Caixa: total de cadastros para auxílio emergencial de R$ 600 chega a 96,9 milhões de brasileiros

Publicado em 01/05/2020 19:33 e atualizado em 03/05/2020 11:20 512 exibições

Quase 97 milhões de brasileiros fizeram o cadastro para receber o auxílio emergencial de R$ 600 até agora. De acordo com a Caixa, 50,1 milhões foram aprovados e estão recebendo a primeira parcela. Mas, o total de cadastros chega a 96,9 milhões

"Estamos reenviando respostas para pessoas que tinham cadastro inconclusivo ou negativo. Peço que chequem os aplicativos. Muitas já receberam e estão indo às agências", afirmou o presidente da Caixa, Pedro Guimarães.

De acordo com o presidente, 80% dos beneficiários foram até a agência sacar e apenas 20% fizeram transferência ou pagamentos digitais.

O presidente da instituição disse que está conversando com prefeituras e pediu apoio para organizar áreas externas das agências. A Caixa se ofereceu para distribuir máscaras para a população em suas agências.

Caixa mudará calendário da 2ª parcela de benefício para evitar filas

Depois de beneficiários dormirem nas portas de agências da Caixa, o presidente da instituição, Pedro Guimarães, disse que o calendário de pagamento da segunda parcela do benefício emergencial, em maio, será reformulado para evitar filas. O novo calendário ainda será discutido com o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, e apresentado ao presidente Jair Bolsonaro antes de ser divulgado.

Em coletiva online nesta sexta-feira, Guimarães disse que a ideia é evitar sobreposição entre o pagamento do Bolsa Família e do auxílio emergencial para reduzir a demanda. Ele disse que, nesta semana, houve pagamento concomitante do programa e do auxílio emergencial, tanto via contas digitais quanto para saque em espécie.

"Não há condição de misturar pagamento do Bolsa Família com o das contas digitais. Vamos minimizar filas no segundo pagamento do auxílio emergencial", afirmou. "Estamos fazendo o maior pagamento do Brasil e talvez do mundo neste momento. Cinquenta milhões de brasileiros receberam recursos nos últimos 20 dias".

Como mostrou reportagem do jornal O Estado de S. Paulo desta sexta-feira, beneficiários chegaram a dormir na porta de agências da periferia de São Paulo e filas se repetiram por todo o Brasil nos últimos dias. Com o início do pagamento do benefício, as portas das agências da Caixa viraram local de peregrinação de um exército de brasileiros que viu a pouca renda que tinha sumir com a pandemia. "Sabemos que houve aglomeração grande nesta semana, estamos agindo para resolver. Não há possibilidade de pagar 50 milhões de pessoas em três semanas sem fila, não vou prometer", afirmou.

Ele frisou que o calendário do Bolsa Família não mudará e o benefício continuará sendo pago nos últimos dez dias do mês. Guimarães disse que a demanda nas agências tem sido enorme e que a maioria das pessoas vai para a agência pedir informação, e não para sacar o auxílio. "O próximo calendário levará em conta tudo o que está acontecendo agora. Entendemos a necessidade e o desespero das pessoas por esses recursos", garantiu. Segundo Guimarães, um dos focos de melhoria será o aplicativo do auxílio emergencial.

Metade dos autônomos está em casa sem trabalhar durante quarentena, diz pesquisa

Metade dos brasileiros que atuavam como autônomos antes das medidas de isolamento social se viu obrigada a ficar sem trabalhar durante a quarentena adotada como forma de combate à pandemia do novo coronavírus. É o que mostra pesquisa feita pelo instituto QualiBest, que entrevistou cerca de 800 pessoas, entre o final de março e início de abril, por meio de uma plataforma digital.

Segundo o levantamento, 51% dos autônomos (os que atuam por conta própria, profissionais liberais ou donos de pequenos negócios) estão em isolamento e sem trabalhar, enquanto 36% continuam trabalhando mesmo isolados. Uma parcela de 9% segue saindo de casa para exercer suas atividades profissionais. Outros 4% estão em outras situações.

