Doria volta a fazer críticas a Bolsonaro e amplia confinamento até dia 22

Publicado em 06/04/2020 16:17 738 exibições

Diferentemente do presidente Jair Bolsonaro, que alegando receio de crise econômica pede a volta dos cidadãos brasileiros ao trabalho, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), tem defendido o isolamento social para frear o avanço da covid-19.

Durante anúncio da prorrogação da quarentena no Estado, Doria voltou a criticar Bolsonaro. "Não pauto minhas ações por populismo. Pauto pela verdade e pela ciência. Todas as iniciativas de São Paulo são amparadas na ciência e opinião médica", disse o tucano.

"Temos que nos afastar dos que pregam o ódio, que não assumem o interesse maior que é salvar as vidas. No Brasil, defendem o isolamento social o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandeta, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, o vice-presidente, Hamilton Mourão. Será que a Organização Mundial da Saúde está errada? Será que ministros e secretários de Saúde de 56 países do mundo estão errados? Será que um único presidente da República no mundo é o certo?", disse

E continuou: "Aqueles que incentivam a vida normal, que pressionam o prefeito da capital e que me pressionam pelo whatsapp, por cartas e que violam os princípios da Medicina, a eles eu pergunto: vocês estão preparados para os caixões com as vítimas do coronavírus? Vocês que defendem a abertura, aglomerações, que minimizam a crise gravíssima em que estamos, vão enterrar as vítimas? Depois de salvar vidas, vamos salvar a Economia", afirmou Doria.

Prorrogação

Doria prorrogou a quarentena em São Paulo para conter o avanço do novo coronavírus por mais 15 dias. A quarentena começou em São Paulo no dia 24 de março e teria validade até esta terça-feira, dia 7, mas foi prorrogada até o dia 22 deste mês. O anúncio foi feito em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes nesta segunda-feira, 6, e participaram dela diversos médicos, entre eles David Uip, chefe do Centro de Contingência da Coivd-19, que estava afastado por ter sido infectado pelo vírus.

SP prorroga quarentena até o dia 22 de abril

O governador João Doria (PSDB) prorrogou a quarentena em São Paulo para conter o avanço do novo coronavírus por mais 15 dias. A quarentena começou em São Paulo no dia 24 de março e teria validade até esta terça-feira, dia 7, mas foi prorrogada até o dia 22 deste mês. O anúncio foi feito em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes nesta segunda-feira, 6, e participaram dela diversos médicos, entre eles David Uip, chefe do Centro de Contingência da Coivd-19, que estava afastado por ter sido infectado pelo vírus.

O decreto do Estado de São Paulo determinou o fechamento do comércio e de serviços não essenciais, o que inclui bares, restaurantes e cafés, que só podem funcionar com serviços de delivery. Já os considerados essenciais, como farmácias e supermercados, podem abrir as portas. A medida vale para todos os municípios do Estado.

São Paulo é o Estado com o maior número de mortes e de casos do novo coronavírus no Brasil. De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, o Estado tem 275 óbitos, 56% do total do País. O Estado tem 4.620 casos confirmados, 41% dos casos brasileiros.

O balanço mais recente do Ministério da Saúde, do final da tarde deste domingo, indicava que o País tem 486 mortes e 11.130 casos.

O presidente do Instituto Butantan, Dimas Tadeu Covas, afirmou que estudos coordenados por epidemiologistas apontam que houve 56% de redução na mobilidade social do Estado. O ideal, segundo ele, é um porcentual acima de 60%.

Antes do anúncio, Doria voltou a pedir que empresários não demitam funcionários neste período. "Um apelo, façam todo o possível para não demitir. Compreendo as restrições deste momento. Mais do que nunca, seus funcionários e colaboradores esperam de vocês que exerçam sua responsabilidade social e seu lado humanitário. O sofrimento é de todos, mas principalmente dos que dependem do salário para sobreviver", disse Doria.

Doações

O governador João Doria também anunciou que o governo deverá receber R$ 218 milhões de empresários de São Paulo para o combate à crise causada pela pandemia do novo coronavírus. Nesta segunda, o Comitê Solidário, grupo formado pelos empreendedores paulistas e membros do governo do Estado, se reuniu virtualmente pela terceira vez.

Segundo Doria, o valor arrecadado será convertido em cestas básicas para atender aos mais pobres. Os produtos que foram arrecadados deverão ser doados também.

O governador disse também que todas as iniciativas do governo e da Prefeitura da capital "são pautadas pela verdade e pela ciência".

Bolsonaro chama reunião ministerial de última hora, Mandetta pode ser demitido

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro convocou nesta segunda-feira uma reunião ministerial, incluindo também presidentes de bancos, para o mesmo horário em que costuma ocorrer a entrevista coletiva sobre a atualização dos dados da epidemia de coronavírus no país com a presença de vários ministros.

A convocação para a reunião foi feita repentinamente no final da manhã desta segunda-feira. Normalmente, Bolsonaro reúne o ministério nas terças-feiras. A razão da reunião não foi informada pelo Palácio do Planalto.

