"O corpo fala!" - Bolsonaro exige nova autópsia do ex-militar morto em tiroteio na Bahia

Publicado em 19/02/2020 12:04
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"O Alvo é Bolsonaro", concluem Pinheiro Pedro e João Olivi sobre a morte de Adriano Nóbrega, o caso Marielle Franco e a manipulação dos fatos pela grande imprensa

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As circunstâncias da morte de um dos principais suspeitos de participar da execução da vereadora carioca Marielle Franco, o ex-policial militar Adriano Nóbrega,  são analisadas  por Antonio Fernando Pinheiro Pedro e João Batista Olivi, no Canal Notícias Agrícolas, principalmente em função do comportamento da grande imprensa, que parece filtrar as informações de forma a encaixá-las dentro de uma narrativa incriminadora contra o Presidente da República. 

"O corpo fala", afirma Pinheiro Pedro, remetendo-se ao antigo ensinamento da medicina legal sobre a autópsia da vítima. No caso, o corpo do Capitão Adriano está revelando uma trama complexa, para muito além do tiroteio em que se envolveu com a polícia da Bahia.  "O alvo é o presidente", conclui Pinheiro Pedro. 

Os fatos

Bolsonaro afirmou que irá pedir uma perícia independente para apurar as circunstâncias da morte do ex-policial militar Adriano Nóbrega, ocorrida em aparente confronto com a polícia no interior da Bahia. O Ministério Público Federal na Bahia também deve requerer igual providência, pois há indícios de que o foragido tenha sido torturado antes de ser morto, tudo fazendo crer que não houve um tiroteio e sim uma "queima de arquivo".

O ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro, foi localizado e morto no dia 9 de fevereiro de 2020, no município de Esplanada, na Bahia. Nóbrega era investigado por diversos crimes e procurado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro pelo envolvimento nas mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Franco, ocorridas em março de 2018.

“Já tomei as providências legais para que seja feita uma perícia independente. Sem isso vocês não têm como buscar até, quem sabe, quem matou a Marielle. A quem interessa não desvendar a morte da Marielle?”, questionou Bolsonaro. “Uma perícia independente vai dizer se ele foi torturado, se não foi, a que distância foram os tiros... E tinham dezenas de pessoas cercando a casa. A conduta não é essa, a conduta é cercar e buscar negociação para se render”, acrescentou o presidente.

Bolsonaro citou matéria da revista Veja, divulgada esta semana, que traz fotos da autópsia do capitão do BOPE, as quais indicam que os tiros que mataram Adriano Nóbrega foram disparados a curta distância, bem como revelam ter sido o mesmo agredido com golpes contundentes e queimado com um objeto metálico no torax.

O presidente também levantou suspeita sobre a perícia que será feita nos telefones apreendidos com Adriano Nóbrega e a possibilidade de mensagens serem plantadas para incriminá-lo. “Será que essa perícia poderá ser insuspeita? Eu quero uma perícia insuspeita. Não queremos que sejam inseridos áudios no telefone dele ou conversações de WhatsApp. Depois que se faz uma perícia que porventura a pessoa atingida pode ser eu, apesar de ser presidente da República, quanto tempo levaria uma nova perícia?”, argumentou.

Investigação e versão

Questionado se vai pedir a federalização do caso, Bolsonaro disse que essa é uma decisão do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. “Alguns podem achar que ao federalizar, trazer para a Polícia Federal, eu teria alguma participação, influência, no destino da investigação. Se o Moro achar que deve federalizar a decisão é dele”, destacou. A morte de Nóbrega é investigada pela Polícia Civil da Bahia.

Em janeiro do ano passado, Adriano foi considerado foragido durante a Operação Intocáveis, desencadeada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e as polícias Militar e Civil para prender integrantes de uma organização criminosa que agia na zona oeste do Rio de Janeiro. Na época, as investigações apontavam que os integrantes de uma milícia atuavam nas comunidades de Rio das Pedras, da Muzema, da Tijuquinha e adjacências.

Após a Operação Intocáveis, a promotora de Justiça do MPRJ Simone Síbilio considerou que não era possível fazer a relação entre os integrantes da organização criminosa e as mortes de Marielle e Anderson, mas apontou, que, se no futuro fosse comprovado o envolvimento, seria incluído nas investigações desse crime.

Perícias e ligações perigosas

Em um tuite na rede social,  Bolsonaro registrou: 

- A quem interessa não haver uma perícia independente? Sua possível execução foi "queima de arquivo"?

