a China faça mudanças substanciais em suas leis e práticas para proteger a propriedade intelectual dos EUA, acabe com as transferências forçadas de tecnologia dos EUA para empresas chinesas, restrinja os generosos subsídios industriais e abra o mercado interno para as empresas norte-americanas.

Além disso, Washington tem procurado aumentar as compras chinesas de bens dos EUA, incluindo commodities agrícolas e de energia e produtos manufaturados, para reduzir o déficit comercial dos EUA com a China que o governo estima em mais de 417 bilhões de dólares em 2018.

Fontes a par das negociações disseram à Reuters que os dois lados ainda têm trabalho substancial pela frente para chegar a um acordo sobre uma maneira de garantir que a China cumpra suas promessas. As negociações ainda podem entrar em colapso se não for possível chegar a um acordo sobre a aplicação dessas chamadas questões "estruturais".

"Estamos ouvindo que as coisas estão muito adiantadas e as questões de fiscalização são o maior ponto de discórdia", disse Erin Ennis, vice-presidente sênior do Conselho Empresarial dos EUA, um grupo representando empresas dos EUA que fazem negócios na China.

Embora tenha havido progresso na linguagem para atender às demandas dos EUA em propriedade intelectual, subsídios e acesso a mercados, ela acrescentou: "Seria difícil finalizar a negociação se o plano de execução não for resolvido".

No domingo, Trump disse no Twitter que as negociações comerciais estavam progredindo bem e pediu à China para remover imediatamente todas as tarifas dos produtos agrícolas dos EUA, enquanto adia seu próprio plano de impor tarifas de 25 por cento sobre os produtos chineses.

Um encontro entre Trump e Xi poderia ocorrer ao redor de 27 de março para finalizar o acordo, disse o Wall Street Journal no domingo, citando uma fonte a par das negociações.

Um representante para a Casa Branca não quis comentar as negociações em andamento.

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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