Bolsas em queda; índice S&P 500 (EUA) tem pior dia desde outubro diante de preocupações com vírus

Publicado em 24/01/2020 20:12
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NOVA YORK (Reuters) - Os índices de Wall Street recuaram em meio a uma ampla liquidação nesta sexta-feira, à medida que investidores fugiram dos mercados acionários diante de crescentes preocupações sobre o surto de coronavírus, levando o S&P 500 ao maior declínio semanal em seis meses.

Todos os três principais índices tiveram uma forte queda, com o S&P 500 registrando seu maior recuo percentual diário em mais de três meses, após Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) confirmarem o segundo caso do vírus em solo norte-americano --desta vez, em Chicago.

O S&P e o Dow concluíram a pior semana desde agosto, enquanto o Nasdaq pôs fim a uma sequência de seis semanas de ganhos.

Os participantes do mercado se mantiveram atentos aos desdobramentos relacionados ao coronavírus, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou como "uma emergência na China". A doença já matou 26 pessoas e infectou mais de 800 às vésperas do feriado de Ano Novo Lunar.

"Os mercados odeiam incertezas, e o vírus foi o suficiente para injetar incertezas nos mercados", disse David Carter, diretor de investimentos da Lenox Wealth Advisors.

Alguns analistas, porém, acreditam que investidores estavam apenas procurando um motivo para tirar dinheiro da mesa.

"O vírus, na verdade, funciona mais como uma desculpa para realização de lucros", disse Sam Stovall, estrategista-chefe de investimentos da CFRA Research.

O Dow Jones fechou em queda de 0,58%, a 28.989,73 pontos, enquanto o S&P 500 cedeu 0,90%, para 3.295,45 pontos, e o Nasdaq Composto recuou 0,93%, para 9.314,91 pontos.

Bolsas de NY caem e Dow Jones perde os 29 mil pontos com cautela por coronavírus (Ag Estado)

São Paulo - As bolsas de Nova York fecharam em queda nesta sexta-feira, 24, pressionadas novamente pela cautela com o surto de coronavírus, que já tem dois casos confirmados nos Estados Unidos e mais dois na Europa, onde ainda não haviam aparecido infectados.

O Dow Jones caiu 0,59% e perdeu os 29 mil pontos, a 28.989,59 pontos, e registrou perda semanal de 0,88%. O S&P 500 recuou 0,90%, a 3.295,45 pontos, e apresentou queda de 0,55% na semana. O Nasdaq, por sua vez, que chegou a renovar recorde intraday, cedeu 0,93% hoje e 0,09% na semana.

O cenário fez o índice de volatilidade VIX, considerado o "medidor de medo" de Wall Street, a terminar o dia com salto de 11,79%, a 14,51 pontos, por volta de 18h05, após atingir o nível mais alto desde 6 de janeiro, quando se ampliavam as tensões entre EUA e Irã.

O segundo caso de coronavírus confirmado nos EUA e um suposto terceiro, além dos primeiros casos na Europa, pesaram mais na percepção de investidores do que o alívio observado mais cedo, após a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter decidido ontem não declarar a situação como uma emergência de saúde pública.

Entre analistas, ainda há quem veja o eventual impacto econômico do surto de coronavírus como pouco relevante. "A experiência do episódio da SARS que afetou países asiáticos em 2003 sugere que as consequências econômicas serão materiais, mas transitórias", diz o Barclays.

Há, contudo, impactos indiretos, reitera o Wells Fargo. "Esperamos que qualquer impacto econômico de curto prazo seja limitado e concentrado no Leste Asiático, mas a economia dos EUA é certamente mais vulnerável a choques nesta fase do ciclo. O sentimento é importante", dizem os analistas.

No setor corporativo, por outro lado, os balanços da American Express e da Intel impulsionaram as ações e os papéis terminaram em alta de 2,85% e 8,13%, respectivamente. O destaque ficou com a ação da Boeing, que reverteu a queda para terminar com ganho de 1,66%, após a Administração Federal de Aviação americana afirmar que a autorização para o modelo 737 Max retomar as atividades pode ocorrer antes do meio do ano.

Na próxima semana, investidores acompanharão a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), na quarta-feira, e a primeira estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre dos EUA, na quinta. Também são esperados balanços de algumas das principais empresas listadas em Wall Street, como Apple e Boeing.

Ouro fecha em alta e atinge maior nível desde 7 de janeiro

São Paulo - Os contratos futuros do ouro fecharam em alta nesta sexta-feira, 24, no nível mais alto desde 7 de janeiro, em meio a um movimento de busca por segurança no mercado devido a preocupações com o novo coronavírus. O ouro para fevereiro subiu 0,42%, a US$ 1.571,90 a onça-troy, na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), com ganho semanal de 0,74%.

Os temores com a disseminação do coronavírus aumentaram hoje com a confirmação do segundo caso da doença nos Estados Unidos.

Além disso, há relatos de uma terceira pessoa infectada no país. Na China, o número de casos confirmados chegou a 897 hoje e já há 26 mortes.

Na visão de Carolina Bain, economista-chefe de commodities da Capital Economics, "o preço do ouro permanecerá elevado até que o vírus seja controlado".

A especialista comenta que o metal precioso ultrapassou a marca de US$ 1.560 a onça-troy na terça-feira, mas "apesar de muita volatilidade, o preço do ouro ficou quase estável na semana", após a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter decidido não declarar emergência global pelo surto de coronavírus.

Fonte: Reuters/Agencia Estado

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