China diz que epidemia de coronavírus ainda é "sombria" e pede mais ações

Publicado em 23/02/2020 17:10
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G20 vê crescimento mundial modesto para 2020 e 2021

Advertindo que a epidemia de coronavírus na China "ainda é sombria ecomplexa", o presidente chinês, Xi Jinping, pediu neste domingo por mais esforços para combater o surto, reviver a indústria e impedir que a doença atrapalhe o plantio de culturas na primavera.

Xi defendeu a resposta do Partido Comunista no governo como "oportuna e eficaz", mas afirmou que a situação está em um "estágio crítico" e pediu às autoridades que "limitem resolutamente a propagação da epidemia".

Xi Jinping disse ainda que a epidemia COVID-19 inevitavelmente dará um golpe relativamente grande no desenvolvimento econômico e social da China. No entanto, nesse momento é ainda mais importante ver o desenvolvimento da China sob uma perspectiva de longo prazo. "No geral, os fundamentos do sólido crescimento econômico da China a longo prazo permanecem inalterados, acrescentou Xi. 

De acordo com analistas, a China pode se recuperar rapidamente se o surto puder ser controlado até o final de março.

Mas eles dizem que a produção econômica deste trimestre diminuirá em até 1% em relação ao trimestre encerrado em dezembro, depois que Pequim estendeu o feriado do Ano Novo Lunar para manter fábricas e escritórios fechados e disse ao público para evitar viajar.

Até o momento, o número de casos confirmados de coronavírus em todo o mundo chegou a 78.608 pessoas infectadas até este sábado, das quais 77.027 somente na China. Já são 2.460 mortes, das quais 16 fora do território chinês. Os dados são da rede de TV chinesa CGTN.

G20 vê crescimento mundial modesto para 2020 e 2021 e prometem monitorar efeitos do coronavírus

RIAD (Reuters) - Os líderes financeiros das 20 maiores economias do mundo esperam um crescimento modesto neste ano e no próximo graças à política monetária frouxa e à diminuição das tensões comerciais, e prometeram monitorar os efeitos do surto de coronavírus.

Os ministros das Finanças e os chefes de bancos centrais do Grupo das 20 maiores economias do mundo (G20) assistiram a uma apresentação sóbria do Fundo Monetário Internacional (FMI), que prevê uma redução de 0,1 ponto percentual do crescimento global causada pela epidemia de coronavírus.

"O crescimento global deve ser modesto em 2020 e 2021. A recuperação é apoiada pela continuidade de condições financeiras acomodativas e por alguns sinais de redução das tensões comerciais", afirmou o comunicado dos líderes financeiros. "Aprimoraremos o monitoramento global de riscos, incluindo o recente surto de COVID-19. Estamos prontos para tomar medidas adicionais para lidar com esses riscos".

Enquanto os delegados encerravam sua reunião, o presidente chinês Xi Jinping foi citado como tendo dito que Pequim intensificaria os ajustes políticos para ajudar a amortecer o golpe na economia causado pelo surto.

"O surto de nova pneumonia por coronavírus terá inevitavelmente um impacto relativamente grande na economia e na sociedade", disse Xi, acrescentando que o impacto seria de curto prazo e controlável.

A China esteve representada na reunião do G20 por seu embaixador na Arábia Saudita, pois as autoridades de alto escalão permaneceram afastadas devido à crescente crise sobre o vírus.

"Discutimos o surto de coronavírus na China e em outros países e todos os países do G20 concordaram coletivamente em estar prontos para intervir com as políticas necessárias", disse o ministro das Finanças da Arábia Saudita, Mohammed al-Jadaan, em entrevista coletiva.

A epidemia, originária da China, se espalhou para quase 30 países e territórios.

A Coréia do Sul elevou o alerta de doenças infecciosas para o nível mais alto no domingo, enquanto um terceiro passageiro de um navio de cruzeiro infectado por vírus no Japão morreu.

"No cenário atual, as políticas anunciadas são implementadas e a economia da China retornará ao normal no segundo trimestre. Como resultado, o impacto na economia mundial seria relativamente menor e de curta duração", disse Kristalina Georgieva, diretora administrativa do FMI no sábado.

"Mas também estamos analisando cenários mais difíceis, onde a propagação do vírus continua por mais tempo e globalmente, e as conseqüências do crescimento são mais prolongadas", acrescentou.

Os ministros e banqueiros centrais também incentivaram o trabalho adicional da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre regras globais para tributar gigantes digitais como Google, Amazon e Facebook.

A OCDE, o think tank do G20, deve preparar análises técnicas até julho sobre as possibilidades que permitiriam aos governos tributar empresas digitais onde elas fazem negócios, em vez de onde estão registradas para fins fiscais.

Um acordo final sobre as regras globais deve estar pronto até o final deste ano para evitar a proliferação de diferentes regimes fiscais digitais em todo o mundo.

A chave do acordo é a cooperação dos Estados Unidos, que vem impedindo o progresso, sem ter certeza do impacto político do acordo em um ano de eleições presidenciais.