Nesta segunda, o presidente teve um almoço com os chamados ministros palacianos --Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, Jorge Oliveira, da Secretaria-geral da Presidência, e Walter Braga Netto, da Casa Civil. De acordo com uma fonte, estava também o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), ex-ministro da Cidadania.

Depois de perder o cargo, Terra, que é médico, tem se associado às posições de Bolsonaro em relação à epidemia de coronavírus, defendendo em suas redes sociais e em entrevistas temas como o isolamento vertical e o uso da cloroquina. As posições, controversas, são o inverso do defendido pela Organização Mundial da Saúde e seguidas pelo Ministério da Saúde.

Terra também esteve por trás da organização de um encontro entre médicos e o presidente na última sexta-feira, chamado para tratar do uso da cloroquina. O ministro da Saúde, Henrique Mandetta, não foi chamado e foi avisado por médicos seus amigos.

As divergências entre Mandetta e Bolsonaro sobre a posição em relação ao tratamento da epidemia vem crescendo novamente, depois de um período de trégua tumultuada.

Na última semana, o presidente ameaçou publicamente Mandetta de demissão. Na tarde de domingo, ao falar com apoiadores evangélicos em frente ao Alvorada, disse que "alguns ministros estavam se achando" e "viraram estrelas".

"Mas a hora deles não chegou ainda não, vai chegar a hora deles, porque a minha caneta funciona. Não tenho medo de usar a caneta, nem pavor", disse.

Dias antes, em entrevista à rádio Jovem Pan, Bolsonaro já havia criticado Mandetta e afirmou que não demitiria ninguém "no meio da guerra", mas deixou claro que o ministro poderia ser demitido.

O Planalto informou que a entrevista coletiva som a atualização sobre a pandemia será realizada com a participação de secretários da Casa Civil e dos ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Regional.

Fonte:
Estadão Conteúdo

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1 comentário

  • Alvaro Andrade Biollo

    Esse cara se elegeu nas costas do Bolsonaro, agora vive em campanha 24 horas por dia..., quanto pior melhor para ele, o povo que se exploda...

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    • Martins Kampa

      Os generais Braga Netto, Luiz Ramos, Fernando Azevedo e Silva e o almirante Flávio Rocha fecharam posição contra a demissão de Luiz Henrique Mandetta.

      Eles aconselharam Jair Bolsonaro a reconsiderar sua decisão em razão de uma série de consequências negativas, dentre elas o risco de que um pedido de impeachment viesse a ser acolhido pelo Congresso Nacional.

      Na reunião que terminou há pouco, os militares deixaram Mandetta defender-se das acusações de radicalismo na defesa da tese do isolamento, contrariando posição de Bolsonaro, e minimizaram as queixas dos setores da economia que estão sofrendo mais com as restrições.

      A análise de hoje com Fernando Pinheiro Pedro girou em torno desta nova crise envolvendo o embate entre Mandetta e o presidente Jair Bolsonaro, que deseja flexibilizar o isolamento social imposta sobre a sociedade brasileira.

      A partir desta decisão é de se esperar que o Ministério da Saúde flexibilize sua posição, permitindo que cidades menores (e até mesmo bairros inteiros das metrópoles) não atingidas pelo contágio saiam do isolamento.

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    • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

      Martins Kampa, de onde foi que você tirou essa noticia?

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    • adegildo moreira lima presidente medici - SC

      E uma lastima verificar que toda esta situação do covid 19 foi reduzida a uma estrategia de tomada de poder..., o povo , a saude, sao argumentos utilizados mas que nao possuem a importancia para quem os utiliza. Seja com relação às medidas de prevençao, protocolo de tratamento, tudo, absolutamente tudo passou a ser politizado. Por enquanto as mortes nao estao acontecendo conforme as previsões, nossos numeros estao proximos a Portugal que tem apenas 11 milhoes de habitantes e teve o inicio da epidemia nas proximidades do carnaval como aqui, mas ninguem falou em impedir o carnaval por motivos obvios. Tirar ministro agora seria de uma burrice inigualavel, nao pelo trabalho que está sendo feito, mas apenas pelo seguinte... entrando um novo ministro, se os efeitos da pandemia fossem pequenos, o resultado seria atribuindo à quarentena estabelecida no periodo do Mandett; se os numeros ficassem ruins ou catastroficos o resultado seria atribuido ao novo ministro.... Simples assim... Como todos os poderes da republica, até nos municipios, sao totalmente favoraveis à prorrogação das quarentenas, a primeira medida que deveria ser adotada é a definição de que os repasses para as casas legislativas, poder judiciario, tribunais de contas, ministério publico, "observarao rigorosamente a redução da receita", pois certamente, como fazem sempre, vao querer que, independentemente da redução da receita, os seus valiosos quinhoes sejam destacados integralmente, daí porque a paralisação da economia para estes feudos nao traz qualquer efeito negativo.

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