Dólar engata 7° pregão de alta e supera R$ 4,46 em meio a temores sobre coronavírus

Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar renovou mais uma vez sua máxima histórica na abertura nesta quinta-feira, superando 4,46 reais pela primeira vez e subindo pela sétima sessão consecutiva em meio a temores sobre a expansão do coronavírus.
Às 10:06, o dólar avançava 0,44%, a 4,4636 reais na venda, enquanto o principal contrato de dólar futuro subia 0,25%, a 4,4620 reais.
Na máxima da sessão, a divisa norte-americana chegou a ser negociada a 4,4650, novo recorde histórico intradiário.
"O impacto do coronavírus continua sendo uma incógnita e uma ameaça para a economia mundial", resumiu em nota Jefferson Rugik, da Correparti Corretora, citando movimentos de proteção.
Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, disse que o movimento desta quinta-feira é reflexo do "fator externo, um acompanhamento da tendência do exterior; moedas emergentes continuam fragilizadas pela busca de refúgio em ativos mais seguros".
No entanto, ressaltou que "por ora, o movimento ainda é modesto em comparação à alta do dólar nos outros dias, como ontem". "Isso sugere tentativa de estabilização, e o dia ainda deve ter alguma volatilidade."
Ante moedas emergentes, como pesos mexicano e chileno, lira turca, e rand sul-africano, o dólar ganhava força, mas, contra uma cesta de moedas fortes, tinha queda acentuada de 0,28%, perdendo quase 0,5% em relação ao iene, sinal da cautela internacional.
O número de novas infecções por coronavírus na China, fonte do surto, foi pela primeira vez superado por novos casos no restante do mundo na quarta-feira, aumentando os temores de uma pandemia. Na quarta-feira, o Brasil teve seu primeiro caso da doença confirmado em São Paulo.
Em uma tentativa de limitar a disparada do dólar -- que já sobe pela sétima sessão consecutiva e acumula alta de mais de 10% este ano -- o Banco Central realizou neste pregão leilão extraordinário de até 20 mil swaps tradicionais com vencimento em agosto, outubro e dezembro de 2020, conforme anunciado na quarta-feira, em que vendeu todos os contratos ofertados.
Segundo o economista Silvio Campos Neto, "o mercado já estava contando com esse leilão, então não foi novidade", o que limitava a capacidade da atuação do BC de frear a moeda dos Estados Unidos.
0 comentário
Ibovespa fecha em queda descolado de NY com investidor à espera de decisão dos EUA sobre tarifas
Dólar fica estável no Brasil com política doméstica e tarifa dos EUA no foco dos investidores
Ibovespa fecha em queda descolado de NY com Engie entre maiores quedas; B3 sobe
Trump, questionado se Irã tem um prazo, afirma que não gosta de prazos
Principal negociador do Irã diz que Teerã não tem motivos para respeitar memorando com EUA sem benefícios
FMI diz estar trabalhando para avaliar melhor riscos de dívida interna para países de baixa renda