Preocupação global com o coronavírus cresce após novos casos na Coréia do Sul, Itália e Irã

SEUL/SHANGAI (Reuters) - A apreensão internacional com a disseminação do coronavírus fora da China aumentou ainda mais neste domingo, com crescimento acentuado no número de infecções em três países: Coréia do Sul, Itália e Irã.

A Coréia do Sul ficou em alerta máximo depois que o número de infecções passou de 600, com seis mortes. A Itália testemunhou aumento para 132 casos e impôs restrições rigorosas em partes do país para tentar parar o contágio. Já o Irã registrou 43 casos, com oito mortes.

Na China, onde a grande maioria dos casos foram registrados, as autoridades contabilizaram 648 novas infecções - com aumento em relação ao dia anterior - mas apenas 18 delas fora província de Hubei, o número mais baixo fora do epicentro do vírus desde que as autoridades começaram a divulgar os dados há um mês e impuseram bloqueios na maior parte do país.

O vírus matou 2.442 pessoas na China, com 76.936 casos contabilizados no geral, freando a segunda maior economia do mundo. A doença se espalhou para outros 26 países e territórios, com o número de mortos ficando em cerca de duas dúzias, de acordo com uma contagem da Reuters.

O presidente da Coréia do Sul disse que o governo elevou o alerta da doença ao nível mais alto, permitindo que as autoridades enviem recursos extras para a cidade de Daegu e o condado de Cheongdo, que foram designados como "zonas de atendimento especial" na sexta-feira.

As autoridades da área da saúde relataram 169 novas infecções, elevando o total para 602, número que dobrou da sexta para o sábado.

A preocupação com o alcance e a rápida disseminação do coronavírus também cresceu na Europa e no Oriente Médio.

Na Itália, escolas e universidades foram fechadas e alguns jogos de futebol foram adiados nas regiões afetadas da Lombardia e do Vêneto, no coração industrial do país, ao norte.

Quase uma dúzia de cidades na Lombardia e no Veneto, com uma população combinada de cerca de 50.000 pessoas, foram efetivamente colocadas em quarentena, com os moradores locais instados a ficar em casa e com permissão especial necessária para entrar ou sair das áreas designadas.

O Irã relatou um total de 43 infecções, com oito mortes - tudo isso desde a última terça-feira.

Arábia Saudita, Kuwait, Iraque e Turquia impuseram restrições de viagem e imigração ao Irã, enquanto Omã neste domingo instou seus cidadãos a evitarem países com altas taxas de infecção, afirmando que os turistas originários desses países serão colocados em quarentena.

A OMS diz que o vírus é grave ou crítico em apenas um quinto dos pacientes infectados, sendo leve nos demais, mas o potencial impacto econômico da doença foi assunto premente em uma reunião dos ministros das finanças do G20 em Riad.

O chefe do Fundo Monetário Internacional disse que o crescimento da China em 2020 provavelmente não deve passar de 5,6%, uma queda de 0,4 ponto percentual em relação às perspectivas de janeiro, com 0,1 ponto percentual a menos no crescimento global.

Irã tem dez novos casos de coronavírus, com dois mortos

DUBAI (Reuters) - As autoridades no Irã anunciaram, neste sábado, que detectaram pelo menos 10 novos casos de coronavírus e mais duas mortes, aprofundando a inquietação do público em relação à maneira como o país está lidando com a disseminação da doença. 

Os últimos casos levaram o número total no Irã para 29, e as mortes a seis. 

A notícia dos últimos casos e mortes vieram por meio do porta-voz do Ministério da Saúde, Kianush Jahanpur, e pelo governador da província de Markazi, na região central do Irã, citado pela emissora de televisão estatal. 

O Ministério da Saúde, mais cedo neste sábado, citou um total de 28 casos e cinco mortes, e o governador anunciou posteriormente uma morte na província de Markazi. 

A maioria dos casos, incluindo oito das novas infecções, foram em Qom, uma cidade sagrada muçulmana xiita a 120 km ao sul da capital Teerã. 

Escolas, universidades e seminários em Qom serão fechados no domingo e na segunda-feira em uma tentativa de evitar a disseminação do vírus, anunciou o quartel-general de administração de crise da província de Qom, neste sábado, segundo a agência de notícias oficial IRNA. 

Oficiais de Saúde pediram, nesta quinta-feira, a suspensão de reuniões religiosas em Qom.

Os casos no Irã afetaram os vizinhos regionais.

Os Emirados Árabes Unidos anunciaram dois novos casos de coronavírus neste sábado, um turista iraniano e sua esposa, afirmou a agência de notícias estatal WAM, levando o número total de casos do coronavírus no país para 13. 

O Líbano confirmou seu primeiro caso de coronavírus na sexta-feira, uma mulher de 45 anos voltando de Qom.

O Irã suspendeu peregrinações religiosas para o Iraque, um oficial que supervisiona viagens de peregrinações afirmou no sábado, segundo a agência de notícias Fars. 

Fonte:
Reuters/Estadão Conteúdo

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