Os autônomos se tornaram uma das principais preocupações dos governantes, em especial das autoridades econômicas, quando a pandemia levou vários Estados a adotar medidas de isolamento social, na segunda quinzena de março, numa tentativa de conter o avanço dos vírus. Aqueles que precisam sair para trabalhar - como um vendedor ambulante, por exemplo - ficaram sem renda por causa da quarentena, não só porque tiveram de ficar em casa, mas também porque os clientes também estão isolados.

A principal resposta das autoridades, até o momento, foi a criação do auxílio emergencial. A medida, do governo federal, oferece R$ 600 mensais, durante três meses, para que essa parcela dos brasileiros, que está entre os mais vulneráveis economicamente, possa manter uma renda mínima durante o período mais agudo de isolamento social.

A pesquisa também ouviu aqueles que trabalham em empresas, com resultados mais equilibrados. A maior parte, 36%, está em regime de home office (teletrabalho), enquanto uma proporção um pouco menor, de 29%, continua saindo para trabalhar. Outros 25% estão em casa sem trabalhar. A menor parte, de 10%, está em outras situações, como em férias ou em algum tipo de licença.

Quarentena

Ainda segundo o levantamento, metade dos brasileiros (52%) defende que a quarentena dure o tempo indicado pelos profissionais de saúde. Outros 29% acreditam que as medidas de isolamento devem ser afrouxadas quando houver diminuição no número de casos. Uma parcela de 10% afirma que a quarentena deve durar até uma cura ser descoberta. Além disso, 4% acham que a quarentena não deveria ter começado, 3% defendem "outro momento" para o fim do isolamento e 2% acreditam que é melhor ouvir os economistas.

"Pelos números, a maioria das pessoas entendeu que é melhor ficar em casa neste momento de aumento da curva de infectados. Isso já se demonstrava nas primeiras pesquisas que fizemos, quando sete em cada dez brasileiros se diziam temerosos em ser ou ter alguém da família contaminado", diz Daniela Malouf, diretora geral do QualiBest.

"A aderência do discurso de ficar em casa e mesmo de alguns economistas, de que a economia é mais importante, é muito pequena entre a população. Isso reforça a confiança que ela escolheu depositar sobre os profissionais da saúde", afirma também.

Para fazer a pesquisa, o instituto envia questionários a uma base própria de 250 mil pessoas cadastradas. Antes, faz um filtro de quem vai participar da pesquisa, para que a amostra seja semelhante ao perfil da população brasileira.

Waldery Rodrigues: Concessão de crédito está 30% acima do que no ano passado

Em entrevista coletiva virtual, o secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, disse que a concessão de crédito aumentou após as medidas anunciadas pelo governo e está 30% acima do ano passado. "A concessão na semana 16 entre 12 e 19 de abril foi para a pessoa física em torno de R$ 16 bilhões e pessoa jurídica R$ 31 bilhões."

O diretor de programa do Ministério da Economia, Julio Cesar Costa, disse que quase 100 mil empregados foram contemplados com a medida de crédito para folha de pagamentos até o 17 de abril. Essa ação permite que o empregador tome um crédito para pagar salários e os recursos são depositados diretamente na conta do empregado.

Costa disse que é esperado um número muito maior no fim do mês, quando "rodam" as folhas de pagamento.

Auxílio emergencial

Rodrigues disse que novos segmentos da sociedade poderão ser contemplados pelo auxílio emergencial. No entanto, não está decidido se haverá o pagamento de novas parcelas do benefício, que terá, a princípio, três parcelas. "Estamos analisando tudo com cautela", completou.

Apesar dos aumentos nos gastos para fazer frente à pandemia do coronavírus, o secretário disse não estar preocupado. "No momento, temos certeza e serenidade quanto à solvência das contas públicas", completou.

De acordo com o subsecretário de Planejamento do Tesouro Nacional, a projeção para o déficit primário do setor público chega a R$ 622 bilhões em cenário de recuo de 5,34% do PIB.

 

Fonte:
Estadão Conteúdo

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