Dólar tem maior alta em 22 meses e vai a R$3,90, com exterior e incertezas sobre Previdência

Publicado em 22/03/2019 10:15 e atualizado em 22/03/2019 18:41
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Previdência é vista sob risco com o potencial de ruído que o MDB pode fazer no andamento da reforma na Câmara, já complicada pelas propostas para os militares

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SÃO PAULO (Reuters) - O dólar disparou nesta sexta-feira, fechando em alta de quase 3 por cento, no maior avanço diária desde maio de 2017, em meio a crescentes temores de piora nas articulações para a reforma da Previdência e a um dia de perdas no mercado internacional.

O dólar à vista fechou em alta de 2,69 por cento, a 3,9022 reais na venda.

É a maior valorização diária desde 18 de maio de 2017, quando a moeda disparou 8,15 por cento, após terem sido divulgados por executivos da J&F áudios do ex-presidente Michel Temer, preso nesta semana.

O patamar alcançado agora é o mais alto desde 26 de dezembro de 2018 (3,9215 reais).

Na semana, o dólar acumulou apreciação de 2,14 por cento.

A forte demanda pela moeda norte-americana refletiu a piora da percepção do ambiente político para aprovação da reforma da Previdência. Assim, o mercado receia que se leve mais tempo para aprovar a mudança nas regras de aposentadoria e que o texto final fique mais diluído, acarretando menor economia fiscal.

O salto do dólar em maio de 2017 resultou do entendimento de que a reforma da Previdência não mais teria espaço para ser aprovado, devido à crise política que se instalou no governo. Para piorar o humor do mercado, os ativos de risco no exterior --incluindo moedas de emergentes-- tiveram fortes perdas, diante de preocupações com o ritmo da economia mundial, intensificadas pela inversão da curva de Treasuries. A lira turca caía mais de 6 por cento ante o dólar, enquanto o peso mexicano e o rand sul-africano também eram fortemente golpeados. "O fato é que mesmo quando o noticiário aqui era positivo, o real não conseguia descolar tanto de seus pares. Então num dia mais negativo acabamos sentindo mais, especialmente com essa piora de humor local", disse Roberto Campos, gestor de câmbio da Absolute Investimentos. Além disso, muitos fundos recentemente elevaram posições compradas (apostando na alta) da moeda brasileira. Com o aumento dos riscos, essas instituições reduzem essa exposição, o que implica venda de reais (ou compra de dólares).

"A exposição em real continua muito alta", disse em nota Athanasios Vamvakidis, estrategista de câmbio do Bank of America Merrill Lynch. Segundo ele, a posição "acima da média do mercado" na divisa brasileira é a mais elevada desde maio de 2017, início de sua série histórica.

(Por José de Castro)

Dólar passa dos R$ 3,90 e Ibovespa recua para 93 mil pontos pelo 'efeito Temer'

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Era esperado para esta sexta (22) que os negócios teriam pouca tranquilidade, mas o que se viu no mercado financeiro foi muita tensão pelo potencial do 'efeito Temer' no andamento das reforma previdenciária e com o exterior pouco amigável. Em efeito manada, investidores saíram da exposição e foram para proteção, derrubando a bolsa de valores com a venda ações e fazendo o dólar disparar.

O Ibovespa caiu mais de 3 e foi parar em 93,5 mil pontos, 4 dias depois de atingir os 100 mil pontos históricos. O Ibovespa Futuro também não ficou atrás, igualmente perdendo mais de 3%. A corrida ao dólar fez a divisa ganhar mais 2,7% e a cotação passou dos R$ 3,90.

Não há outra leitura dos agentes que não o grau de ruptura que alguns estão desenhando com a prisão de Michel Temer, resvalando no apoio que o MDB poderia dar às reformas da Previdência - mais ainda o grau de contaminação via Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Do presidente da Câmara, em rota de colisão com o ministro Sérgio Moro (que pediu pressa no andamento das propostas de sua pasta) e com a família do presidente Jair Bolsonaro, teme-se algum movimento negativo igualmente pela prisão conjunta de seu sogro, o ex-ministro Moreira Franco.

Diante do impacto negativo que gerou a proposta de reforma previdenciária dos militares, cuja economia à Previdência será bem menor do que a Fazenda esperava, além da sensação de as Forças Armadas saíram protegidas, os acontecimentos políticos são uma espécie de cereja do bolo.

Internacional

Na Zona do Euro, pesquisa apresenta desempenho ruim das empresas, com contração da atividade industrial mais rápido, e que chega com a reafirmação do presidente americano, Donald Trump, que acredita na manutenção dos 25% de impostos de importação ao setor automobilístico europeu, a despeito das negociações.

O mesmo disse ele, outra vez, que manterá as tarifas à China por algum tempo até que todas as negociações estejam concluídas, mesmo demonstrando otimismo quanto aos avanços das conversas.

 

Por: Giovanni Lorenzon
Fonte: Notícias Agrícolas

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