Dólar fecha a R$ 4,3657; Ibovespa fecha em alta com exterior favorável

Publicado em 19/02/2020 17:24
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Dólar renova máxima histórica com exterior e atento a Campos Neto

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SÃO PAULO (Reuters) - O dólar voltou a subir e renovou a máxima histórica de fechamento ante o real nesta quarta-feira, em dia de dólar nos picos em vários anos no exterior após dados mais fortes sobre a economia dos Estados Unidos.

O mercado de câmbio local também seguiu influenciado pela percepção de que o Banco Central parece menos disposto a atuar no câmbio mesmo com o dólar em consecutivas máximas recordes e já mirando 4,40 reais.

O dólar à vista fechou em alta de 0,18%, a 4,3657 reais na venda, acima do até então recorde de 4,358 reais do encerramento da véspera.

Na B3, o dólar futuro tinha ganho de 0,20%, a 4,3660 reais.

A moeda dos Estados Unidos está se valorizando em todo o mundo e hoje o índice DXY, que mede o comportamento do dólar ante uma cesta de moedas fortes, atingiu o maior nível em quase 3 anos, influenciado pelo melhor desempenho da economia americana que outras regiões, como a zona do euro, China e Japão No mercado doméstico, os juros baixos e a decepção com indicadores de atividade, além de ruídos políticos, em meio a temores de saída do ministro da Economia, Paulo Guedes - após declaração de Jair Bolsonaro - ajudam a pressionar ainda mais o câmbio, fazendo o real ter pior desempenho que outros emergentes

A busca por hedge cambial (proteção) também segue pressionando o dólar aqui. Investidores do Brasil e de outros emergentes têm aumentado a busca por proteção, seja para apostas em outras moedas, seja para cobrir posições em outros mercados, como na Bolsa, de acordo com um diretor de tesouraria.

O economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, observa que, com a queda dos juros, o real deixou de ser uma "moeda de carrego", ou seja, para operações de carry-trade (tomar dinheiro em país com juro baixo e aplicar em outro de juro alto). O banco não vê neste momento a moeda americana caindo abaixo de R$ 4,00 até o ano que vem. A estimativa é de dólar em R$ 4,15 tanto em dezembro de 2020 como em 2021.

A expectativa do Itaú é que com a retomada do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil atraia fluxo de capital externo, compensando ao menos em parte o baixo diferencial de juros do país com o resto do mundo, avalia a economista do Itaú, Julia Gottlieb. Ela observa que, no curto prazo, o cenário internacional tem pressionado o câmbio, por conta da aversão ao risco gerada pelo coronavírus. A decepção com os recentes dados de atividade também pesou, além dos juros baixos, disse ela. "Com a retomada de crescimento devemos ver um fluxo de capital maior para o Brasil." O Itaú manteve hoje a projeção de alta do PIB em 2,2% este ano e 3% em 2021.

A disparada do dólar também foi comentada hoje em evento pelo banqueiro sócio do BTG Pactual, André Esteves. "O dólar nesse nível tem surpreendido de certa maneira a todos nós." O executivo ressaltou que os juros baixos fizeram o real deixar de ser "moeda de carrego" para se transformar em "moeda de financiamento". "Estamos nos adaptando a esta mudança." A diferença da desvalorização do real de agora para outros momentos da história, disse Esteves, é que a Bolsa está subindo e o risco-país, medido pelo Credit Default Swap (CDS) de cinco anos não para da de cair, hoje negociado em 92,3 pontos, na mínima em mais de 10 anos.

O Banco Central não fez atuação extraordinária hoje no câmbio, somente a operação diária de rolagem dos contratos de swap. Para os estrategistas do Citi, as declarações recentes do comando do BC sugerem que não é óbvia a intervenção da instituição no mercado de câmbio se o dólar voltar a superar o nível R$ 4,38. A última intervenção extraordinária ocorreu no último dia 6, quando a divisa bateu neste nível e hoje a moeda americana voltou a encostar neste patamar, a R$ 4,3775 na máxima.

Ibovespa fecha em alta em dia cheio de balanços e exterior favorável

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice da bolsa paulista fechou em alta nesta quarta-feira, marcada por mais resultados corporativos, após superar estimativas no quarto trimestre, em sessão ainda referendada pelo viés positivo a ativos de risco no exterior.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,33%, a 116.504,16 pontos. O volume financeiro da sessão totalizou 23,4 bilhões de reais.

"O mercado se apegou ao fato de o número de infectados (pelo coronavírus) ficar estável, enquanto cresceu a quantidade de pessoas recuperadas", destacou o analista Filipe Villegas, da Genial Investimentos.

Na província central de Hubei na China, o número de mortes pelo surto de coronavírus aumentou em 132 na terça-feira, para 1.921, enquanto mais 1.693 casos foram detectados, elevando o total na província para 61.682. Na segunda-feira, haviam sido 1.807 casos detectados em Hubei.

Também ajudou, segundo Villegas, a possibilidade de a China fazer uma nova rodada de estímulos. Há expectativa de que o banco central chinês anuncie uma redução na taxa primária de empréstimo para reduzir custos e aliviar os apertos financeiros sobre empresas afetadas pelo surto de coronavírus.

Em Wall Street, o tom positivo também prevaleceu, com o S&P 500 e o Nasdaq renovando máximas históricas.

DESTAQUES

- WEG ON disparou 8,5%, a 48,50 reais, novo recorde de fechamento, tendo no radar alta no lucro líquido a 500,5 milhões de reais no quarto trimestre, superando projeções de analistas, com crescimento de receitas e margens. O Bradesco BBI considerou os números fortes e elevou o preço-alvo da ação de 26 para 36 reais, mas manteve recomendação 'neutra'.

