Para Bolsonaro, coronavírus parece que começa a ir embora e liberdade será mantida a qualquer preço

Publicado em 11/04/2020 20:25 e atualizado em 12/04/2020 21:17 4804 exibições
"O homem do campo também vai deixar de produzir... Vamos viver do quê?"

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro avaliou neste domingo que o coronavírus dá sinais que está começando a ir embora, mas que o desemprego está chegando e batendo forte, reforçando preocupação com os impactos econômicos das medidas de isolamento impostas para tentar desacelerar os casos de Covid-19.

"É o que tenho dito desde o começo, desde há 40 dias. Temos dois problemas pela frente, lá atrás eu dizia: o vírus e o desemprego", afirmou ele, em vídeoconferência com religiosos por ocasião da Páscoa, transmitida pela TV.

"Quarenta dias depois, parece que está começando a ir embora a questão do vírus, mas está chegando e batendo forte o desemprego. Devemos lutar contra essas duas coisas", completou.

Em sua fala, Bolsonaro afirmou que há "grande perigo pela frente", e que o destino do país não pode "ser colocado sob dúvida de que a liberdade será mantida a qualquer preço".

O presidente tem se oposto a medidas de isolamento mais rígidas adotadas por governadores e prefeitos como forma de evitar a disseminação descontrolada do coronavírus, argumentando que elas causarão danos maiores à economia, com fechamento de postos de trabalho e ameaça de desabastecimento.

Ao abrir a celebração, o presidente, sem mencionar a crise, afirmou que o País precisa saber o que está acontecendo, mas sem pânico. "Cada vez mais precisamos da verdade. O país precisa ser informado do que realmente está acontecendo. Não através do pânico, mas através de mensagens de paz, de conforto. Cada um se preparar para a realidade", frisou.

O pastor Silas Malafaia criticou o que chamou de "profetas do caos". "Lógico, toda morte é uma tragédia. Não estamos aqui fazendo jogos de números, de morte. Mas a verdade é que há um espírito de pânico e medo colocado na população por interesses escusos e interesses políticos", declarou.

Contrariando recomendações de autoridades de saúde, Bolsonaro também tem circulado em espaços públicos e cumprimentado apoiadores em aglomerações.

Na véspera, o advogado-geral da União (AGU), André Mendonça, publicou nota afirmando que o órgão aguarda informações do Ministério da Saúde e da Anvisa para medidas judiciais cabíveis com o objetivo de impedir "medidas restritivas de direitos fundamentais do cidadão" por parte de governos locais e estaduais.

O posicionamento foi divulgado após o governador de São Paulo e adversário político de Bolsonaro, João Doria (PSDB), ter dito que pessoas poderiam vir a ser presas pela Polícia Militar caso contrariassem as regras estabelecidas no Estado para o isolamento.

No sábado, Bolsonaro reafirmou necessidade da volta à normalidade "antes que seja tarde demais"

O presidente da República, Jair Bolsonaro, compartilhou na manhã deste sábado, 11, um vídeo de uma entrevista de duas semanas atrás em que critica as medidas de isolamento social adotada por Estados e municípios para o controle do coronavírus.

-- "Certas autoridades estaduais e municipais estão tomando medidas, no meu entender, além da normalidade, proibindo tráfego de pessoas, tráfego em rodovias, fechando empresas e fechado comércios", disse Bolsonaro no vídeo.

Ele vem demonstrando preocupação com as consequências econômicas do novo coronavírus desde seus primeiros comentários sobre o tema. Em um dos pronunciamentos em rede nacional mais incisivos até aqui, em 24 de março, o presidente se posicionou contra a quarentena.

--"Devemos, sim, voltar à normalidade", afirmou na ocasião.

No vídeo, o presidente também fala em "colapso econômico" decorrente do fechamento de empresas e comércio, com desemprego em massa e falta de recursos para folha de servidores públicos.

Segundo ele, se não houver o retorno à normalidade, "dentro de poucos dias" poderá ser "tarde demais" para reverter os efeitos da crise.

Homem do campo também vai deixar de produzir

"O caos está aí: sem dinheiro e sem produção. O homem do campo também vai deixar de produzir. Vamos viver do quê?, pergunta Bolsonaro, e acrescentou:

-- "Brasileiros acordem para realidade. Se não acordarmos, o caos está vindo: desemprego em massa e o desabastecimento começa a se fazer presente", afirmou o presidente no vídeo.

Na ocasião, o presidente também chamou os brasileiros para a guerra contra o coronavírus.

"Espero que o Brasil volte à normalidade e encare o vírus como se fosse uma guerra mas em situação de igualdade, em pé. Se nós nos acovardamos, se formos pelo discurso fácil de todo mundo em casa, será um caos", disse Bolsonaro.

Na postagem deste sábado, Bolsonaro reafirma as declarações feitas recentemente. "Há 2 semanas falei sobre o que poderia acontecer no Brasil, caso se preocupassem apenas com um problema", escreveu o presidente na sua conta oficial do Twitter.

Brasil enviará aviões à China para trazer 240 milhões de máscaras, diz Gabbardo

O secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo, disse que o Brasil vai enviar cerca de 20 aviões na próxima semana à China, para trazer ao Brasil um total de 240 milhões de máscaras adquiridas no país asiático.

Com a medida, o governo brasileiro que evitar problemas com retenção de suprimentos, como ocorreu para diversos países, que tiveram suas compras bloqueadas pelos Estados Unidos.

O Brasil também busca uma rota de voo que não passe pelo solo americano. Gabbardo já disse que três rotas são analisadas, mas se recusou a detalhar o assunto, sob o argumento de que é uma informação "reservada". O secretário executivo disse que o assunto tem sido tratado pelo Ministério da Infraestrutura e o Itamaraty.

O governo ainda tenta comprar respiradores mecânicos na China, apesar de ter dado início à produção nacional do equipamento. Há problemas também para a aquisição de testes de covid-19. Mais da metade dos 22,9 milhões de testes aguardados pelo governo não tem data de entrega prevista.

"Faremos dois envios de aeronaves na próxima semana até a China", disse Gabbardo. "Devemos trazer cerca de 20 aviões lotados com máscaras", completou durante entrevista coletiva realizada neste sábado para atualizar os dados do novo coronavírus no País.

Fonte:
Estadão Conteúdo

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