Moro ameaça deixar cargo se Bolsonaro trocar diretor-geral da PF, diz fonte

Publicado em 23/04/2020 16:20 e atualizado em 23/04/2020 16:54 688 exibições

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Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, ameaça deixar o cargo se o presidente Jair Bolsonaro decidir trocar o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, disse à Reuters uma fonte com conhecimento direto do assunto nesta quinta-feira.

Bolsonaro e Moro tiveram uma reunião mais cedo no Palácio do Planalto em que o assunto foi tratado, disse a fonte.

O titular da Justiça --conhecido nacionalmente por seu trabalho como juiz da operação Lava Jato-- não pediu demissão do cargo, segundo a assessoria de imprensa do ministério.

Valeixo foi uma escolha pessoal de Moro para comandar a PF desde o início do governo, em janeiro do ano passado.

Não é a primeira vez, no entanto, que Bolsonaro demonstra interesse de trocar a chefia da PF.

Em agosto do ano passado, o presidente disse que pretendia trocar Valeixo e destacou na ocasião que ele é o responsável pela indicação do chefe da polícia e não Moro, a quem a instituição é funcionalmente ligada. Mas a mudança não prosperou após Moro também ter ameaçado sair.

O presidente da Associação de Delegados da Polícia Federal, Edvandir Paiva, admitiu nesta quinta que o diretor-geral da PF não está confortável no cargo desde o ano passado. Disse que ele é um policial sério, mas toda hora há essa conversa de troca na PF mesmo sem ele ter feito "nada de errado".

"Aí ele vai se cansando, me parece natural que após um ano e meio nesse processo, ele queira sair", disse Paiva à Reuters. "Quem vai ficar nesse processo?", questionou.

Bolsonaro tenta impor troca na PF e Moro avisa que deixará o governo

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O ministro da Justiça, Sérgio Moro, avisou que deixará o governo após o presidente Jair Bolsonaro comunicá-lo que trocará o comando da Polícia Federal, atualmente ocupada por Maurício Valeixo. É a segunda vez que o presidente ameaça impor um novo nome na cúpula da corporação.

Valeixo foi escolhido por Moro para o cargo no início do ano passado. O delegado comandou a Diretoria de Combate do Crime Organizado (Dicor) da PF e foi Superintendente da corporação no Paraná, responsável pela Lava Jato, até ser convidado pelo ministro, ex-juiz da Operação, para assumir a diretoria-geral.

Embora a indicação para o comando da PF seja uma atribuição do presidente, tradicionalmente é o ministro da Justiça quem escolhe.

Interlocutores de Valeixo dizem que a tentativa de substituí-lo ocorre desde o início do ano, mas que não teria relação com o que aconteceu no ano passado, quando Bolsonaro tentou pela primeira vez trocá-lo por outro nome. Na ocasião, o presidente teve que recuar diante da repercussão negativa que a interferência no órgão de investigação poderia gerar.

Aliados de Moro afirmaram ao Estado que o ministro não vai aceitar a troca de Valeixo nas condições que o presidente está colocando, de "cima para baixo".

No ano passado, após Bolsonaro antecipar a saída do superintendente da corporação no Rio de Janeiro, ministro e presidente travaram uma queda de braço pelo comando da PF.

Em agosto, o presidente antecipou o anúncio da saída de Ricardo Saadi do cargo, justificando que seria uma mudança por "produtividade" e que haveria "problemas" na superintendência. A declaração surpreendeu a cúpula da PF que, horas depois, em nota, contradisse o presidente ao afirmar que a substituição já estava planejada e não tinha "qualquer relação com desempenho".

Nos dias seguintes, Bolsonaro subiu o tom. Declarou que "quem manda é ele" e que, se quisesse, poderia trocar o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo.

MORO PEDE DEMISSÃO; BOLSONARO RESISTE A ACEITAR ( O Antagonista )

Sergio Moro pediu hoje demissão a Jair Bolsonaro, após o presidente comunicar ao ministro que vai tirar do comando da Polícia Federal Maurício Valeixo, como informou mais cedo a Crusoé.

Bolsonaro ainda tenta convencer Moro a permanecer no cargo.

A reunião entre os dois ocorreu hoje pela manhã; a troca na PF, no entanto, só deve ser oficializada na semana que vem.

 

Fonte:
Reuters

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