- MARFRIG ON avançou 2,15%, antes da divulgação do resultado do quatro trimestre, previsto para após o fechamento do mercado. Em prévia, o BTG Pactual estimou que a companhia deve ter o resultado mais forte do setor, com receita de 13,7 bilhões de reais e Ebitda em 1,6 bilhão de reais, ambos no resultado consolidado. "Também esperamos que a Marfrig atinja suas metas anuais", afirmaram em nota no mês de janeiro.

- IRB BRASIL ON subiu 1,02%, após reportar forte crescimento no lucro do quarto trimestre, com aumento nos prêmios emitidos e queda no índice de sinistralidade, bem como anunciar programa de recompra de ações e divulgar previsões para 2020. O Brasil Plural disse que o "guidance para esse ano é construtivo". Na máxima, o papel subiu mais de 7%.

- GERDAU PN fechou em baixa de 0,44%, após ter chegado a cair mais de 5% no pior momento, diante da queda de 74% no lucro líquido do quarto trimestre, em resultados que a equipe do Safra considerou mais fracos do que o esperado. A reação veio após presidente da Gerdau afirmar que espera melhora de margens no primeiro trimestre de 2019 com implementação de reajustes de preços de aço no Brasil.

- PETROBRAS PN avançou 2,69%, ajudada pela alta do petróleo no exterior, além de expectativas para o resultado trimestral, previsto para após o fechamento do mercado. O Safra estima Ebitda ajustado de 37,4 bilhões de reais para o período, com lucro líquido de 11,1 bilhões de reais. A companhia anunciou que vai elevar o preço médio da gasolina em 3% a partir de quinta-feira, mantendo o valor do diesel estável.

- VALE ON teve variação positiva de 0,02%, também tendo no radar o balanço, previsto para quinta-feira após o fechamento do mercado. Na China, os futuros do minério de ferro avançaram pela sétima sessão consecutiva em meio à continuidade de preocupações com um aperto na oferta.

- BRADESCO PN e ITAÚ UNIBANCO PN avançaram 1,43%. BTG PACTUAL, por sua vez, caiu X%, destoando do viés positivo. Ainda no setor financeiro, B3 valorizou-se X%.

- GOL PN fechou estável, tendo no radar balanço do quarto trimestre, previsto para quinta-feira de manhã. As ações tiveram as negociações suspensas momentanemente em razão de fato relevante afirmando que apresentação preliminar do balanço e projeções para este ano foram publicadas inadvertidamente no site da empresa e retirados.

- CIA HERING ON perdeu 2,88%. LOJAS AMERICANAS PN caiu 0,29%, RD subiu 0,28% e MAGAZINE LUIZA ON recuando X%. VIA VAREJO ON disparou 6,2% e B2W subiu 1,67%. Lojas Americanas e sua controlada B2W divulgam balanços na quinta-feira à noite.

BNP Paribas corta projeção para PIB do Brasil a 1,5% em 2020 e reduz Selic esperada a 3,5%

SÃO PAULO (Reuters) - O BNP Paribas cortou de 2% para 1,5% sua estimativa para crescimento do PIB brasileiro em 2020 e baixou projeções para inflação e Selic, citando impactos do surto de Covid-19 sobre a economia chinesa --a segunda maior do mundo e principal destino das exportações brasileiras.

O efeito de curto prazo do coronavírus será mais forte do que o previsto por muitos, retirando 0,4 ponto percentual da taxa de expansão esperada para a economia global, disse o banco francês, que espera que o PIB chinês cresça 1,2 ponto percentual a menos, marcando 4,5% em 2020.

"Essa queda no crescimento terá um impacto significativo sobre o Brasil, para o qual já mantínhamos uma projeção de aumento do PIB abaixo do consenso para 2020", afirmou em relatório Gustavo Arruda, economista-chefe do BNP no Brasil.

O impacto sobre o PIB brasileiro ficará concentrado no primeiro semestre, com projeção de que a economia cresça 0,2% no primeiro trimestre sobre o quarto (ante expectativa anterior de 0,4%) e 0,1% entre abril e junho sobre os três primeiros meses de 2020 (+0,5% antes).

Fevereiro tem sido marcado por uma série de revisões para baixo nas perspectivas para expansão da economia. Apenas na terça pelo menos Citi e MUFG baixaram as projeções, depois de dias atrás JPMorgan, Itaú Asset Management, UBS, Bank of America e Santander Brasil fazerem o mesmo.

O BNP Paribas, porém, manteve prognóstico de expansão de 3,0% para a economia em 2021.

 

SELIC E INFLAÇÃO MAIS BAIXAS

"Esperamos agora que a taxa Selic caia do atual patamar de 4,25% para uma mínima recorde de 3,50% até o fim de 2020", disse Arruda, que projeta retomada do ciclo de queda do juro em junho ou antes.

O economista entende que a sinalização pelo BC de interrupção da série de reduções de juro é "compreensível", mas considera que, devido aos impactos do coronavírus sobre a economia, o BC precisará alterar o curso.

Arruda avalia que um ritmo de cortes de 0,25 ponto percentual por reunião daria ao BC tempo para avaliar a quantidade de flexibilização monetária exigida pela economia.

Os juros mais baixos serão possíveis num cenário de inflação também cadente. O BNP revisou de 3,5% para 3,0% a variação esperada para o IPCA em 2020 e de 3,75% para 3,50% o número projetado para 2021.

A justificativa é "combinação de um núcleo de inflação bem-comportado com repasse limitado de um real depreciado e surpresas desinflacionárias de curto prazo nos preços dos alimentos".

(Por José de Castro)

Fonte:
Reuters

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