Líder do governo diz que Senado deverá votar auxílio a Estados em até 2 semanas

BRASÍLIA (Reuters) - O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), afirmou nesta quinta-feira que a Casa deve votar um pacote de auxílio a Estados e municípios em até duas semanas, tema que já suscitou disputa entre a equipe econômica e deputados, envolve governadores e está colocado para debate, agora, na Casa da Federação.
O projeto a que o líder do governo se refere não é o aprovado pela Câmara no início da semana, bastante criticado pela equipe econômica, mas defendido por governadores. Daí o posicionamento de Bezerra, em entrevista a rádios de Pernambuco, por uma ajuda aos entes federativos que tenha "critérios justos", sem passar pela compensação da arrecadação de ICMS e ISS, como prevê o texto produzido pelos deputados.
"Vamos definir um patamar, um valor fixo, e distribuir isso com critérios de justiça federativa em que você possa atender mais os Estados mais pobres, que têm mais dificuldade de poder manter as suas despesas", disse o líder, segundo divulgação de sua assessoria.
"O que todos querem é que essa construção possa ser feita de forma célere, rápida, porque o dinheiro tem que chegar até o final do mês de abril ou início de maio, porque os Estados vão ter dificuldade para pagar a folha. Pagar a folha e a Previdência é um problema real. Temos que trabalhar para irrigar as contas dos Estados, mas através de critérios justos", defendeu.
Ele acrescentou que, assim como a renda emergencial disponibilizada pelo governo a trabalhadores informais e vulneráveis, o auxílio aos entes deve durar três meses, com a ressalva que a situação será avaliada "mês a mês".
Na segunda-feira, a Câmara aprovou projeto de compensação a Estados e municípios, um "seguro-receita", pela queda na arrecadação decorrente da crise do coronavírus, proposta que trouxe à tona o embate entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), patrocinador da medida, e a equipe econômica, que a considerou uma "pauta bomba".
Somou-se a esse clima de desgaste a cobrança, por parte do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), para que a Câmara tratasse os projetos de senadores com a mesma celeridade que os de deputados são tratados na Casa.
No Senado, a proposta da Câmara foi recebida, mas passou a tramitar em conjunto com outro projeto, de autoria do senador Antonio Anastasia (PSD-MG), que "dispõe sobre a cooperação federativa na área de saúde e assistência pública em situações de emergência de saúde pública de importância nacional ou internacional".
Ainda não há relatoria definida para o projeto, mas segundo uma fonte, Alcolumbre pode apontar um nome entre esta quinta e a sexta-feira.
Essa fonte relata que o Senado, Casa das questões federativas, quer se debruçar melhor sobre o tema e avaliar qual texto é melhor para os Estados, mas não tem a intenção de prolongar demais o debate.
Por ora, avalia essa fonte, a proposta da Câmara é mais vantajosa aos entes da Federação, mas nada impede que o texto do governo seja considerado pelos senadores caso o Ministério da Economia demonstre boa vontade em aumentar o montante da ajuda oferecida ou mudar nos critérios para a concessão do auxílio.
Não está descartada, inclusive, segundo essa fonte, a hipótese de o governo editar de fato uma medida provisória sobre o tema, se sentir que o Senado pende para o projeto da Câmara.
Como a proposta do Senado passa a ser a "capa" da matéria, uma vez analisada pelo plenário da Casa, segue para a Câmara e, se for alterada por deputados, terá ainda de voltar para uma segunda análise dos senadores, que terão a palavra final.
Em carta endereçada ao presidente do Senado divulgada na noite da quarta-feira, 17 governadores defendem a aprovação do projeto da Câmara dos Deputados, argumentando que é necessária a "manutenção do adequado funcionamento do Estado" para a proteção da vida, a defesa de empregos e de empresas.
"Enfatizamos nosso apoio à aprovação integral do Projeto de Lei Complementar nº 149-B de 2019 (produzido pela Câmara), que estabelece auxílio financeiro da União aos Estados, ao Distrito Federal e aos municípios para mitigar os efeitos da pandemia de Covid-19, possibilitando a recomposição temporária de receitas dos entes subnacionais", diz a carta.
"A imediata aprovação da referida proposta legislativa da Câmara dos Deputados constitui, assim, forma eficiente de evitar uma perturbação generalizada e salvar numerosas vidas. Afinal, a demora na apresentação de soluções concretas é o nosso maior inimigo depois do vírus", defendem os governadores, que finalizam o documento "confiantes" no acolhimento do pedido por parte das senadoras e senadores.
(Reportagem de Maria Carolina Marcello)
0 comentário
Força do setor de tecnologia compensa alta do petróleo e ações europeias sobem
Trump diz que atacará região da Montanha Pickaxe, no Irã, “muito em breve”
Parlamentares dos EUA pedem que Trump atue contra regras da UE para setor de tecnologia, sugerem investigações comerciais
Wall Street abre em alta com recuperação de chips e foco em balanços
EUA devem anunciar em breve medidas comerciais contra trabalho forçado, diz autoridade
Bessent diz à Fox Business que tarifas de 50% dos EUA sobre o Canadá são “reciprocidade”