- Sem uma perícia isenta os verdadeiros criminosos continuam livres até para acusar inocentes do caso Marielle. pic.twitter.com/cmBP23V7e4

— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) February 18, 2020


O presidente se referia ao pronunciamento do secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, o qual questionou a autenticidade de um vídeo divulgado pelo senador Flávio Bolsonaro nas redes sociais. O filho do Presidente publicou vídeo de suposto corpo do ex-capitão do Bope e disparou acusações contra o governo da Bahia. 

Segundo Barbosa, o vídeo divulgado pelo senador não teve a autenticidade reconhecida pela perícia da Bahia e nem pela perícia do Rio de Janeiro. O Departamento de Polícia Técnica do Rio, por sua vez, informou que o vídeo não havia sido gravado no local.

"As imagens não foram feitas nas instalações oficiais do Instituto Médico-Legal. Então nós temos a clara convicção de que isso é para trazer algum tipo de dúvida, de questionamento, a um trabalho que ainda não foi concluído", disse o secretário  baiano Barbosa. Segundo o secretário, o governo foi ‘instado’ a comentar o resultado de uma perícia, divulgada na semana passada, e que há outros exames a serem realizados.

A única perícia oficial aponta que o capitão foi morto por dois tiros de fuzil disparados a no mínimo um metro e meio de distância. São mencionados "seis fraturas nas costelas", "dois pulmões destruídos" e o "coração dilacerado".

Não há menção a coronhada ou queimadura. Os ferimentos, segundo os peritos, seriam compatíveis com o impacto no corpo causado por tiros de fuzil, em razão da alta energia cinética dos projéteis.

Além de ser acusado de integrar o Escritório do Crime, milícia acusada de estar envolvida no assassinato da vereadora Marielle Franco, Adriano da Nóbrega era investigado pelo Ministério Público do Rio por participação em suposto esquema de rachadinha conduzido no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Flávio Bolsonaro, quando deputado estadual, empregou a ex-esposa e a mãe de Adriano da Nóbrega. Ao deflagrar operação contra endereços ligados ao ex-assessor Fabrício Queiroz e Flávio Bolsonaro em novembro do ano passado, o Ministério Público detalhou conversas entre Nóbrega e sua ex-esposa Danielle que era funcionária de Flávio.

Após a imprensa revelar movimentações atípicas de Queiroz, Danielle foi exonerada do cargo e cobrou explicações do miliciano em mensagens obtidas pela promotoria. Nelas, a ex-esposa de Adriano da Nóbrega afirma que ele também se beneficiava do suposto esquema de 'rachadinhas'.

Essas circunstâncias servem de munição para a ação política de uma oposição empenhada em destruir o governo de Bolsonaro, a qualquer custo, como inclusive confessou o líder do PSOL, Marcelo Freixo, em discurso no evento de aniversário do Partido dos Trabalhadores, reproduzido abaixo:

 

"Querem atingir o Presidente"

Na entrevista para o Canal Notícias Agrícolas, Pinheiro Pedro faz uma relação entre as circunstâncias obscuras da morte do Capitão e a falta de um liame de motivação na morte de Marielle Franco - uma das razões para a continuidade das investigações do caso mesmo após identificados os autores da execução.

Oficialmente, Nóbrega morreu após ser ferido durante uma operação conjunta das forças de segurança do Rio de Janeiro e da Bahia. Segundo a secretaria de Segurança da Bahia, no momento do cumprimento de mandado de prisão, Adriano Nóbrega “resistiu com disparos de arma de fogo e terminou ferido”. Ainda conforme o órgão, o ex-policial chegou a ser socorrido em um hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos.   

Porém, os indícios apontados com a reportagem da Revista Veja, demonstram que o ex-policial foi torturado, talvez para revelar dados que interessassem ao caso Marielle, ou que pudessem incriminar terceiros. Esse ponto, omitido por uma polícia comandada por um governo de oposição ao presidente da república, somado à narrativa que se está pretendendo construir no seio da grande imprensa - aliada do establishment, mereceu atenta análise dos jornalistas do Notícias Agrícolas.

Chamou a atenção de Pinheiro Pedro e Olivi um artigo publicado na Folha de São Paulo do dia 18 de fevereiro, em que o articulista insinua com todas a letras ser Bolsonaro suspeito de ter encomendado a morte do Capitão. Distorcendo claramente os fatos para diminuir a importância do próprio pedido presidencial para que as investigações sejam intensificadas.

"Querem de toda forma atingir o Presidente", afirmou Pinheiro Pedro.

O fato é que na guerra da grande imprensa e da oposição esquerdista contra Bolsonaro, as informações sobre os fatos foram as primeiras vítimas e a verdade é a grande baixa.

Vale a pena assistir.  

Fonte:
The Eagle View

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